Hamas usa plano de Trump para se fortalecer
Numa tentativa de se manter no poder, o Hamas nomeou governadores distritais com ligações com o seu braço armado, substituiu altos funcionários em ministérios-chave e continuou a cobrar impostos e a pagar salários em Gaza.
Duas fontes palestinas com conhecimento das operações da organização terrorista disseram à Reuters que cinco governadores distritais foram nomeados, todos ligados ao braço armado do Hamas, e que figuras importantes nos ministérios da Economia e do Interior foram substituídas. Um novo vice-ministro da Saúde também foi visto visitando hospitais em um vídeo do ministério divulgado este mês.
Fontes citadas pela Reuters disseram que o Hamas continua pagando salários a funcionários públicos e combatentes, com uma média de cerca de 1.500 shekels por mês, enquanto cobra impostos de comerciantes do setor privado, inclusive sobre mercadorias como cigarros e telefones celulares que entram em Gaza por meio de contrabando.
Ismail al-Thawabta, chefe do gabinete de imprensa do governo controlado pelo Hamas, negou que as medidas reflitam uma tentativa de consolidar o poder, afirmando que substituições temporárias foram feitas para preencher os cargos que ficaram vagos durante a guerra, a fim de evitar a interrupção de serviços essenciais.
Uma avaliação militar israelense, apresentada ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no final de janeiro e divulgada inicialmente pelo Canal 13 de Israel, afirma que o Hamas está trabalhando para preservar sua influência em Gaza “de baixo para cima”, infiltrando apoiadores em escritórios governamentais, órgãos de segurança e autoridades locais.
Segundo a avaliação, na ausência de um desarmamento do Hamas, é provável que o grupo mantenha uma influência significativa mesmo sob um regime tecnocrático.
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Os acontecimentos aumentaram as dúvidas em torno da iniciativa de paz do presidente dos EUA, Donald Trump, que exige que o Hamas renuncie às suas armas em troca da retirada militar israelense de Gaza.
O Conselho Internacional de Paz de Trump realizou sua primeira reunião em Washington, nesta quinta-feira, e espera-se que avalie o progresso relacionado à governança de transição do enclave.
O Hamas declarou estar preparado para transferir a autoridade administrativa para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), um comitê de tecnocratas palestinos apoiado pelos EUA e liderado por Ali Shaath, ex-funcionário da Autoridade Palestina na Judeia e Samaria. O grupo alega, contudo, que Israel não permitiu que os membros do comitê entrassem em Gaza para iniciar seus trabalhos.
Uma autoridade do governo israelense rejeitou a possibilidade de qualquer papel futuro do Hamas na administração de Gaza, descrevendo tal cenário como irrealista. Os militares israelenses se recusaram a comentar as declarações públicas do Hamas.
O Departamento de Estado dos EUA e o NCAG não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. Uma fonte próxima ao comitê de 15 membros afirmou que este estava ciente das ações do Hamas e insatisfeito com elas.
No sábado, o comitê pediu aos mediadores internacionais que intensificassem os esforços para resolver as questões pendentes, afirmando que não seria capaz de cumprir seu mandato sem plena autoridade administrativa e de segurança.
Autoridades israelenses afirmam que o Hamas aproveitou o cessar-fogo de outubro para reafirmar sua autoridade em áreas desocupadas pelas forças israelenses. Embora Israel mantenha o controle sobre mais da metade de Gaza, a maioria dos cerca de 2 milhões de habitantes do enclave está localizada em áreas controladas pelo Hamas.
O documento militar indica que a maioria dos ministérios e prefeituras de Gaza retomaram suas atividades em relação ao auge dos combates. O Hamas, que assumiu o controle de Gaza em 2007, historicamente supervisiona as nomeações para ministérios e órgãos locais e estabeleceu sua própria estrutura de serviço público.
A analista política palestina Reham Owda disse que atrasos na permissão para que o comitê tecnocrático entre em Gaza podem consolidar o controle administrativo e de segurança do Hamas.
Fonte: Revista Bras.il a partir de Israel National News
Foto: FDI

