Dois bebês morrem em tragédia em creche de Jerusalém
Um incidente incomum e trágico ocorreu, nesta segunda-feira, em uma creche particular, que funcionava sem licença, em um apartamento residencial no bairro de Romema, de maioria ortodoxa, em Jerusalém.
Dois bebês, de cerca de quatro meses, morreram e outros 53 bebês e crianças pequenas foram evacuados para receber atendimento médico, em um episódio inicialmente tratado como suspeita de exposição a substância perigosa.
Um médico voluntário do MDA, Menachem Estrik, relatou que dezenas de bebês estavam no imóvel. “Começamos fazendo exames e prestando atendimento médico às crianças presentes no local, enquanto as colocávamos em ambulâncias e unidades móveis de terapia intensiva”.
Além dos dois bebês que foram declarados mortos, as outras crianças foram levadas em estado leve ou apenas para observação.
O paramédico Nadav Taib e o paramédico sênior Yair Abba Shaul, da MDA, que estavam entre os primeiros a chegar ao local, relembraram: “Fomos chamados para atender um bebê de quatro meses que foi encontrado sem pulso e sem respirar. Começamos a realizar a reanimação cardiopulmonar (RCP) e, em seguida, fomos chamados de volta ao jardim de infância para atender outro bebê que estava inconsciente. Mobilizamos um grande número de pessoas e começamos a evacuar todos os bebês”.
Uma investigação inicial realizada por equipes de resgate no local revelou uma forte suspeita de que a causa do desastre foi um vazamento de gás ou envenenamento por monóxido de carbono (CO), um gás tóxico, inodoro e incolor que pode ser fatal em espaços fechados.
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No entanto, o Serviço de Bombeiros e Resgate de Israel informou posteriormente que os testes realizados pelos bombeiros e pela Unidade de Materiais Perigosos (HMSU) após o incidente não identificaram níveis anormais de materiais perigosos no ar durante o monitoramento. Acredita-se que o material já tivesse evaporado quando os equipamentos chegaram, ou que a fonte do vazamento já tivesse sido tratada.
Os hospitais de Jerusalém foram preparados com equipes reforçadas para receber o grande números de vítimas. O Hospital Hadassah Mount Scopus informou que 26 bebês e crianças pequenas foram evacuados, incluindo um bebê em estado crítico que estava sendo reanimado e os demais em estado leve. O Hospital Hadassah Ein Kerem evacuou 18 bebês e crianças pequenas de diversas idades, em estado leve e conscientes.
Segundo relatos dos socorristas que chegaram ao local, dezenas de crianças estavam amontoadas em um pequeno apartamento, dormindo umas sobre as outras dentro de armários e ao lado de um vaso sanitário no banheiro. Eles disseram ainda que um ar-condicionado estava funcionando em temperatura extremamente alta, criando condições perigosamente secas que representavam um sério risco à vida.
Após as constatações no local e considerando a gravidade do incidente, a polícia abriu imediatamente uma investigação. Três cuidadoras que trabalhavam na creche foram detidas para interrogatório na delegacia, sob suspeita de negligência e para esclarecer as circunstâncias do incidente que resultou nos ferimentos graves das crianças.
O presidente do Shas, Aryeh Deri, culpou a procuradora-geral Gali Baharav-Miara e o Supremo Tribunal, pelo menos em parte, pela tragédia.
Em discurso aos deputados do seu partido durante a reunião semanal na Knesset, Deri insistiu que “é proibido operar creches sem licença”, mas que “ao mesmo tempo, também é necessária uma profunda reflexão”.
“Quem pode dizer ‘nossas mãos não derramaram esse sangue’? Quando uma população muito grande é repentinamente empurrada para dificuldades, as pessoas são forçadas a procurar outras soluções, e as consequências podem ser duras e amargas”, declarou ele, numa aparente referência aos cortes feitos nos orçamentos dos haredim após a decisão do Supremo Tribunal do ano passado, que considerou ilegais as isenções do serviço militar concedidas aos haredim.
Questionado sobre se existe alguma relação entre o corte nos subsídios para creches e a tragédia, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, declarou a jornalistas antes da reunião da sua própria bancada do partido Sionismo Religioso que “temos a obrigação de proteger a vida dos nossos filhos e netos e de garantir que sejam colocados em ambientes supervisionados, legais e organizados”.
Fonte: Revista Bras.il a partir de C14, The Yeshiva World e The Times of Israel
Foto: Hatzala

