Hamas quer aproveitar a situação politica israelense

Por David S. Moran

Depois de muitos anos de infrutíferas negociações, intermediadas pelo Egito (a quem a Faixa de Gaza pertencia até 1967) e pelo Qatar (que ajuda economicamente Gaza), para a troca de israelenses por terroristas da Hamas, repentinamente o Hamas se manifesta tentando aproveitar a caótica situação política em Israel.

Num ato cínico e inumano, na segunda-feira (27), a organização terrorista Hamas emitiu a informação de que o estado de saúde de um dos israelenses que estão em sua posse, está se deteriorando. Para acrescentar o cinismo, Hamas não revelou qual dos dois israelenses estava em estado de emergência, nem da sua situação e que só o revelaria no dia seguinte.

Depois de um dia intenso de especulações, na terça-feira (28), o Hamas transmitiu curto vídeo de Hisham al Sayed, o beduíno-israelense, entubado. Não foi informado quando o vídeo foi filmado, mas no fundo, vê-se TV transmitindo reportagem da Al Jazeera do Fórum Econômico em Qatar. Este foi realizado entre os dias 21 e 23 de junho. Foi a primeira vez em sete anos que sua família viu a imagem do filho e sinal de vida. Seu pai, Sha’aban Al Sayed falou às TV’s israelenses: “Estou feliz em ver sinal de vida do meu filho. Por outro lado, meu filho nada tem a ver com o conflito palestino-israelense. Ele é doente mental, recebia remédios o tempo todo. Não podiam prendê-lo. É o primeiro sinal que recebemos dele desde 2015, espero que o devolvam a nós imediatamente”.

Porque agora Hamas se manifesta? Hamas tem em seu poder dois civis israelenses, doentes mentais, que atravessaram a fronteira por sua vontade. Avera Menegistu, de origem etíope, que atravessou pelo mar em 2014 e o beduíno israelense, Hisham Al Sayed, em 2015. Este o fez em duas vezes anteriores e foi entregue à Cruz Vermelha, retornando à família. Na terceira vez, Hamas o deteve e não permite que representantes da Cruz Vermelha o visitem, nem a Avera Menegistu. Além disso, Hamas raptou os corpos de Hadar Goldin e Oron Shaul, dois soldados mortos em combate durante a Operação Penhasco Firme, em 2014. Contrariando qualquer norma moral e leis internacionais, não os entregou às famílias para terem enterro decente. Negociam os corpos para obterem benefícios em libertação de terroristas.

Hamas está cinicamente tentando aproveitar a crise política interna israelense, pensando que sob esta pressão conseguirá mais concessões do que chama “regime Sionista”. De fato, obteve um sucesso. Todos os meios de comunicação israelenses trouxeram em manchetes a informação dos terroristas da Hamas e tiveram que aguardar um dia para saber quem é o preso que está com a saúde deteriorada. Hamas, que não liga para os direitos humanos, sabe se aproveitar do zelo israelense pela vida humana.

O assunto dos detentos israelenses e dos corpos dos soldados em posse da Hamas está em pauta o tempo todo. As fotos dos soldados estão expostas na mesa do trabalho do primeiro ministro Bennett. Ele imediatamente reagiu a noticia da Hamas e disse: “esta organização prova mais uma vez que é organização terrorista, criminosa e cínica, que mantêm em cativeiro civis doentes mentais. Clara evidência de violação a todas as normas e leis internacionais. Assim o faz com os corpos dos nossos dois soldados mortos em combate”. O governo israelense emitiu nota que diz ser Hamas a responsável pela saúde dos civis israelenses que mantém presos.

A rede libanesa Al Mayadeen informou que Hamas disse aos intermediários egípcios e do Qatar que está disposta à “troca humanitária” rápida de Al Sayed pelos terroristas palestinos doentes que estão nas prisões israelenses. A diferença é que os palestinos nas prisões cometeram atentados contra israelenses e os dois em poder da Hamas são civis, inocentes e doentes mentais.

