Jaialim del Assado: uma missão de amor
Por Marcia Cherman Sasson, editora da Revista Bras.il
Ontem, eu e meu marido Daniel vivenciamos uma experiência incrível. Junto com um grupo de latino-americanos – argentinos e uruguaios – voluntários da ONG “Jaialim del Assado”. Fomos até uma base do Exército para preparar churrasco para os soldados.
Eram 120 soldados. 120 meninas e meninos que carregam uma responsabilidade grande demais para ombros tão jovens.
Quando chegamos, fomos recebidos por sorrisos tímidos, olhares cansados e uma alegria que parecia querer esconder o peso dos dias difíceis. Enquanto arrumávamos as mesas, preparávamos as saladas, o humus e as carnes, percebemos que os soldados demonstravam gratidão imensa e abriram espaço para breves momentos de descontração durante a refeição.
Pequenos gestos, como risadas e conversas informais, contrastavam com a realidade de tensão que faz parte da rotina na base.
Foi emocionante ver aqueles jovens se aproximando, rindo, agradecendo, brincando entre si como se, por alguns minutos, a guerra não existisse.
Mas lá estavam eles, alguns fumando, outros conversando, outros ainda limpando suas armas para as batalhas que se aproximam. Jovens que poderiam estar em casa com suas famílias, estudando ou trabalhando, com seus sonhos, seus planos ainda por viver… e, no entanto, estavam ali, de uniforme, defendendo sua pátria, seus país. Mobilizados em suas funções, cumprindo uma missão que exige maturidade precoce, coragem diária e resiliência constante.
Foi difícil entender, naquele instante, o peso da liberdade e o preço da coragem.
Ao final recebemos sorrisos largos, abraços sinceros, olhares agradecidos e um reconhecimento silencioso pelo gesto de solidariedade.
A experiência evidenciou não apenas a importância de ações civis de apoio aos que estão na linha de frente desta guerra, mas também o impacto humano do conflito sobre jovens que assumem responsabilidade extrema em um curto espaço de tempo.
Senti um orgulho imenso desses jovens que salvam vidas enquanto arriscam as suas próprias.
O grupo de voluntário Jaialim del Assado surgiu de uma pequena ideia: permitir que um pai abraçasse seu filho após quase um mês sem vê-lo, desde o início da guerra.
Como não podia visitá-lo na base ou pedir para que ele viesse para casa, um grupo de amigos resolveu perguntar às autoridades das FDI se poderiam ir à base preparar um churrasco para os soldados. A solicitação foi aceita, o churrasco foi feito, o pai abraçou seu filho e a partir deste evento, em 5 de novembro de 2023, o grupo decidiu continuar e fazer mais.
“Percebemos que fazíamos muito mais do que churrascos. Recebemos sorrisos, abraços e agradecimentos dos soldados, e entendemos que estávamos fazendo o bem para os nossos heróis. Entendemos que tínhamos o compromisso e o caminho para concretizá-lo” diz um dos idealizadores do grupo.

Com o passar dos meses, o grupo se tornou uma ONG formada por voluntários, em sua maioria latinos, diversos em religião, nacionalidade e religiosidade.
O grupo percebeu como era importante levar um pouco de aconchego a esses soldados. “Alimentar é uma das formas mais primitivas de demonstrar amor; fazemos isso da maneira que sabemos… sabemos assar carne” diz um outro voluntário, conhecedor da arte de fazer um bom churrasco.
Os Jaialim del Assado contam hoje com uma equipe de mais de 200 voluntários permanentes que ajudam a organizar todos os churrascos, dedicando seu tempo organizando o material, fazendo as compras, coordenando o grupo, falando com os responsáveis das bases ou planejando o trabalho.
Os voluntários são, em sua maioria latinos que vivem em Israel, mas muitas vezes os eventos agregam turistas ou delegações estrangeiras, que atravessam oceanos para participar de trabalhos voluntários.
Como acontece o evento
“Chegamos às bases, com nossas grelhas, carvão, carne casher, saladas, pitot e bebidas, encontramos um pequeno lugar e começamos… Acendemos o fogo, grelhamos a carne e a mágica acontece” conta um dos responsáveis pela ONG. “Os soldados começam a entender que naquela carne assada está a mensagem de que ‘eles são nossos heróis’, ‘obrigado por nos defenderem’, ‘continuem cuidando de nós’, ‘obrigado por garantirem a segurança a nossa segurança e a de todos’. Nos tornamos a voz de cada um daqueles que querem dizer a eles: ‘Obrigado, vocês não estão sozinhos’. Naquela carne está o abraço simbólico de cada um de nós aos nossos soldados. Eles merecem tudo e muito mais”.
Os churrascos são realizados com doações que a ONG recebe de diferentes pessoas, instituições e grupos de amigos.
Para doar entre no site https://my.israelgives.org/en/fundme/jda


