A hipocrisia mundial com respeito à China

Por David S. Moran

A hipocrisia mundial, inclusive da mídia, é tratar muitas vezes coisas supérfluas em detrimento de coisas muito importantes, envolvendo muitas pessoas e sem ninguém levantar um dedo para protestar ou conter atrocidades cometidas.

A China é o terceiro maior país do mundo (9,6 milhões de km²), com população de 1,4 bilhão. Os líderes do Partido Comunista chinês parecem ter muito apetite. Nas últimas semanas foi noticiado que encampam o território autônmo de Hong Kong e que suas forças travaram lutas contra as da Índia, por pequeno território em disputa. Sem falar no Tibete que foi invadido e anexado, em 1950, e teve como consequência a fuga do Dalai Lama da região. Outro território que a gigante China não abre mão é a Ilha de Taiwan. A China boicota os países que “ousam” reconhecer Taiwan como um Estado livre.

Não bastando estes fatos, aos poucos vazam informações da tortura e reeducação por que passam as pessoas da etnia Uighurus, cuja maioria vive na Província autônoma de Xinjiang, no noroeste da China. Os Uighurus são muçulmanos de origem turca, que falam um dialeto turco e contam com 10 milhões de pessoas, dos quais 80% vivem em Xinjiang, onde são quase a metade da população desta região.

De 2009 a 2014 terroristas uighurus realizaram vários atentados, matando pessoas a facadas. O governo chinês tornou-se mais agressivo e encarcerou milhões em “campos de nova educação”. Nestes os muçulmanos uighurus passaram torturas e tentativas que o governo fez de afastá-los de sua etnia e da religião muçulmana. Ao mesmo tempo, o governo tratou de locomover chineses para o Estado autônomo e contrabalançar a população local.

A médica Sayragul Sauytbay, de origem cazaque, deu testemunho raro do que se passa nos campos de reeducação. Ela era funcionária pública num hospital chinês, mesmo assim foi presa. Seu marido conseguiu fugir com seus dois filhos. “Em 16 m² viviam 20 pessoas, um balde de plástico servia de privada e cada prisioneiro tinha dois minutos por dia para usá-la. O balde era esvaziado uma vez por dia. Os prisioneiros tinham roupa uniforme (foto) e logo depois lhes cortavam os cabelos. O dia todo estavam algemados nas mãos e pernas”. A função dela era ensiná-los a língua chinesa e as canções da propaganda comunista. Todo dia tinham horas que deviam confessar seus pecados e se não inventassem algo sério eram castigados. Tinham três refeições diárias que incluía sopa de arroz, sem gosto, e pedaço de pão. Nas sextas (domingo dos muçulmanos) recebiam pedaço de carne de porco (proibido no islão) e quem recusava comer era punido. “Não dormíamos o suficiente e a higiene era terrível”. Passavam torturas no “quarto escuro”. Sayragul acredita que os presos passavam experiências médicas, recebiam desnecessariamente injeções e cápsulas. Alguns enfraqueciam mentalmente, mulheres não tiveram período e homens eram esterilizados. Há informações que também lhes usavam para tirar órgãos para transplantes. “As mulheres, principalmente as mais bonitas, eram levadas e estupradas a noite toda.”

Com as novas tecnologias, o governo chinês tem plena visão do que ocorre na província de Xinjiang, através da rede de câmeras espalhadas por toda parte com a tecnologia de reconhecer as caras que vê. Obriga a população local a reduzir a natalidade, destrói cemitérios de muçulmanos.

Até a Comissão dos Direitos Humanos da ONU em Genebra anunciou em 2018, que o governo chinês mantêm um milhão de uighurus em campos de reeducação secretos. Uma pessoa que conseguiu escapar de lá disse que não é reeducação, é de castigo e sofrimento. “Tratam-nos como se fossemos animais”.

Adrian Zenz, um especialista alemão em segurança, analisou documentos vazados da China e diz: “Confirmo que se trata de um tipo de genocídio cultural”. A China trata o islão como uma doença mental e os aprisionados passam lavagem cerebral.

Mesquita em Xinjiang

A região de Xinjiang, economicamente, passou de agricultura tradicional para industrial. Produz minérios, petróleo, gás e é parte do projeto chinês da “nova Rota da Seda”. Talvez isto explique o silêncio de países muçulmanos, que a China envolveu neste projeto em troca do seu silêncio às atrocidades cometidas na região contra muçulmanos. Em julho do ano passado, 22 países, principalmente europeus enviaram carta urgente sobre a situação em Xinjiang a ONU. Em contrapartida, outros 37 países expressaram apoio à China, entre eles Arábia Saudita, Síria, Kuwait e Bahrein. O Irã agora está se tornando grande parceiro da China e se apoia neste país na venda de petróleo e no apoio a seu programa nuclear. Talvez o único país que tomou ação contra a China foram os EUA, que faz boicote a certos produtos chineses e trava guerra econômica com a China comunista.

Parece que o mundo não aprende nada. Hoje há mais meios de comunicação e as informações passam rapidamente pelo mundo. Este mundo que prefere tapar os olhos, incentivar negócios e não ligar para o sofrimento humano. Com exceção de países que têm que se defender e que não têm força para retalhar as mentiras, como o exemplo de Israel.

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