O governo israelense que já fez um precedente na troca de um soldado, o Gilad Shalit por 1.000 terroristas, disse que não o repetiria. Está tentando através da intermediação egípcia e do Qatar chegar a um acerto e não conseguiu até o momento. Os ativistas sociais Samy Obeid, de Gaza e Yoel Marshak de Israel, que estão tentando chegar a um acordo, dizem que o governo da Hamas aprova a permanência de Marshak na Faixa de Gaza, por três dias, mas o governo israelense o impede.

Neste caso nota-se a diferença entre um regime democrático e outro autoritário. Um que tenta de tudo por sua população e outro que não se importa. Israel já teve cerca de 150.000 gazenses trabalhando no país e hoje tem cerca de 10.000 e disposto a aumentar o número, em troca de paz e devolução dos dois civis e do corpo dos dois soldados. A ditadura da Hamas, não consente.

 

Drama em Israel, Bennett tira férias da política

Depois de anunciar a dissolução do Parlamento e passar o posto mais importante da politica local – o do Primeiro Ministro – ao primeiro-ministro substituto e atual Ministro do Exterior, Yair Lapid, Bennett declarou que está tomando pausa da política e não concorrerá nas próximas eleições.

Bennett, com sete deputados (dos 120) fundou o partido Yemina (A Direita). Lapid, do partido do centro Yesh Atid (Há Futuro), mesmo elegendo 17 deputados lhe cedeu a primazia de tirar o país do impasse e Benjamin Netanyahu do posto, após quatro eleições sem definição. Bennett é religioso e serviu como o Primeiro-Ministro mais jovem, aos 49 anos. Foi chefe de gabinete do premier Netanyahu em 2006 a 2008.

Em coletiva aos meios de comunicação, Bennet anunciou seu afastamento da política, que fez tudo pelo Estado de Israel e “não há trabalho mais difícil do que este e por outro lado é um enorme privilégio”. Lamentou que metade do povo lamentou que a outra metade constitui um governo”. Só venceremos se estivermos unidos. Haverá boas notícias proximamente, adicionou. Passo o bastão para o meu amigo e companheiro Yair (Lapid) e o ajudarei no que for preciso”.

O novo Primeiro-Ministro, Yair Lapid, de 59 anos tomou posse na quinta-feira (30), como o 14º premier de Israel. Seu primeiro ato depois da declaração de Naftali Bennett, foi visitar o Museo do Holocausto, Yad Vashem, em homenagem ao seu falecido pai, Tomy Lapid, que foi sobrevivente do Holocausto, jornalista e deputado. Lapid disse no Yad Vashem: “prometi ao meu pai que sempre cuidarei do Estado de Israel forte, que saberá se defender e garantir a paz aos seus filhos”.

Lapid exerceu o cargo de jornalista, escreveu livros e foi famoso apresentador do canal de TV mais assistido em Israel. Em janeiro de 2012 demitiu-se para fundar o partido Yesh Atid, que se tornou o segundo maior do país. Em 2013 ingressou na coalizão do Netanyahu e foi Ministro da Fazenda até 2015. Deu um grande salto e, em 10 anos na política, já ocupa o posto mais importante. As próximas eleições estão marcadas para 1º de novembro deste ano e, até lá, exercerá o cargo, esperando continuar após as eleições.

One thought on “Hamas quer aproveitar a situação politica israelense

  • 1 de julho de 2022 em 10:59
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    Lapid, cínico, descumpriu a promessa que fez a seu pai, é um entreguista das terras judaicas, e está chegando ao absurdo de devolver as ditas aldeias árabes dos fujões da guerra de 1948. Lapid mentiroso é um traidor do povo judeu! Quanto ao governo israelense, se importa muito mais com a vida dos árabes do que judeus já que permite a entrada deles mas não tem um projeto para os anussim que querem se converter e que amam Israel.

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