Europa critica ataques das FDI contra o Hezbollah
O Reino Unido e vários países da União Europeia (UE) condenaram, nesta quinta-feira, os ataques aéreos israelenses no Líbano, que ocorreram após o acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irã. O Irã e seu aliado Hezbollah afirmaram que o acordo também se aplicava ao Líbano, mas os EUA e Israel negaram.
A ministra do Exterior britânica, Yvette Cooper, disse à Sky News: “Queremos que o cessar-fogo seja estendido ao Líbano”, acrescentando: “Estou profundamente preocupada com a escalada dos ataques que vimos de Israel no Líbano, ontem”. “Vimos as consequências humanitárias, o enorme deslocamento em massa de pessoas no Líbano. Por isso, queremos muito que o cessar-fogo seja estendido ao Líbano”, acrescentou ela.
Em entrevista à Times Radio, Cooper afirmou que, se o cessar-fogo não for aplicado ao conflito entre Israel e Hezbollah, “isso desestabilizará toda a região”. “A escalada que vimos, ontem, por parte de Israel foi profundamente prejudicial, e queremos ver o fim das hostilidades”, disse ela.
Israel afirmou que os ataques aéreos de quarta-feira (foto) foram planejados durante semanas e tinham como alvo o grupo terrorista Hezbollah, apoiado pelo Irã. Entre os alvos, segundo as FDI, estavam centros de comando do Hezbollah e outras infraestruturas militares, incluindo quartéis-generais de inteligência e escritórios usados pelo Hezbollah para planejar ataques contra tropas israelenses e civis; infraestrutura das unidades de foguetes e navais do Hezbollah; e instalações da Força Radwan, unidade de elite do grupo terrorista, e de sua unidade aérea.
Segundo as autoridades israelenses, na onda de ataques, a maior de Israel desde que o Hezbollah entrou na guerra em 2 de março, retomando seus ataques contra o estado judeu, Ali Yusuf Harshi, secretário pessoal e sobrinho do líder do grupo terrorista, Naim Qassem, foi eliminado em um ataque aéreo no bairro de Tallet Khayat, em Beirute.
Os comentários de Yvette Cooper surgiram no momento em que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, chegou aos Emirados Árabes Unidos para a segunda etapa de uma visita ao Golfo, com o objetivo de se reunir com líderes regionais e fortalecer o cessar-fogo.
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O ministro do Exterior da França, Jean-Noël Barrot, falando à rádio France Inter, classificou os ataques israelenses no Líbano como “inaceitáveis”, afirmando que eles “minam o cessar-fogo temporário alcançado ontem entre os Estados Unidos e o Irã”.
O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que conversou com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e com o presidente dos EUA, Donald Trump, e lhes disse que a decisão de aceitar um cessar-fogo era a melhor possível. “Manifestei a minha esperança de que o cessar-fogo seja plenamente respeitado por cada um dos beligerantes, em todas as áreas de confronto, incluindo no Líbano”, disse Macron numa publicação no X.
O ministro do Exterior da Espanha, José Manuel Albares, por sua vez, acusou Israel de violar o direito internacional e o cessar-fogo. “Ontem vimos como Israel, desrespeitando o cessar-fogo e violando o direito internacional, lançou centenas de bombas sobre o Líbano”, disse Albares aos parlamentares da câmara baixa do país.
Na manhã de quinta-feira, Albares anunciou que a Espanha reabriria sua embaixada em Teerã na esperança de alcançar a paz na região. “Instruí nosso embaixador em Teerã a retornar, reassumir seu cargo e reabrir nossa embaixada, e a nos unirmos a esse esforço pela paz em todas as frentes possíveis, inclusive na própria capital iraniana”, disse ele a repórteres.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, afirmou que Israel “desrespeitou” o cessar-fogo de duas semanas com o Irã ao realizar os ataques, de acordo com a Reuters. “Estivemos a um passo do ponto de não retorno, mas agora enfrentamos uma perspectiva frágil de paz que deve ser buscada com determinação”, disse Meloni ao parlamento, acrescentando que a Itália condena qualquer violação do cessar-fogo e pede o fim permanente das hostilidades.
O ministro do Exterior do país, Antonio Tajani, escreveu na noite de quarta-feira que havia falado por telefone com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, e “expressou a solidariedade do governo italiano pelos ataques injustificados e inaceitáveis que ele vem sofrendo de Israel”.
“Queremos evitar que haja uma segunda Gaza”, publicou Tajani, referindo-se à campanha de Israel contra o Hamas, após o ataque do grupo terrorista em 7 de outubro de 2023. “Reiteraremos esse conceito também ao embaixador israelense, a quem convoquei à Farnesina [sede do Ministério do Exterior da Itália].”
“Condenamos os bombardeios contra a população civil libanesa, incluindo os incidentes com disparos sofridos por nossas tropas da UNIFIL, pelos quais continuamos a exigir garantias de total segurança”, escreveu ele. As forças israelenses dispararam tiros de advertência contra um comboio de forças de paz italianas da ONU no Líbano, na quarta-feira, danificando pelo menos um veículo, mas sem causar feridos.
“Devemos evitar a todo custo qualquer expansão do conflito que possa pôr em risco o cessar-fogo no Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz”, acrescentou Tajani.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou, nesta quinta-feira, que o acordo de cessar-fogo entre os EUA e o Irã deve ser estendido ao Líbano e que o Hezbollah deve se desarmar.
“O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra, mas o direito de Israel de se defender não justifica infligir tamanha destruição”, escreveu ela no X. “As ações israelenses estão colocando o cessar-fogo entre os EUA e o Irã sob forte pressão. A trégua com o Irã deveria se estender ao Líbano”. “Os ataques israelenses mataram centenas de pessoas na noite passada, tornando difícil argumentar que tais ações brutais se enquadram na legítima defesa”, acrescentou Kallas.
O Ministério do Exterior da China também afirmou que a soberania do Líbano “não deve ser violada”, acrescentando que “a segurança da vida e dos bens civis deve ser garantida”.
A porta-voz do Ministério, Mao Ning, disse em uma coletiva de imprensa que Pequim pediu moderação e calma na situação regional. Ela disse que a China espera que “as partes envolvidas possam aproveitar esta oportunidade de paz e trazer a região de volta à estabilidade o mais rápido possível”.
Fonte: Revista Bras.il a partir de The Times of Israel
Foto: Captura de tela (FDI)

