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Países do Golfo e Israel, continuem a guerra

Por David S. Moran

A guerra que o Irã impôs aos Estados Unidos e Israel, já está no seu 13º dia e vai se intensificando.

Nos últimos dias, nós que moramos no centro de Israel temos tido alertados no celular para nos preparar para ir ao abrigo antiaéreo. Às vezes, o alerta não é seguido por alarme pois a direção do míssil mudou para um outro lado. O perigo está também nos fragmentos do míssil, ou nos mísseis que o Irã envia que são misseis com inúmeras pequenas bombas que se espalham no ar para provocar maior estrago, ou vidas humanas. As baterias antiaéreas de Israel tentam (e conseguem) abatê-los ante de chegar ao destino, mas os estilhaços que caem fazem estragos.

No momento em que comecei a escrever (quinta-feira à tarde), soou o alarme depois do alerta e ficamos no bunker uns 15 minutos. Durante a noite, fomos acordados três ou quatro vezes (quem conta).

É que o Hezbollah, proxy dos aiatolás, entrou na guerra e os seus mísseis e drones com bombas, vêm de perto, do Líbano e a população do norte do país sofre suas consequências.

Israel e os Estados Unidos lutam conjuntamente e intensificam os ataques, evitando ao máximo causar danos entre os civis, não envolvidos. Mas, ao mesmo tempo, diga-se a verdade, o Irã não se amedronta e contra-ataca intensamente.

Logo no início deste círculo de violências, o Irã atacou seus vizinhos árabes e muçulmanos e alguns como Catar, seu aliado. Em seguida, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu desculpas. Mas foi da boca para fora. Tanto é que, na quinta-feira (12/03), o eleito líder supremo, Mojtaba Khamenei (que foi ferido junto com seu pai e desde o primeiro dia não foi visto), emitiu um comunicado, lido por locutora de guerra para lugares que “vocês nem pensam” e advertindo os países do Golfo para retirar as bases militares americanas do seu território. Mesmo estando na lona, o radicalismo, o fanatismo estão falando. Para os muçulmanos, morrer é se tornar shahid, mártir.

Ao contrário do Ocidente e das democracias que querem o voto popular e por isso querem terminar as guerras, mesmo as mais justas, antes de as terminar, o regime ditatorial do Irã tem tempo e não pressa.

Evidentemente que um regime não cai só pelo emprego das forças armadas, principalmente se é a Força Aérea, mas a população iraniana ainda não se juntou à luta. Tem medo da Guarda Revolucionária e da Basij, que estão com as armas na mão. Um governo só poderá cair se seus comandantes se rebelarem e desertarem.

Trump está com dias curtos. No dia 29 deste mês, deve viajar a China e está ciente dos opositores da guerra que votarão em novembro para o congresso. Para mostrar sua perseverança, dois barcos iranianos fizeram explodir petroleiros junto às costas do Iraque. Israel é a baluarte do mundo Ocidental ante o fanatismo islâmico no Ocidente.

O presidente Trump fez muito por Israel, mas é um homem imprevisível. Pode mudar de opinião e ação de um momento para o outro, sem terminar o trabalho. Trump gosta é do Trump. Dos outros, enquanto têm os mesmos interesses. Quando acha que não tem mais, pode se distanciar rapidamente.

Os países do Golfo temem o Irã e gostariam que Trump (e Israel) terminassem o “job” para trocar o regime no Irã. Se isto não ocorrer, continuarão vivendo sob ameaças, o que não querem. O perigo nuclear ainda paira. Tanto é que, na quinta-feira, forte bombardeio com mísseis que penetram profundamente, novamente foram lançados em locais que se supõe encontram-se os 440 kg de urânio enriquecido em 60%.

Foto: TV exibe lista de lugares onde está soando a sirene, orientando os habitantes a entrarem no abrigo

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