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Últimas notícias da guerra

Por Mary Kirschbaum

Todos aqui possuem algum canal de notícias ao qual recorrer de tempos em tempos (cada vez menores), para se atualizar do que está se passando na guerra contra o Irã.

O povo israelense tornou-se hipervigilante. A hipervigilância emocional é um estado de alerta constante e exaustivo, onde o sistema nervoso monitora obsessivamente o ambiente e as emoções alheias como defesa. Caracteriza-se por tensão crônica, dificuldade em relaxar e a antecipação de ameaças ou conflitos.

Pois é. A galera aqui todinha está em alerta permanente. Cada um no seu grau de necessidade física ou psicológica e, às vezes, até sem perceber, estamos cada vez mais ligados nas notícias e a espera do próximo tiro, bomba, míssil, alarme, sei lá mais o que.

Nunca se esteve tão preocupado com as novas manchetes, “breaking news”, com a boca dos repórteres nos noticiários, quase que o dia todo, não conseguimos parar.

Mas, de verdade, não tem como parar. Necessitamos estar atentos. “É preciso estar atento e forte. Não temos tempo de temer a morte. Tudo é perigoso. Tudo é divino, maravilhoso”. Como diria Gal, na canção “Divino Maravilhoso”.

Maravilhoso?, só que não. Seria cômico, se não fosse trágico. Funcionamos na base do “pelo menos”. “Pelo menos eu dormi um pouco”, “Pelo menos deu pra ir até o trabalho sem sirene”, “Pelo menos já tenho alguns mantimentos e ainda não preciso ir ao mercado”, “Pelo menos deu pra tomar banho”. Eu diria até em relação às mulheres daqui, incluindo eu: “Pelo menos não estou com unhas descascadas de gel, necessitando ir à manicure para removê-las”. Rssss (entendedoras entenderão).

Sim! Mas o que me permite ser um pouco cômica e conseguir escrever estes textos em época de guerra aqui em Israel?

Porque nossa terra é sagrada, nosso povo é sagrado e não brincamos com vidas tanto quanto o resto do mundo e nas outras “seitas”. Isto quer dizer que, apesar dos pesares, nos sentimos protegidos. Temos aqui todas as formas de nos proteger. Nosso país gasta dinheiro com novas tecnologias para nos proteger. Cada dia se sabe de um novo aplicativo que nos ajuda a não levar os mísseis “diretamente” na nossa cabeça (na maioria das vezes). Novas tecnologias: nosso “Domo de ferro”, tão querido e invejado por aqueles que nos odeiam. Por nos invejarem, fazem com que, apesar de alertas e hipervigilantes o tempo todo, consigamos ser confiantes. Confiamos no nosso governo ou, para quem odeia o Bibi, em HaShem, ou na própria história do nosso estado, nosso povo, nossa resiliência e nossa tradição de vencermos a qualquer custo.

É isso. Siga-me para mais “BREAKING NEWS”.

Am Israel Chai!

Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam necessariamente a opinião da Revista Bras.il.

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