Plataforma vende videogame que incita à violência

A plataforma de jogos online Steam pode ser levada a tribunal por sua recusa em retirar do mercado um videogame que permite aos jogadores matar soldados israelenses e realizar atos de terrorismo, disse um grupo jurídico internacional.

O Steam, que tem cerca de 25 milhões de usuários e pertence à empresa Valve, pode estar “em violação direta da legislação antiterrorismo dos Estados Unidos” pela venda de Fursan Al-Aqsa: Os Cavaleiros da Mesquita de Al-Aqsa, segundo o site do Fórum Jurídico Internacional (ILF), um grupo de defesa de mais de 3.500 advogados internacionais e ativistas da sociedade civil. O videogame coloca o usuário no controle de um militante palestino que massacra israelenses com armas de alta potência e outras munições.

O jogo teve forte condenação em Israel, bem como de observadores internacionais do antissemitismo, mas continua à venda pelo Steam por US$ 14,99. Embora o jogo tenha sido temporariamente removido da biblioteca do Steam após um relatório do Free Beacon, de outubro de 2021, ele ressurgiu em abril de 2022 em uma versão atualizada que inclui material “ainda mais violento”, de acordo com o CEO do ILF, Arsen Ostrovsky. Ele disse que sua organização notificou a Valve, em correspondência recente, que “considerará a possibilidade de buscar todas as ações legais disponíveis” para remover o jogo.

O ILF passou meses tentando entrar em contato com a Valve e alertá-la sobre possíveis violações das leis antiterrorismo dos EUA, mas a empresa não respondeu a nenhum desses esforços. “Nós os informamos que este jogo, com sua horrível glorificação da violência e incitação ao terror, pode colocá-los em violação direta das leis antiterrorismo dos Estados Unidos e que, na ausência de uma resposta satisfatória e a remoção do jogo, consideraríamos prosseguir com todas as ações legais disponíveis”.

Empresas de mídia social como o Facebook removeram materiais promocionais para o jogo, mas o Steam ainda não respondeu ao ILF e outros grupos de defesa pró-Israel.

O criador do videogame, Nidal Nijm Games, gabou-se publicamente em seu perfil do Twitter de ser o “desenvolvedor de jogos mais comentado no Steam” e “fazer os sionistas chorarem”. Materiais promocionais para o jogo postados no YouTube provocaram a reação israelense e mostram soldados judeus sendo baleados no rosto. Com os crimes de ódio antissemita aumentando nos EUA e em outras nações ocidentais, especialistas jurídicos dizem que o Steam pode estar entrando em conflito com leis que proíbem o apoio material a atos terroristas, de acordo com o grupo de vigilância legal.

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“Este não é um mero jogo, mas uma exibição descontrolada de glorificação da violência e incitação ao terror, que agora também pode colocar o Steam e a Valve em violação direta da legislação antiterrorismo dos Estados Unidos”, disse Ostrovsky ao Free Beacon.

O ILF informou pela primeira vez ao Steam em outubro que poderia estar violando as leis antiterrorismo. O Steam atrasou o lançamento do jogo, mas nunca enviou ao ILF uma resposta à sua carta inicial ou esforços subsequentes para estabelecer contato. O Steam não respondeu a um pedido de comentário do Free Beacon.

O grupo de Ostrovsky alertou a Valve, controladora da Steam, que “no caso de mais ataques e perda de vidas surgirem dessa exibição em pura barbárie disfarçada de ‘jogo virtual’, não apenas sangue, mas responsabilidade legal, estará nas mãos da Valve”.

Um trailer do videogame mostra o personagem principal, um militante palestino, ganhando pontos por atirar na cabeça de israelenses e explodir várias estruturas. O jogo, diz seu criador no Steam, está “quebrando o clichê de retratar árabes como terroristas”.

“Resistir à ocupação sionista NÃO é terrorismo!” afirma uma página do YouTube que hospeda clipes do jogo.

O personagem principal do jogo é “Ahmad al-Falastini, um jovem estudante palestino que foi injustamente torturado e preso por soldados israelenses por cinco anos, teve toda a sua família morta por um ataque aéreo israelense e agora, depois de sair da prisão, busca vingança contra aqueles que o prejudicaram, mataram sua família e roubaram sua pátria, juntando-se a um novo movimento de resistência palestina”.

Fonte: The Jewish Voice
Foto: Captura de tela (YouTube)

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