A persistência do Irã não compensa
Por David S. Moran
Já entramos no sétimo dia da guerra que Israel chama de “Rugido do Leão” e ainda nada definido. Na primeira onda, sem precedentes e impressionante, Israel enviou, de uma vez, 200 caças para atacar o Irã, ao lado de outros 250 caças americanos. A coordenação deste e outros ataques é sensacional, já que cada um sabe o que e onde deve atacar.
Os caças israelenses atacaram de uma vez 500 alvos. Um dos primeiros foi o local onde estava o supremo líder, Ali Khamenei, com altas autoridades e foram ao céu. Dias depois, foi informado que Israel entrou no sistema de câmeras de trânsito de Teerã e acompanhava a movimentação de Khamenei há muito tempo e, assim, sabia onde ele estava. Vale a pena ressaltar que a distância entre Israel e o Irã é de mais de 1.500km. Só para entender a complexidade de uma operação destas, cada caça tem que ser abastecido duas vezes, para operar livremente. O ataque foi realizado com caças invisíveis F35 já no ar esperando a informação do Serviço de Inteligência israelense de que os chefões estava em reunião. De lá, lançaram de longe suas bombas acertando o alvo e matando cerca de 40 líderes iranianos.
Em Israel milhares de pessoas estavam envolvidas na operação a ser realizada, mas nada vazou. A população só soube do ataque pelo alarme que soou as 8:16h de sábado (28/02). Nas primeiras horas, tudo foi calmo mas, horas depois, o Irã decidiu retaliar atacando bases americanas em Bahrein, Catar (seu aliado), Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A hora de Israel veio também e nós fomos ao bunker feito um zíper, algumas vezes. A resposta do Irã só causou pouquíssimos danos materiais. Só nos dias seguintes, os mísseis iranianos tiveram mais êxito e além de danos materiais houve algumas baixas.
Pessoalmente, perdemos um bom churrasco com feijoada para comemorar aniversário de um amigo num kibutz no sul do país. Todos os eventos, naturalmente foram cancelados.
Ainda na mesma noite, as Forças de Defesa de Israel (FDI), para preservar os civis, avisaram os residentes de um bairro em Isfahan para evacuar suas casas. Nesta cidade, há uma instalação nuclear que já foi bombardeada (em junho de 2025). Agora, voltaram para ataca-la novamente. Imagine o(a) leitor(a) que as forças israelenses e americanas não sofreram nenhuma baixa e efetuaram com precisão seus ataques e isto não é brincadeira, exige super coordenação de exímios pilotos e ótimas informações dos Serviços de Inteligência.
Se alguém necessitava de justificativas para este ataque, vale a pena lembrar que, desde sua tomada de poder, em 1979, o regime radical islâmico do xiita aiatolá Khomeini, reiterou inúmeras vezes, abertamente, que sua meta era liquidar e extinguir o Estado de Israel do mapa mundi. Apesar de Israel ser membro da ONU, esta instituição não condenou a fala de outro país membro. Um absurdo.
Desde o acordo de junho de 2025, havia negociações para o Irã retirar sua ameaça com o enriquecimento de urânio. Em vão. Os negociadores sabem como negociar, mas blefaram o tempo todo, desrespeitando o Direito Internacional e os dos Direitos Humanos, mesmo com sua população.
Em menos de 48 horas, o Tsahal (FDI) conseguiu destruir as baterias antiaéreas do Irã e obtiveram livre acesso aos céus de Teerã
Não há dúvida de que a liderança iraniana não imaginou que esta seria a resposta doe EUA e de Israel a sua recusa de parar o seu processo nuclear. A maior parte desta liderança já está num outro mundo e o Irã está sofrendo terríveis ataques e ninguém sabe se e quando poderá se recuperar. Os ataques estão voltados contra alvos militares e do governo iraniano e não visam os civis. Mesmo a propaganda iraniana de que Israel teria matado 171 alunas num ataque contra uma escola, veio abaixo quando fotos mostraram o envio de um míssil iraniano que fracassou e logo em seguida caiu na escola causando esta terrível tragédia.
O Irã já perdeu o senso e, no domingo (01/03), atacou países árabes vizinhos, alegando atacar bases militares americanas. Seja em Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e até o aliado Catar e o mediadora Omã. A este, o Irã pediu desculpas, mas a irritação destes países permaneceu. Até quinta-feira (05/03) estes países haviam sofrido mais ataques iranianos do que Israel. Não há dúvidas de que o arsenal de misseis iranianos está se esgotando. Na quinta-feira, nós fomos acordados de madrugada quatro vezes pelo alerta, mas só duas vezes tivemos que descer para o bunker.
Estes ataques a países árabes aliados aos EUA têm a intenção de que eles pressionem os americanos a pararem seus ataques contra o Irã.
Uma coisa é certa, Israel tem três objetivos principais nos seus ataques ao Irã. Primeiro, exterminar os lançadores e os mísseis iranianos e ter certeza de que acabou com o perigo nuclear. Segundo, ir atrás dos líderes e os militares do regime iraniano. E o terceiro, danificar a infraestrutura das forças de segurança iranianoa.
Os iranianos, no seu desespero, além de atacar os países árabes vizinhos, atacaram Chipre e a Turquia na Europa e, na quinta (05/03) até o vizinho Azerbaijão, país islâmico também. Além disso, acionaram o Hezbollah, que caiu na armadilha atacando Israel do Líbano e dando oportunidade para as FDI entrarem no País das Cidreiras. Também anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial e 15% do gás natural. Só que isto pode ser contornado e por outros motivos não o é. Os EUA afundaram navios costeiros desta região e até um submarino iraniano nas costas de Sri Lanka com 181 tripulantes. Além disso, a presença americana no golfo pode obstruir qualquer tentativa de intervenção iraniana no ponto mais estreito da região que é de 34 km.
Esta guerra é muito justa para tentar eliminar uma ameaça nuclear ao mundo todo (pelo fanatismo islâmico) e, em particular, a Israel, mas, infelizmente nem todos veem assim. Há nos EUA os que pensam que foi Netanyahu que puxou o Trump para esta guerra. O secretário de Estado, Marco Rubio disse: “Nós sabíamos que Israel atacaria o Irã para tirar a ameaça nuclear e entramos na guerra para prevenir baixas americanas, numa possível represália do Irã. Também queríamos retirar a ameaça nuclear das mãos dos fanáticos religiosos muçulmanos”. O presidente Trump disse que foi ele que puxou Netanyahu para entrar nesta guerra. A verdade é que os dois países e o mundo ocidental devem ter o mesmo interesse ante o perigo de extremistas islâmicos.
Até jornalistas ingleses defendem e justificam a guerra de Israel contra o regime islâmico do Irã. Mellanie Phillips que escreve no The Times e no The Spectator disse que “Israel é o canário na mina de carvão” e criticou seu governo que se subjuga ao islã radical. Brendon O’Neill, editor do Spiked criticou a dupla estandarte e o medo do islã extremista e acha que a guerra de Israel é uma guerra justa da Democracia sobre a Barbárie. Isto sem mencionar o apoiador de Israel, Douglas Murray.
Na quarta-feira (04/05), um piloto de F35 israelense abateu um caça iraniano que estava tentando abater drones israelenses que sobrevoavam Teerã. Logo que o avistou o piloto, “fechou sobre ele” e o abateu, fato que não acontecia desde 1985. O inédito é que, pela primeira vez, um F35 qualquer abate um caça inimigo. Logo após reportar o abate, o piloto continuou para sua missão original.
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