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Estado em alerta, ataque iminente

Por David S. Moran

A segunda rodada de negociações, desta vez em Genebra (17/02) foi realizada e os dois lados disseram que foi boa. O presidente Trump disse (na sua negação em não ver as coisas como são): “acho que eles querem fazer negócio, não creio que eles estejam interessados nas consequências de não chegar a um acordo”. Os Estados Unidos e o Irã, cada um na sua vez, ameaça o outro num ataque em dimensões inacreditáveis e ao mesmo tempo ensaiam negociações.

Enquanto os EUA enviam o segundo porta aviões, Gerald Ford, ao leste do Mediterrâneo e dezenas de caças estão acantonados na Jordânia e na Arábia Saudita, os Guardas Revolucionários fazem manobras militares, simulando ataques e captura de navios inimigos no Golfo de Hormuz, prejudicando a importante via marítima de transporte, principalmente de petróleo, dos países da região.

Para mostrar que o regime islâmico xiita do Irã não teme os americanos, o líder supremo do Irã, Ali Khameni, revidou as palavras do Trump dizendo: “sabemos que os EUA estão enviando mais navios de guerra e eles são sem dúvida perigosos, mas as nossas armas que podem afundá-los são mais perigosas. O exército americano sofrerá uma surra da qual não vai poder se recuperar”. O líder iraniano fala e ameaça os americanos sem temer.

Aliás, as negociações entre os EUA e o Irã não são numa mesa, são intermediados pelo Omã. Os assuntos que estão em pauta, também não são iguais. O Irã está disposto a discutir o assunto do urânio enriquecido e do descongelamento do seu dinheiro em bancos americanos. Estes, por sua vez querem discutir o assunto do urânio, com o qual, segundo a AIEA, o Irã pode produzir até 12 bombas atômicas, os misseis balísticos, o repasse de dinheiro e armamento aos proxies do Irã e o alívio da pressão nos cidadãos iranianos que participaram nas manifestações.

Não há dúvidas de que os iranianos são exímios negociantes e têm tempo. Eles querem estender o tempo das negociações até os EUA não terem mais paciência. Não esqueçamos que o tema do Irã e Estados Unidos está em todos os meios de comunicação há meses e até agora o Irã não abriu mão de nenhuma de suas demandas, mesmo que as suas proxies – Hamas, Hezbollah, Jihad Islâmica, Houthis – tenham sofrido muitos danos.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, expressou suas dúvidas sobre a possibilidade de chegar a um entendimento com o Irã. Ele disse: “estamos lidando com religiosos, xiitas, extremistas e fanáticos que tomam decisões teológicas e não geopolíticas”. Tanto Rubio como o secretário da Defesa, Brian Hegseth, adotam a linha de Israel, de que os EUA têm que atacar o Irã.

O presidente Trump, que se gaba de ter terminado oito guerras mas não terminou nenhuma e que termina cada fala com seu “we will see what happens” (“veremos o que acontece”), se não agir contra o Irã, estará perdendo a credibilidade, mesmo sendo o presidente do país mais potente do mundo. Ele tem que levar também em conta as eleições internas do Congresso no meio de seu mandato, que serão em novembro, no qual se vota por todos os deputados e por um terço dos senadores.

Na quinta-feira (18/02) o Irã continuou suas manobras militares no Golfo de Hormuz com reforço de forças russas e fechou o espaço aéreo iraniano para exercício de mísseis. A porta voz da Casa Branca disse (18/02): “Há muitas razões para atacar o Irã. O presidente está conferenciando com sua equipe mais restrita a respeito”. Depois do diálogo em Genebra, correram notícias de que a declaração de guerra contra o Irã do presidente Trump é iminente. O vice-presidente JD Vance declarou: “os iranianos não pretendem reconhecer parte das linhas vermelhas de Trump”. Ele adicionou que “o objetivo de Trump é impedir o Irã ter arma nuclear”.

Na quarta-feira (11/02) o regime islamista comemorou o 47º aniversário da tomada do poder. As manifestações populares nas cidades iranianas, que cessaram devido ao uso da força e morte de milhares de manifestantes, mostram que já é hora de dar ao povo iraniano o direito e a chance de votar pelo regime que quiser e, se for necessária a força dos EUA e seus aliados para derrubarem o atual regime radical, que o façam para o bem de todos os países da região.

Na quinta-feira (18/02), correram muitas notícias de que o ataque americano é iminente. Em Israel foi dada a instrução de todos estarem em alerta, pois o Irã ameaça contra-atacar bases americanas na região do Golfo Pérsico, Israel e até países europeus que estão sob o alcance dos misseis iranianos.

Foto: Wikimedia Commons

 

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