Entramos na quarta semana e ainda sem decisão
Por David S. Moran
A guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã já está entrando na sua quarta semana e não se vê uma decisão que a encerre. O objetivo dos dois aliados é acabar com o poderio nuclear iraniano, destruir sua capacidade de fabricar mísseis de longo alcance, mudar o regime iraniano e cessar a ajuda a organizações terroristas, suas proxies.
O Irã está apanhando feio. Seu líder Ali Khamenei altas autoridades foram mortos na primeira investida e saíram de circulação. O filho de Khamenei, Mojtaba, que foi ferido na ocasião e que não tem títulos religiosos, além de ser cruel e filho de Ali, foi escolhido para suceder seu pai. Só que até o dia de hoje ele não foi visto e nem ouvido. Outros falam em seu nome.
Washington e Jerusalém estão empenhados na segunda fase dos combates, a fase do esmagamento. Milhares de alvos foram atacados e o Irã sofre bastante, mas ainda não levanta a bandeira branca. Aqui, vale a pena abrir um parêntesis e explicar algo da religião islâmica e principalmente de sua orientação xiita. Os xiitas são ainda mais radicais que os sunitas. Esta é a orientação do Irã. Eles têm um objetivo o de converter todos ao islã e, para tanto, não medem seus esforços, mesmo que lhes custe a vida. Pelo contrário, se morrem nesta luta, morrem como “shahid” (mártir). É difícil aos ocidentais entender este fanatismo, para nós irracional. Nós, no Ocidente, não conseguimos conceber este fanatismo ideológico religioso, que não leva em consideração o sofrimento de sua própria população. Sua morte em combate é esperada e adorada pelos fanáticos.
A terceira fase seria a fase da decisão. Esta é muito complexa. As autoridades que ainda falam em nome do regime clerical iraniano dizem que não iniciaram a guerra e que só eles vão determinar quando ela será encerrada. Ainda mais, dizem que uma das condições será o pagamento dos prejuízos que sofreu. Os iranianos, ajudados pelo proxy que é o Hezbollah, não param de lançar misseis balísticos (Irã) e foguetes e drones (Hezbollah), fazendo com que Israel entre nos abrigos quatro e cinco vezes por dia, mesmo de madrugada.
Na terça-feira (17/03) graças ao espetacular serviço de inteligência israelense e a estupenda precisão da Força Aérea, Israel eliminou o considerado homem forte do Irã, Ali Larijani, cruel e corrupto, num apartamento que o ocultava. Outros que foram eliminados em complexo de tendas que os ocultavam, são Raza Salimeni, chefe da Polícia interna (Basij) e seu vice. Um dia depois, Israel conseguiu eliminar o ministro da Inteligência, Ismail Khatib. Estas operações mostram a penetração do serviço de inteligência israelense no Irã, em tempo real e a plena e eficiente cooperação com a Força Aérea Israelense, que está o tempo todo sobrevoando o Irã mesmo distante mais de 1.500 km.
Até os jornalistas árabes estão elogiando o Serviço de Inteligência de Israel e, só para citar, um dos mais renomados no mundo árabe, Ahmed Mansour, jornalista da Al Jazeera (do Catar) disse: “a penetração do Serviço de Inteligência israelense dentro do regime iraniano não tem precedentes na história dos conflitos mundiais”. Ele deve ter esquecido que Ashraf Marwan, gênero do ex presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, era espião do Mossad e na véspera da Guerra do Yom Kipur avisou quando ela começaria.
Na quarta-feira (18/03) a IAF agiu pela primeira vez sobre o Mar Cáspio, fato que levantou muitas sobrancelhas. O jornal inglês The Independent, em árabe, esclareceu um pouco deste enigma. Segundo o jornal, o Mossad teria recebido informações de que uma frota de navios de guerra iranianos que vinham da Rússia estava carregada com drones, equipamentos eletrônicos avançados e outros materiais militares que certamente ajudariam as forças armadas do Irã. Israel resolveu de atacar esta frota e afundou cinco navios de combate e danificou os outros. Aliás, o Wall Street Journal relatou que a Rússia ampliou sua cooperação com Teerã para tentar, com isto, afastar a presença americana da região.
Mesmo assim, Irã não levanta as mãos e continua lançar sobre Israel mísseis balísticos coordenados com lançamentos do Hezbollah do Líbano. A população do norte de Israel sofre mais alertas do que a do resto do país, pelos incessantes ataques de foguetes e drones do Hezbollah.
Forças israelenses pediram à população do sul do Líbano para evacuar até ao norte do Rio Litani e depois fizeram uma entrarada terrestre na região, para tentar limpá-la dos terroristas do Hezbollah. Agora, o novo governo libanês tem mais interesse que Israel faça por ela o serviço, pois até 07/10/2023, a força mais forte no país era do Hezbollah, que saiu enfraquecida, mas ainda é forte. Israel quer afastá-lo do território israelense. Há até rumores de que o presidente do Líbano quer se encontrar com seu homólogo israelense. Seria ótimo se os dois países estabelecessem relações diplomáticas para o beneficio de ambos e o Líbano retornar a ser a Suíça do Oriente Médio. No exército libanês há soldados xiitas, parentes dos do Hezbollah, e é por isso que o exército libanês não consegue se sobrepor a esta organização terrorista.
Enquanto o Hezbollah não for desmantelado, o norte de Israel estará sob o perigo dos ataques desta organização terrorista. A maioria dos seus ataques só causa danos materiais, mas ter que correr ao abrigo 10 a 15 vezes ao dia é desgastante.
Mas, não é só Israel que sofre ataques do Irã. Seus irmãos muçulmanos (maioria sunita) também sofrem ataques, principalmente os Emirados Árabe Unidos e até mesmo o aliado do Irã, o Catar. Estes ataques tem por objetivo fazê-los pressionar os EUA a parar a guerra. Aliás, estes países, e mesmo a Arábia Saudita, saúdam Israel e os EUA, em voz baixíssima, por enfraquecer o Irã. Mas, ao mesmo tempo, não ajudam na luta, mesmo a pedido do Trump para que enviem tropas para impedir o bloqueio do Golfo de Ormuz. Eles temem o Irã depois da guerra. O mesmo ocorre com países ocidentais e principalmente os que compõem a OTAN. Trump está muito decepcionado com sua atuação e escreveu do seu desgosto com a OTAN no Truth Social. “Sempre vi na OTAN evento unilateral”.
Ao mesmo tempo, cresce nos EUA o descontentamento pela guerra no Irã “que não é nossa” e o presidente americano tem em mente as eleições, em novembro. O Diretor do Combate ao Terrorismo, Joe Kent, demitiu-se do cargo, acusando que “esta guerra não é nossa. Israel convenceu o presidente a entrar nela e eu não a apoio”. Talvez seja isto que ele sente, mas ele é considerado um racista e mesmo antissemita e está sob investigação da FBI de ter vazado informações secretas.
Foto: IAF (X)
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