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O teimoso regime iraniano não se rende

Por David S. Moran

O que todos estavam prevendo, de fato aconteceu. Na véspera de Pessach (a Páscoa judaica), o Irã intensificou seu ataque contra Israel. Acordamos de manhã da quarta-feira (01/04) e, das 7:30h até as 10:00h, tivemos que correr ao abrigo quatro vezes, para nos proteger contra os mísseis que vinham conjuntamente do Irã, do Hezbollah do Líbano e dos Huthis do Iêmen. A população foi advertida de que o Irã poderia intensificar seus ataques, com suas proxies, o que, de fato, fez. Quando íamos sentar para o Seder, o jantar festivo, novamente o alarme soou e, desta vez, enquanto estávamos no bunker, seis vezes seguidos tocou. A população adjacente à fronteira do Líbano, sente mais esta pressão. Felizmente, tudo acabou sem vítimas e só com perdas materiais.

Trump, como Trump, continua dizer e contradizer o que disse. Há alguns dias disse: “os líderes do Irã estão suplicando para chegar a um acordo. Eles já foram exterminados militarmente, eles cometem erro quando dizem que estudam nossa oferta”. Os EUA concentram soldados para agir no Irã, além de atuar por meios aéreos. Isto seria para abrir o Estreito de Ormuz, importante via marítima para o petróleo. No dia seguinte, Trump falou e deixou de lado este tópico importante. “Os iranianos são muito espertos, mas péssimos combatentes, eles deviam fazer um acordo há um mês ou a dois anos”. Já no domingo (29/03), disse a MBS, da Arábia Saudita: “Acabamos com o Irã, lhes tiramos do jogo. Agora temos que entrar nos Acordos de Abrão”. Disse isto diz ao governante de um país que sofre ataques do Irã.

O Irã, na sua teimosia, continua com o bloqueio no Estreito de Ormuz, exige parar a “agressão terrorista dos inimigos” e também indenização pela destruição que a guerra causou. Os dois lados mostram antagonismo. Trump é otimista e o Irã é pessimista, mas eles continuam a negociar em Islamabad, Paquistão. Lá, intermediam os ministros do exterior da Arábia Saudita, Turquia, Egito e Paquistão.

Uma coisa é certa: O Irã quase parou de alvejar os países do Golfo. Enquanto Trump fala de cessar fogo em um mês ou menos, as Forças de Defesa de Israel (Tsahal-FDI) apressam seus ataques contra alvos militares iranianos, antes que lhe pressionem para parar.

Israel e os países do Golfo apresentaram a Washington a mesma posição: o Irã tem que cumprir todas as exigências americanas, antes de assinar um acordo de cessar fogo. Isto é, a) fechar o projeto nuclear; b) severas limitações ao projeto de mísseis; c) se comprometer a parar as hostilidades militares contra os países do Golfo, inclusive de suas proxies (eles temem que o Irã queira se vingar deles); d) livre trânsito no Estreito de Ormuz. Apesar de as forças dos EUA e de Israel lutarem no Irã, os países do Golfo (Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Emirados árabes Unidos e Jordânia, que sofreram ataques do Irã), fora discursos, não moveram um dedo no gatilho contra o agressor.

No sábado (28/03) os Huthis do Iêmen entraram na guerra lançando dois mísseis em direção a Israel. Um caiu antes de chegar e o outro foi abatido. Trump incumbiu o seu vice, JD Vance, de negociar com os iranianos o cessar fogo. Ele poderá ceder pois, já de antemão, estava contra a guerra com o Irã. Sua missão demonstra que o Trump está ansioso para terminar a guerra. De qualquer jeito, terá que fazê-lo antes de 11 de junho, quando começa a Copa do Mundo nos EUA, México e Canadá. JD Vance declarou, no sábado (28/03), que “todos os objetivos que tínhamos na guerra foram alcançados”. É mais do que estranho, pois nenhum objetivo foi alcançado. O projeto nuclear não foi desmantelado e o Irã ainda esconde os 440 kg de urânio enriquecido. O governo não mudou, talvez até tenha piorado. Os aiatolás perderam sua força e quem manda é a Guarda Revolucionária, mais radical ainda.

Para piorar ainda mais a situação, o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial, fato que fez o seu preço subir, e muito. Com a entrada do proxy Houthi, do Iêmen, há a ameaça de que eles bloqueiem também o Estreito de Bab al Mandeb, na entrada do Mar Vermelho, e aí piora inda mais a situação. Aí passam 12% do petróleo e 10% de todos os bens mundiais.

O Irã, conhecido negociante, tenta convencer Trump a deixar que companhias americanas atuem no país. O Irã quer que mais petróleo passe pelo Estreito de Ormuz, que em janeiro (antes da guerra) lhe rendou 3 bilhões de dólares. Agora, o Irã sofre economicamente. Os funcionários públicos não receberam seus salários, a inflação é de 120% anuais, a moeda local, totalmente desvalorizada (é de 1,3 milhões de Rial por dólar americano). Udi Levi, que foi Diretor do Departamento de Combate Econômico no Mossad, disse há muito que devíamos combater a lavagem de dinheiro e os bens que o Irã tem no mundo e são bilhões de dólares. Só assim eliminaremos este regime. Ele financia suas proxies e agentes no exterior com estes bilhões. Como exemplo, posso citar a companhia Seven Seas for International and Logisticsj de Vancouver, Canadá, e dirigida pelo Catar, que através de homens de negócios passou centenas de milhões para as atividades do Hezbollah e assim por diante.

Trump fala com a imprensa o tempo todo e não teme perguntas. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, só fala ao povo em gravações e não com a imprensa, talvez, por temer as perguntas Na foto, a fala de Netanyahu previamente gravada. Diz de que “Israel está mais forte do que nunca… batemos no Irã e o destruímos”, enquanto se lê na tela “Alarmes sem parar no norte do país” e ao lado, as localidades que têm que entrar nos abrigos. Lista parcial.

O Ocidente não consegue entender a mentalidade islâmica e do povo que está sob este regime e que teme sair para protestar nas ruas, sabendo que poderá ser morto. O regime iraniano não se importa com sua população e a morte pelo ideal islâmico é divino (Shahid-mártir). O regime iraniano não tem que se importar com eleições (está no poder há 47 anos), enquanto Trump e Netanyahu têm que olhar também como a população recebe e aceita a guerra e suas consequências nas próximas eleições.

Na quarta-feira (01/04), Trump falou a nação: “Temos vitórias no campo de batalhas e isto aproxima o fim da guerra, eles não têm mais força aérea e nem Marinha… bateremos mais duas ou três semanas”. Pediu coragem aos países que recebem petróleo através do Estreito de Ormuz para fazer algo para abrir o bloqueio. “Nós não precisamos do petróleo do Oriente Médio e nem precisamos estar lá. Estamos lá para ajudar os nossos aliados… não podemos deixar que Irã obtenha o poder nuclear. Estamos próximos de finalizar nosso trabalho no Irã e seu regime não poderá ameaçar os Estados Unidos”.

Se o atual regime não cair, é só questão de tempo até que se recupere e aí, novamente, ameaçar Israel e os países do Golfo Pérsico. Isto foi também demonstrado com a rápida recuperação do Hezbollah no Líbano, que Israel pensava ter destruído e o mesmo com o Hamas, que ainda governa a Faixa de Gaza.

Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam necessariamente a opinião da Revista Bras.il.

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