Teerã endurece posição sobre proposta dos EUA
Autoridades iranianas receberam friamente, na quarta-feira, a proposta dos EUA para um cessar-fogo, enquanto a Casa Branca alertou Teerã de que o país seria duramente atingido caso não aceitasse a oferta para pôr fim ao conflito.
Um alto funcionário do governo do Irã disse à emissora Press TV que a guerra só terminará “nos termos e no cronograma de Teerã”, enquanto outro alto funcionário iraniano foi menos enfático, declarando à Reuters que a resposta inicial do Irã à proposta dos EUA para encerrar a guerra não foi “positiva” e acrescentando que Teerã ainda está analisando a proposta.
A fonte oficial que falou à Reuters disse que a resposta oficial de Teerã à proposta de 15 pontos do presidente Trump foi enviada por meio de seu mediador, o Paquistão, para ser transmitida a Washington.
Segundo o The New York Times, citando fontes anônimas, o plano americano de 15 pontos aborda os controversos programas nucleares e de mísseis do Irã, bem como as “rotas marítimas”.
O funcionário que falou à Press TV apresentou cinco condições iranianas: o reconhecimento do “direito natural e legal” de Teerã sobre o Estreito de Ormuz, o fim da guerra contra o Irã e todos os seus aliados, reparações de guerra “garantidas”, garantias concretas para impedir a retomada das hostilidades, e “o fim da agressão do inimigo”.
O Irã também teria exigido o fechamento de todas as bases americanas na região e a remoção de todas as sanções contra o país, além de rejeitar limitações ao seu programa de mísseis.
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O ministro do Exterior do Irã, Abbas Araghchi (foto), afirmou na quarta-feira que a proposta dos EUA para encerrar a guerra estava sendo analisada pelas principais autoridades em Teerã, mas que a troca de mensagens por meio de mediadores “não significa negociações com os EUA”.
“No momento, nossa política é a continuação da resistência”, disse Araghchi na TV estatal, acrescentando: “Não pretendemos negociar. Até agora, nenhuma negociação ocorreu, e acredito que nossa posição é totalmente baseada em princípios”. “Falar em negociações agora é admitir a derrota”, disse ele, referindo-se à proposta dos EUA.
Entretanto, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou que as negociações com o Irã tivessem chegado a um impasse após a resposta das autoridades iranianas. “As negociações continuam. Elas são produtivas… e continuam”, disse Leavitt durante uma coletiva de imprensa, na quarta-feira.
Ela prosseguiu alertando contra reportagens da mídia que supostamente revelavam a proposta americana de 15 pontos: “Há elementos de verdade nisso, mas algumas das histórias que li não eram inteiramente factuais”.
Leavitt lembrou a decisão de Trump de adiar sua ameaça de bombardear usinas de energia iranianas, depois que “ficou claro para os Estados Unidos que o Irã queria conversar. O presidente Trump está disposto a ouvir”.
“Os elementos remanescentes do regime iraniano têm mais uma oportunidade de cooperar com o presidente Trump, abandonar permanentemente suas ambições nucleares e parar de ameaçar ativamente os Estados Unidos e nossos aliados”, disse Leavitt.
“Se o Irã não entender que foi derrotado militarmente e que continuará sendo, o presidente Trump garantirá que seja atingido com mais força do que jamais foi”, acrescentou ela.
Nos últimos dias, Trump tem afirmado repetidamente que houve progresso nas negociações com o Irã, mesmo com Teerã negando que quaisquer negociações formais estivessem em andamento. No entanto, surgiram sinais crescentes de esforços diplomáticos incipientes, com mediadores na região afirmando que o trabalho continua nos bastidores para transmitir mensagens.
“Há esperança, mas é cedo demais para sermos otimistas”, disse uma fonte diplomática na região, que pediu anonimato para discutir assuntos delicados. Ambos os lados precisam ser capazes de recuar sem perder a face, observou a fonte.
O jornal The New York Times noticiou na quarta-feira que Israel está intensificando seus ataques aéreos contra o Irã em meio a temores de que Trump possa declarar um cessar-fogo repentinamente, interrompendo a guerra. E, de acordo com o Canal 12, autoridades israelenses temem que o fim da guerra possa ocorrer já neste sábado e, por isso, elaboraram um plano priorizando alvos no Irã.
Teerã bloqueou em grande parte a vital rota petrolífera do Estreito de Ormuz em retaliação aos ataques israelenses e americanos, elevando os preços globais da energia.
Ao tentar explicar sua decisão de buscar negociações com o Irã, Trump disse a repórteres, na terça-feira, que Teerã “fez algo incrível ontem, eles nos deram um presente… no valor de uma quantia enorme de dinheiro… chegou hoje”.
Esse “presente” foi permitir a passagem segura de vários navios-tanque de combustível pelo Estreito de Ormuz nos últimos dias, disseram ao The Times of Israel um alto diplomata árabe e um funcionário americano.
Entretanto, o embaixador britânico em Israel, Simon Walters, afirmou que o Reino Unido está discutindo planos com parceiros globais para garantir o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, após relatos de que Londres planeja liderar uma coalizão para a reabertura do estreito em meio aos esforços do Irã para bloqueá-lo.
O Reino Unido está “trabalhando em estreita colaboração com parceiros internacionais para desenvolver um plano viável para salvaguardar a navegação internacional no Estreito de Ormuz”, disse Walters a repórteres israelenses em Tel Aviv. O embaixador não comentou as notícias nem acrescentou mais detalhes sobre os planos do Reino Unido.
Um analista da TV estatal iraniana afirmou na quarta-feira que o país poderia tomar territórios do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos caso os EUA “cometerem algum erro”. “As forças do Irã estão totalmente preparadas”, disse Morteza Simiyari à emissora estatal iraniana. “Se os americanos cometerem algum erro na região, tomaremos o litoral do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos”.
O exército treinou para a operação, disse ele, e tomar o controle do litoral “está na agenda de nossas forças armadas”. Se o Irã tentasse uma operação desse tipo, estaria praticamente sem cobertura aérea ou navios de guerra.
Uma fonte militar iraniana disse à agência Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que uma nova frente poderia ser aberta no Estreito de Bab el-Mandeb caso os EUA tentem abrir o Estreito de Ormuz à força, informou o veículo de oposição Iran International.
Fonte: Revista Bras.il a partir de The Times of Israel
Foto: Hamed Malekpour (Wikimedia Commons). Abbas Araghchi, 2019

