Morre a Rainha Elizabeth II da Inglaterra

A Rainha Elizabeth II da Inglaterra morreu, ontem, aos 96 anos no Castelo de Balmoral, sua residência de férias na Escócia. O anúncio foi feito pelos canais oficiais da família real.

Com a morte da rainha, o príncipe Charles se transforma automaticamente em rei. Em comunicado oficial, o Rei Charles III anunciou que é “um dos dias mais tristes para ele e a família” e que “lamenta profundamente a passagem da estimada rainha e mãe muito amada”.

Em seus 70 anos no trono, a rainha Elizabeth II viajou muito e visitou muitos países. Ela visitou a Jordânia, Egito e outros países do Oriente Médio e Norte da África, mas nunca Israel.

O marido da rainha, príncipe Philip, que morreu aos 99 anos, era talvez o membro mais próximo da família real britânica aos judeus e às causas judaicas. Em 1994, o duque de Edimburgo quebrou o boicote não oficial de Israel pela realeza britânica para participar da cerimônia que nomeou a princesa Alice, sua mãe, como “justa entre as nações” por esconder três judeus dos nazistas.

A sogra da rainha Elizabeth II, a princesa Alice da Grécia, está enterrada no Monte das Oliveiras em Jerusalém.

O primeiro-ministro israelense, Yair Lapid, expressou suas condolências pela morte da rainha Elizabeth nesta quinta-feira. “Em nome do governo e do povo de Israel, envio minhas condolências à família real e ao povo do Reino Unido pela morte de Sua Majestade, a Rainha Elizabeth II. Ela deixa um legado inigualável de liderança e serviço. Que sua memória seja uma bênção”, disse Lapid no Twitter.

“Minha esposa Sara e eu, juntamente com todo o povo de Israel, enviamos nossas condolências ao povo da Grã-Bretanha e à família real pelo falecimento da rainha Elizabeth II. Ela era uma soberana lendária, um farol de integridade e uma administradora de uma segunda era elisabetana que será lembrada ao longo dos séculos. Que sua memória seja abençoada”, tuitou o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

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“A rainha serviu à comunidade internacional por mais de 70 anos e, sob seu reinado, as relações Reino Unido-Israel floresceram. Meus pensamentos estão com o Reino Unido hoje”, tuitou o ministro da Defesa, Benny Gantz.

A prefeitura de Tel Aviv iluminou o prédio da prefeitura com as cores da bandeira do Reino Unido para homenagear a rainha.

Em 2022, a Rainha Elizabeth II se tornou a primeira monarca da história a comemorar o Jubileu de Platina, marcando 70 anos de reinado. No Reino Unido, ela se tornou a monarca a ocupar o trono por mais tempo, passando a Rainha Vitória, que reinou por 63 anos.

No mundo, a rainha ocupava a quarta colocação entre os monarcas com reinados mais longos. Em 2015, Elizabeth se tornou a monarca mais idosa do mundo, após a morte do rei da Arábia Saudita, que tinha 88 anos à época.

Com tantas décadas de reinado, a Rainha Elizabeth viu e viveu diversos fatos históricos. Desde meados do século XX até sua morte, a soberana presenciou e fez parte da história mundial, viu guerras se desenrolarem, ditaduras militantes surgirem e serem terminadas, seis papas assumirem o cargo máximo da Igreja Católica e, mais recentemente, a pandemia de coronavírus que se iniciou em 2020.

Assim como para muitos dos seus súditos, o período da Segunda Guerra Mundial foi determinante para o futuro da rainha Elizabeth II.

Ela tinha 13 anos quando o conflito começou e os seis anos de guerra marcariam o início do seu papel público como herdeira do trono britânico. A família real – o rei, a rainha e as filhas Elizabeth e Margaret – era também um forte símbolo dos valores pelos quais a Grã-Bretanha e seus aliados lutavam contra a ditadura nazista de Adolf Hitler na Alemanha.

Políticos e conselheiros recomendaram que as meninas fossem transferidas para o Canadá, uma ideia que não agradou à rainha-mãe. “As crianças não sairão a menos que eu saia”, afirmou a rainha Elizabeth. “Eu não sairei a não ser que o pai delas o faça, e o rei não deixará o país em nenhuma circunstância”.

Em outubro de 1940, quando a Grã-Bretanha sofria a pior onda de bombardeios alemães, Elizabeth fez seu primeiro pronunciamento público transmitido pelo rádio.

Era um discurso dirigido às crianças britânicas que haviam sido enviadas à América do Norte para escapar dos terríveis bombardeios, mas serviu como uma mensagem para ganhar a simpatia do público americano em favor da entrada do país na guerra.

“Nós, crianças, estamos em casa, cheias de alegria e coragem”, disse. “Estamos tentando fazer tudo o que podemos para ajudar nossos audazes marinheiros, soldados e aviadores. E estamos tentando também suportar nossa própria cota de perigo e tristeza pela guerra”, afirmou.

O fato de Elizabeth e Margaret terem permanecido no país foi considerado um importante fator para levantar o moral da nação.

Se não bastasse ser a única mulher da realeza britânica a ter trabalhado na Segunda Guerra Mundial, Elizabeth II era até recentemente a única chefe de estado viva a ter servido no conflito armado.

Atuando pelo Serviço Territorial Auxiliar das Mulheres, a princesa chegou a trabalhar como motorista e mecânica, dirigindo alguns caminhões militares. Para estar apta ao cargo, Elizabeth fez um curso sobre reparação de automóveis, que lhe tornou capaz de dirigir caminhões, ambulâncias e jipes.

Fontes: G1, Megacurioso, The Times of Israel
Fotos: Wikimedia Commons (1959 e 2015)