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Autonomia de haredim em Israel

Por David S. Moran

O Irã continua lançar dezenas de mísseis sobre Israel. Uns são mísseis com 500 kg de explosivos, outros são mísseis de fragmentação, contendo dezenas de fragmentos, cada um pesando 2,5 kg e causam danos em uma área maior.

No sábado, dois mísseis atingiram Dimona e Arad, no sul do país. Nos dois lugares, 242 pessoas foram feridas e poderiam ter evitado isto, se obedecessem às instruções e entrassem nos abrigos antiaéreos, que estavam a sua disposição. Mas, nem todos no país obedecem às instruções, principalmente os “haredim” (ultraortodoxos), para quem a vida continua a mesma, como se Israel não estivesse em guerra contra o Irã.

Nos últimos anos, a hassidut Gur “invadiu” Arad e milhares deles foram viver nesta cidade, alheios aos outros habitantes, leigos, que lá vivem. Neste ataque de mísseis, os haredim foram os que mais sofreram.

Tanto é que, desde o início da guerra, as escolas estão fechadas, como medida de prevenção, mas na maioria das yeshivot, os alunos estão presentes e estudando. Casamentos continuam, assim como reuniões de centenas de pessoas, que as autoridades encarregadas da segurança da população, proibiram. Isto, mesmo que se trata de salvar pessoas.

Os dois grão-rabinos de Israel emitiram nota conjunta para que a população obedeça às instruções do Comando da Frente Interna. Isto de pouco vale para os haredim, mesmo depois de nove pessoas desta comunidade terem morrido, inclusive crianças, em Beth Shemesh, vítimas de um míssil que caiu na cidade. Beth Shemesh, perto de Jerusalém, foi cidade leiga e atualmente grande parte da cidade abriga uma população ultraortodoxa.

O problema é que os ultraortodoxos se multiplicam mais do que o restante da população. A média de cada família é de mais de 8 filhos e eles estão conquistando terreno em cidades outrora leigas. Eles não só se instalam numa área. Depois de estabelecidos, eles tentam impor seu comportamento no restante da população. Dois haredim compraram o Shopping Center de Arad, aí vieram aos lojistas com pedido de retirar as fotos das mulheres. Depois pediram para mudar a música do fundo, para melodias religiosas e para os “rebeldes” pediram para sair do Shopping.

O mesmo processo de alienação do restante da população ocorre há dezenas de anos. Com a formação do país, em 1948, Ben Gurion isentou 400 jovens sábios para continuar seus estudos religiosos. Com o tempo a população foi crescendo e devido a formação de coalizão governamental, os governos foram isentando mais pessoas e atualmente 80.000 estão transgredindo a lei ao não fazer o serviço militar obrigatório em Israel. Esse não cumprimento da lei, torna-se mais grave em épocas de guerra. Nas Forças de Defesa de Israel (FDI, Tsahal) faltam atualmente 12.000 soldados. A sobrecarga recai sobre os reservistas, muitos dos quais já estão servindo há 300-400 dias, deixando seus afazeres e famílias para ir lutar. As FDI até tentaram lhes satisfazer e não lhes dar desculpas para não servir. Criaram batalhões especiais só para haredim, para que possam rezar, comer comida casher especial e mais facilidades. Mas, mesmo esses batalhões não tem um número suficiente de soldados.

Até as universidades abrem classes só para haredim, separados do restante dos estudantes. Há até hospitais com secções só para haredim. Em vez de se integrar à sociedade geral israelense, eles cada vez se alienam mais. O atual governo, que só se mantêm no poder graças aos partidos dos haredim, tenta aprovar uma nova lei que os isente do serviço militar. No lugar de 8.500 que deveriam se alistar, somente 800 foram recrutados e a maioria deles não vive mais uma vida ultraortodoxa. Ao mesmo tempo, o governo lhes repassa bilhões de shekels, no lugar de repassar pelo menos parte dessas verbas, para a construção de abrigos antiaéreos, principalmente nas comunidades na fronteira com o Líbano.

Por serem famílias numerosas em que a maioria dos homens não trabalham e a mulher é quem os sustenta, essas famílias são empobrecidas e o Estado tem que sustenta-las. Nas medidas sobre nível de vida dos israelenses, eles baixam o nível por esta razão. O que o governo deveria fazer é, gradativamente, fazê-los entrar na sociedade geral do país, sem perder seus hábitos, mas que ingressem nas FDI, como os outros e, se já cumprem esta obrigação, poderão trabalhar legalmente e melhorar seu nível econômico.

Foto: Wikipedia Commons

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