Hackers do Irã dizem ter invadido sistema da Clalit
A Handala, um grupo de hackers ligado ao Irã, afirmou, nesta quarta-feira, ter se infiltrado nos arquivos da Clalit, o maior plano de saúde de Israel, sendo essa a mais recente violação de sistemas israelenses pelo grupo.
O grupo publicou nas redes sociais que havia “divulgado os dados médicos sensíveis de mais de 10.000 pacientes desta organização”. Afirmou ainda que o ataque cibernético “desferiu um golpe devastador no núcleo do sistema de saúde do regime sionista”.
“Vocês se gabam de possuir as tecnologias mais avançadas, mas agora assistem impotentes ao colapso de suas defesas”, escreveu o grupo, repetindo declarações que já havia feito sobre ataques cibernéticos anteriores a dados israelenses.
Acrescentou ainda: “Declaramos com orgulho que a nossa ação é uma resposta legítima a décadas de ocupação, opressão e violações dos direitos humanos por parte do regime sionista”.
Junto com a postagem, havia prontuários médicos, aparentemente do banco de dados da Clalit, contendo os nomes e informações pessoais de pacientes israelenses. Os prontuários detalham exames e testes médicos.
Na terça-feira, a conta X do grupo de hackers publicou uma mensagem enigmática: “Às vezes, você consegue sentir o amanhã antes que ele chegue… Não parece ser um bom dia para os guardiões da saúde”.
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O aparente ataque cibernético é um dos muitos esforços de espionagem ligados ao Irã dentro de Israel. Dados de políticos foram hackeados, e o regime iraniano tem feito grandes esforços para recrutar espiões em Israel por meio de mensagens de texto e ofertas de pagamentos em dinheiro.
A Clalit atende 4,8 milhões de israelenses, aproximadamente metade do país. Em resposta às alegações dos hackers, a Clalit disse que seus especialistas em segurança cibernética estavam investigando o caso, que havia notificado o governo e que seus sistemas estavam funcionando normalmente.
“Após o recebimento do relatório, mecanismos de monitoramento e resposta foram ativados, e medidas preventivas proativas foram tomadas para fortalecer a defesa, juntamente com uma ampla investigação profissional das informações divulgadas e sua extensão”, disse a organização em um comunicado divulgado pela mídia israelense.
Este ataque cibernético não é o primeiro em que a Handala se vangloria de ter acessado dados israelenses sensíveis. O incidente ocorreu num momento de crescente tensão entre Jerusalém e Teerã, com o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçando atacar o Irã e o Irã prometendo retaliar atacando Israel.
“Tendo em vista as tensões de segurança anteriores com o Irã, o grupo de hackers a Handala intensificou suas ações”, disse Gil Messing, chefe de gabinete da empresa israelense de cibersegurança Check Point, ao Ynet. “Com base em experiências passadas, este é um grupo que é, em certa medida, embora não totalmente, confiável. Geralmente, quando eles dizem que fizeram algo, significa que algo aconteceu, mas não na extensão que descrevem, então há um certo nível de exagero”.
Em dezembro, a Handala afirmou ter invadido o telefone do ex-primeiro-ministro Naftali Bennett, considerado o candidato mais viável para desafiar o atual premiê, Benjamin Netanyahu, nas eleições deste ano.
O gabinete de Bennett reconheceu que sua conta na plataforma de mensagens Telegram havia sido invadida, mas afirmou que seu telefone não havia sido acessado indevidamente.
Imagens, contatos e outras informações que o grupo alega ter obtido do telefone de Bennett foram publicadas em um site supostamente administrado pela Handala, e um link para baixar o que afirmavam ser a lista de contatos do telefone dele foi compartilhado pela conta @Handala_Red no X. Não havia como confirmar se a conta e o site eram de fato administrados pelo grupo que alegava ter hackeado o telefone do ex-primeiro-ministro.
Mais tarde, o grupo também afirmou ter invadido os telefones de Ayelet Shaked, ex-ministra e aliada próxima de Bennett, e de Tzachi Braverman, chefe de gabinete de Netanyahu.
Outros hackers ligados ao Irã também atacaram o sistema de saúde israelense. Em outubro passado, durante o feriado de Yom Kippur, o Centro Médico Assaf Harofeh foi alvo de um ataque do Qilin, uma organização de cibercriminosos de língua russa que se acredita estar baseada no Leste Europeu. O grupo ameaçou divulgar dados de pacientes a menos que recebesse um resgate de US$ 700.000.
Semanas depois, o governo afirmou que o Irã estava por trás do ataque.
Fonte: Revista Bras.il a partir de The Times of Israel
Foto: Wikimedia Commons

