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Irã exige imunidade para o Hezbollah e os Houthis

As negociações entre os Estados Unidos e o Irã ainda não começaram, devido a acusações em Teerã de que a proposta de Washington para negociações é uma armadilha para uma possível invasão terrestre. Mesmo assim, os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra estão se intensificando.

Os ministros do Exterior do Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito se reuniram no domingo em Islamabad como parte dos esforços de mediação. Autoridades familiarizadas com as discussões disseram à Reuters que as conversas se concentraram em maneiras de reabrir o Estreito de Ormuz, uma via navegável estratégica por onde passa cerca de um quinto do fornecimento global de petróleo e gás e que o Irã efetivamente bloqueou durante a guerra.

O Paquistão surgiu, nos últimos dias, como um intermediário fundamental nos contatos indiretos entre Washington e Teerã, alavancando seus laços com ambos os lados. Foi o Paquistão que entregou ao Irã o plano de 15 pontos do governo Trump, que inclui exigências que Teerã considera inaceitáveis, como a proibição do enriquecimento de urânio, a limitação de seu programa de mísseis e o fim do apoio a organizações terroristas e milícias em todo o Oriente Médio.

Autoridades iranianas expressaram suspeitas de que a proposta seja um engodo, apontando para um reforço militar dos EUA na região e para relatos de possíveis operações terrestres, incluindo uma possível ação para tomar a Ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo do Irã, a fim de forçar Teerã a reabrir o estreito.

Segundo cinco autoridades familiarizadas com as negociações, as propostas discutidas em Islamabad incluíam planos submetidos a Washington para a reabertura do Estreito de Ormuz. Uma autoridade paquistanesa afirmou que o Egito apresentou ideias que permitiriam ao Irã cobrar taxas de trânsito de navios, semelhante ao modelo do Canal de Suez.

Irã tem insistido, nos últimos dias, que os acordos pós-guerra em Ormuz não devem retornar ao status quo, buscando o direito de cobrar taxas de petroleiros e outras embarcações que transitam pelo estreito. A Arábia Saudita se opôs veementemente a tais propostas, temendo que elas consolidem o domínio iraniano a longo prazo sobre a hidrovia.

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Outras propostas discutidas incluíram a criação de um consórcio regional, potencialmente envolvendo Turquia, Egito e Arábia Saudita, para gerenciar o tráfego de petróleo pelo estreito. Autoridades paquistanesas disseram que a ideia foi levantada tanto com Washington quanto com Teerã.

Segundo fontes oficiais citadas pelo The Wall Street Journal, a Arábia Saudita enfatizou que qualquer acordo deve incluir “garantias inabaláveis” que restrinjam as capacidades de mísseis balísticos do Irã e ponham fim ao seu apoio a grupos terroristas e milícias na região.

O Irã, contudo, rejeitou qualquer negociação sobre seu programa de mísseis. Mais importante ainda, autoridades iranianas exigiram que qualquer acordo incluísse garantias de que seus aliados regionais, incluindo o Hezbollah e os Houthis, não seriam alvos dos Estados Unidos ou de Israel.

Os mediadores expressaram pessimismo quanto às chances de se chegar a um cessar-fogo, afirmando que as perspectivas permanecem baixas enquanto ambos os lados mantiverem exigências que o outro considera inaceitáveis.

Os esforços diplomáticos estão sendo realizados no prazo estabelecido pelo presidente Donald Trump, que ameaçou atacar a infraestrutura energética iraniana caso Teerã não reabra o Estreito de Ormuz. O ultimato, já prorrogado duas vezes para permitir negociações, expira em 6 de abril.

Por enquanto, não há sinais por parte de Teerã de que o país esteja disposto a fazer concessões ou mesmo a iniciar negociações formais.

O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, emitiu um alerta desafiador no domingo, afirmando que, enquanto os Estados Unidos falam publicamente sobre negociações, estão secretamente preparando um ataque terrestre.

Segundo ele, as forças iranianas estão “aguardando a chegada das tropas americanas em solo iraniano para incendiá-las e punir seus parceiros regionais para sempre”.

Fonte: Revista Bras.il a partir de Ynet
Foto: Muammer Tan (Turkish Foreign Ministry), via Reuters. Da esquerda para a direita: os ministros do Exterior da Arábia Saudita, Faisal bin Farhan, da Turquia, Hakan Fidan, do Paquistão, Ishaq Dar, e do Egito, Badr Abdelatty.

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