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Trump quer mudar o mundo: muito blá, blá, blá

Por David S. Moran

O presidente americano está muito em voga na mídia mundial. Declarou que acabou oito guerras pelo mundo e ainda não se vê esta ação. A guerra da Rússia contra Ucrânia segue custando a vida de muita gente de ambos os lados. A guerra contra o Irã, foi de fala alta e os manifestantes esperaram a ajuda americana para derrubar o seu governo radical. Trump continuou com declarações e deslocou o porta-aviões Abraham Lincoln para o Golfo Pérsico, mas continuou falar em voz baixa. Por enquanto, sem ação.

Os EUA têm bases militares em Al Udeid, Catar, base da marinha no Bahrein e outras bases militares na Arábia Saudita, Emirados Árabe Unidos, Jordânia e uma gigante base na Turquia. Sua aliada, a Inglaterra, tem base no Chipre. Israel está fora de tudo isto. Isto não altera nada para os governantes iranianos ameaçarem como retaliação, se os EUA o atacarem, de atacar Israel, Arábia Saudita, Turquia e Catar. O “tigre de papel” Khameni chamou Trump de “criminoso”. O troco do Trump foi dizer que é necessário trocar este governo iraniano que destruiu o país. Até o momento, ninguém tem dados certos do número de mortos e feridos que participaram dos protestos. Sabe-se que são muitos milhares e com a internet fora do ar, só se sabe que as demonstrações estão cada vez mais fracas. Nenhuma ajuda de fora. Até o procurador-geral do Irã, zombou da fala de Trump de que o processo de matar 834 iranianos foi parado por sua insistência e disse: “Trump sempre fala besteira, sem base e está errado”.

Quanto a Gaza, Trump vai em frente sem levar em consideração o seu aliado Netanyahu. Este disse que não vamos a Fase 2, sem a volta do último sequestrado, o herói policial, Ran Gvili. Netanyahu também impôs o total desarmamento do Hamas e sua saída do governo. Trump ouviu e segue em frente. Na segunda-feira (26/01) a passagem de Rafah será reaberta para os dois lados: do Egito para Gaza e vice-versa.

Em Davos, Trump exigiu que o Hamas entregue as armas, mas os patronos desta organização terrorista, o Catar e a Turquia e outros países, não mencionaram esta imposição. O Hamas, evidentemente, tem suas exigências, apesar de que já concordou com americanos e assinou que entregaria as armas. As exigências do Hamas – contrariando o acordo: deixar os seus ativistas que quiserem continuar no novo governo; juntar às novas forças de palestinos da OLP, treinados no Egito, centenas de policiais da Hamas; direito de permanecer como partido político; e proteção aos seus líderes para não serem atacados por Israel.

Os EUA continuam a todo vapor. Na sexta-feira (16/01), Trump anunciou que três órgãos governarão e fiscalizarão a Faixa de Gaza. A Comissão Nacional de Governo de Gaza (NCAG), com sede no Cairo, terá 15 “ministros” palestinos que já serviram na Autoridade Palestina. O Conselho de Paz, encabeçado por Trump e membros como o Rubio, Witkoff, Kushner, Tony Blair e outros. E o Conselho Administrativo que fiscalizará as atividades dos 15 “ministros” e a reconstrução de Gaza. O governo israelense é contrário a participação do Catar e da Turquia (considerados países inimigos) e do envio de tropas destes países e de policiais palestinos e do Hamas. Como dito, Trump ouviu e segue em frente. Ante a oposição de Israel, o governo americano alega que os israelenses sabiam destes órgãos e não tiveram objeções. Israel só se manifestou contrário, quando isto foi publicado e para satisfazer oposição da direita israelense. Trump que se diz amigo do ditador turco Erdogan e do emir de Catar, Tamim al Hamad al Thani, desconsiderou a oposição de Netanyahu. Interesses e dinheiro falam mais alto.

Outro assunto de Trump é sua vontade de engolir a Groenlândia para dentro dos EUA, mesmo sofrendo oposição europeia. Diante desta postura, Trump ameaçou impor impostos sobre produtos europeus que cheguem aos EUA. Foi mais violento com o francês Macron e ameaçou colocar 200% de taxas sobre champanha e vinhos franceses. Nem passaram os dias e Trump voltou atrás e na quinta-feira (22/01) disse que chegou a acordo com os europeus (sem mencionar que acordo) e não colocará taxas nos seus produtos.

O presidente Trump que se acha o tal (vale a pena ler o texto de sua fala em Davos, dia 21/01) é presidente da maior potência mundial, mas ameaças e falas sem intenção de concretizar o que diz fazem com que perca sua credibilidade. Ele está no segundo mandato e só terminou o primeiro ano (tem mais três pela frente). É melhor ele se cuidar para “manter América Grande de Novo”.

Foto: Fórum Econômico Mundial (Flickr)

Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam necessariamente a opinião da Revista Bras.il.

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