França propõe negociação de paz entre Israel e Líbano
O governo francês elaborou uma proposta para pôr fim à guerra no Líbano que exigiria que o governo libanês tomasse a medida sem precedentes de reconhecer Israel, de acordo com a agência Axios.
Segundo a proposta francesa, Israel e Líbano iniciariam negociações, com o apoio dos EUA e da França, sobre uma “declaração política” a ser acordada em um mês.
As conversas começariam entre diplomatas de alto escalão e, posteriormente, envolveriam outros líderes políticos, com Paris sendo proposta como sede.
A proposta visa, segundo relatos, pôr fim à guerra atual, garantir a retirada israelense do sul do Líbano e criar um caminho para o reconhecimento inédito de Israel pelo Líbano.
O acordo divulgado surge num momento em que Israel se prepara para expandir significativamente suas operações terrestres no Líbano.
Autoridades israelenses e americanas declararam à Axios que Jerusalém está avaliando uma ofensiva para tomar a área ao sul do rio Litani e desmantelar a infraestrutura do Hezbollah, em uma ação que representaria a maior operação terrestre de Israel no Líbano desde a guerra de 2006.
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A declaração incluiria um reconhecimento inicial de Israel por parte do Líbano e um compromisso de Beirute em respeitar a soberania e a integridade territorial de Israel.
Ambas as partes reafirmariam também o seu compromisso com a Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU e com o acordo de cessar-fogo de 2024.
Segundo a Axios, o Líbano se comprometeria ainda a impedir ataques contra Israel a partir de seu território e a implementar um plano interno para desarmar o Hezbollah e proibir suas atividades militares.
A proposta também prevê que as Forças Armadas Libanesas se reposicionem ao sul do rio Litani, enquanto Israel se retiraria, dentro de um mês, das áreas conquistadas desde o início da guerra atual.
A Axios informou que o mecanismo de monitoramento liderado pelos EUA seria usado para lidar com violações do cessar-fogo e ameaças iminentes.
Segundo a proposta, as forças de paz da UNIFIL verificariam o desarmamento do Hezbollah ao sul do rio Litani, enquanto uma outra coalizão, com mandato concedido pelo Conselho de Segurança da ONU, supervisionaria o desarmamento em outras partes do Líbano.
O plano também prevê que o Líbano declare sua disposição de negociar um acordo permanente de não agressão com Israel. Segundo a reportagem, o acordo seria assinado em dois meses e encerraria formalmente o estado de guerra que existe entre os dois países desde 1948.
O acordo de não-agressão proposto comprometeria ambos os países a resolver disputas pacificamente e a estabelecer mecanismos de segurança, informou o Axios.
Após a assinatura de tal acordo, Israel supostamente se retiraria de cinco posições no sul do Líbano que as FDI controlam desde novembro de 2024.
A etapa final da proposta francesa prevê a conclusão da demarcação das fronteiras entre Israel e Líbano e entre Líbano e Síria até o final de 2026.
Um porta-voz do presidente da França Emmanuel Macron não respondeu ao pedido de comentário.
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, já teria nomeado uma equipe de negociação para possíveis conversas com Israel.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu incumbiu o ministro de Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, de gerir a questão libanesa e de coordenar ações com o governo Trump, mas fontes citadas pela Axios afirmaram que um acordo é improvável sem uma forte liderança dos EUA.
Fonte: Revista Bras.il a partir de The Jerusalem Post
Fotos: Wikimedia Commons e Canva

