Irã x EUA ainda na espera
Por David S. Moran
Esta semana o mundo todo permaneceu focado em se e quando as Forças Armadas americanas atacarão o Irã. As notícias foram controversas. De um lado, o secretário de Estado, Marco Rubio e o secretário da Defesa Pete Hegseth, são a favor de ação militar e, do outro, os principais conselheiros do Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff são a favor de mais negociações diplomáticas. Aliás, Rubio chegaria a Israel hoje (27/02), mas devido a situação, sua viagem foi adiada para a próxima segunda-feira (02/03).
Os favoráveis ao ataque veem nesta operação uma oportunidade não só de eliminar o perigo nuclear do Irã, ou os mísseis balísticos, nas também oportunidade de mudar o regime radical clerical para um regime mais democrático e liberal.
Enquanto isto, o exército americano está engrossando suas fileiras, com o segundo porta-aviões, Gerald Ford, já próximo de Haifa e dezenas de aviões postos de prontidão na Jordânia, Bahrein, Catar e Arábia Saudita. Na terça (24/02) aterrissaram num aeroporto no Neguev 12 caças F22. A coalizão que os EUA conseguiram formar não é pequena, inclui países árabes, do Golfo Pérsico, Jordânia, Egito, Arábia Saudita, Grécia, Chipre, Inglaterra e Israel. Esta cooperação é nos dados dos Serviços de Inteligência, logístico e nas baterias de defesa, além da legitimidade internacional que os EUA terão se e quando atacarem o Irã. A armada que os EUA têm formado inclui dois porta aviões, 11 destroieres, submarino nuclear, centenas de caças e aviões de carga, combate eletrônico, reabastecimento e baterias antiaéreas Patriot e THAAD.
0 presidente Trump não puxa o gatilho como no faroeste, mas declara ao mesmo tempo (24/02) que não permitirá que o país número 1 em financiamento do terror no mundo, obtenha arma nuclear. Até Witkoff que quer dar mais chance a negociações diplomáticas disse no fim de semana à rede Fox: “O presidente está frustrado com os iranianos e está curioso, porque eles não se rendem. Isto demonstra que ele ainda não entende com quem negocia e a mentalidade deles. O fanatismo religioso e a honra deles não lhes permite se render, mesmo que a coalizão formada pelos EUA destrua o Irã”.
Eles são bons negociadores e se, antes, o próprio Trump dizia que suas linhas vermelhas são zero enriquecimento de urânio, destruição dos mísseis balísticos, abandonar suas proxies e não agir contra os manifestantes, agora Trump só menciona o urânio enriquecido. Isto mesmo sabendo que o Irã pode enriquecer urânio e produzir bomba atômica em uma semana e que seus mísseis balísticos e os que receberá da China podem alcançar a Europa e eventualmente os EUA.
Enquanto os tambores de guerra soam cada dia mais alto, na quinta-feira(26/02) aconteceu mais uma rodada de negociação entre o Irã e os EUA, na residência do embaixador de Omã em Genebra. Antes mesmo da reunião, a posição apresentada pelo Irã, mostrava que o país estaria disposto a mais controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), nas recusa-se a parar o enriquecimento de urânio. O presidente Trump já disse numa conversa, que a liderança iraniana está “blefando”. A AIEA também não tem confiança nas negociações com o Irã.
Tudo já está preparado para um possível ataque dos EUA no Irã e também dentro do Irã com as manifestações estudantis, só falta o líder máximo do exército americano dar as ordens mas, a cada vez, ele adia. Como ele diz: “we will see what happens” (“vamos ver o que acontece”).
Foto: Public Domain Pictures
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