ONU: Corrupção na Agência de Assistência Humanitária

Um relatório da Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Médio (UNRWA) – uma organização de assistência humanitária para cuidados de saúde, serviços sociais, de educação e ajuda de emergência aos refugiados palestinos que vivem na Faixa de Gaza, Cisjordânia, Jordânia, Líbano e Síria – denuncia o abuso de autoridade, má gestão e corrupção cometidos no mais alto nível hierárquico, em plena crise financeira da organização.

O relatório elaborado pelo Departamento de Ética da UNRWA e publicado pelo canal Qatari Al Jazeera, acusa seu comissário geral, o suíço Pierre Krahenbuhl, e seu círculo fechado de “abuso de autoridade para obter ganhos pessoais, suprimir a dissidência legítima e alcançar seus objetivos pessoais por outros meios.”

O relatório sugere que o “círculo interno” é formado por Pierre Krahenbuhl, a vice-comissária geral Sandra Mitchell, que renunciou em julho passado, o chefe-executivo Hakam Shahwan, que deixou a agência também em julho, e a conselheira da comissaria geral, María Mohammedi.

O relatório argumenta que o comportamento dessas autoridades representa “um enorme risco para a reputação da ONU” e que “sua saída imediata” da organização, que em 2017 tinha um orçamento de mais de 900 milhões de dólares, deve ser cuidadosamente considerada.

O relatório denuncia uma “crescente falta de conformidade com as regras da agência e procedimentos estabelecidos”. O resultado é um gerenciamento “altamente disfuncional”.

Entre outras coisas, a publicação na Al Jazeera também indica que o comissário geral da UNRWA levou Maria Mohammedi com ele em várias viagens desde 2014 e expressou um “interesse particular” por ela. Até mesmo Krahenbuhl designou-a como “assessora sênior” em fevereiro de 2015.

Al Jazeera disse que várias pessoas na equipe da UNRWA disseram que a relação entre eles, Krahenbuhl e Mohammedi, foi além do profissional.

O relatório também indicava que Krahenbuhl estava ausente de seu escritório em Jerusalém alegando “viagens de trabalho … por 28 a 29 dias por mês”.

De acordo com o relatório, a situação se deteriorou consideravelmente desde o início de 2018, coincidindo com a redução e finalmente com a suspensão do apoio do governo dos EUA à UNRWA.

A administração Trump reduziu significativamente sua contribuição para a agência da ONU em 2018, passando de uma contribuição anual de 360 milhões de dólares para 60 milhões e em agosto eles anunciaram que deixariam de enviar ajuda à UNRWA permanentemente.

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