Irã ameaça Israel em resposta a qualquer ação dos EUA
Teerã ameaçou, neste domingo, retaliar contra Israel e bases militares americanas caso os Estados Unidos ataquem o Irã. O alerta foi emitido enquanto fontes israelenses afirmavam que o país estava em estado de alerta máximo.
Com o clero iraniano enfrentando os maiores protestos antigovernamentais desde 2022, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou repetidamente intervir, nos últimos dias, em meio a relatos de um número crescente de mortos devido à repressão aos manifestantes.
As manifestações no Irã em 2022 representaram um dos maiores desafios ao regime teocrático desde a Revolução de 1979. O movimento foi desencadeado pela morte de Mahsa Amini, uma jovem curda de 22 anos, que faleceu sob custódia da “polícia da moralidade” em setembro de 2022 após ser detida por supostamente não usar o véu (hijab) de forma correta.
A mídia americana noticiou que Trump recebeu opções para possíveis ataques, incluindo contra alvos não militares em Teerã.
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, discursando no parlamento no domingo, alertou contra “um erro de cálculo”.
“Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], bem como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”, disse Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária, força paramilitar de elite do Irã.
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“Não nos consideramos limitados a reagir após a ação e agiremos com base em quaisquer sinais objetivos de ameaça”, disse ele.
Qualquer decisão de entrar em guerra caberia ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos.
Três fontes israelenses, presentes em consultas de segurança durante o fim de semana, disseram que Israel estava em estado de alerta máximo para qualquer intervenção dos EUA, mas não explicaram o que isso significava.
Um porta-voz do governo israelense se recusou a comentar. As Forças de Defesa de Israel não responderam imediatamente a um pedido de comentário.
Israel e Irã travaram uma guerra aérea de 12 dias em junho do ano passado, na qual os EUA se juntaram a Israel depois que este lançou ataques aéreos contra instalações nucleares e militares. Em resposta, o Irã disparou mísseis e drones contra Israel, matando vários civis, e atacou forças americanas na Base Aérea de Al Udeid, no Catar.
Em uma conversa telefônica no sábado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o secretário de Estado americano Marco Rubio discutiram a possibilidade de intervenção dos EUA no Irã, de acordo com uma fonte israelense presente na conversa. Um funcionário americano confirmou que os dois conversaram, mas não especificou quais assuntos foram discutidos.
Um alto funcionário da inteligência americana descreveu no sábado a situação no Irã como um “jogo de resistência”.
A oposição iraniana tentava manter a pressão para que figuras-chave do governo fugissem ou mudassem de lado, enquanto as autoridades tentavam semear medo suficiente para esvaziar as ruas sem dar aos Estados Unidos justificativa para intervir, disse o oficial.
O ministro do Exterior de Israel, Gideon Saar, instou a União Europeia no domingo a designar a Guarda Revolucionária do Irã como uma organização terrorista.
Saar afirmou no X que disse ao ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, que estava em visita ao país, “que agora é o momento de designar a Guarda Revolucionária do Irã como uma organização terrorista dentro da União Europeia”. “Essa sempre foi a posição da Alemanha, e hoje a importância dessa questão está clara para todos”, acrescentou Saar.
Grupos de direitos humanos iranianos afirmaram, no domingo, que as autoridades estavam cometendo um “massacre” para reprimir as manifestações. Pelo menos 192 pessoas foram mortas em duas semanas de protestos contra o governo e a crise econômica no Irã, segundo um grupo de direitos humanos.
“Desde o início dos protestos, a organização não governamental Iran Human Rights confirmou a morte de pelo menos 192 manifestantes”, afirmou a ONG sediada na Noruega, alertando que o número de vítimas pode ser muito maior, já que um apagão de internet que durou vários dias dificultou a verificação.
O Centro para os Direitos Humanos no Irã (CHRI), com sede nos EUA, afirmou ter recebido “relatos de testemunhas oculares e informações confiáveis indicando que centenas de manifestantes foram mortos em todo o Irã durante o atual bloqueio da internet”. “Um massacre está em curso no Irã. O mundo precisa agir agora para evitar mais perdas de vidas”, dizia o comunicado.
O comunicado afirmava que os hospitais estavam “sobrecarregados”, os estoques de sangue estavam baixos e que muitos manifestantes haviam sido baleados nos olhos em uma tática deliberada.
Os protestos começaram em resposta à inflação galopante, antes de se voltarem contra o regime clerical que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979. O governo iraniano acusa os EUA e Israel de fomentarem a instabilidade.
O fluxo de informações provenientes do Irã tem sido prejudicado por um bloqueio de internet imposto pelas autoridades desde quinta-feira.
Fonte: Revista Bras.il a partir de The Times of Israel
Foto: NevinThompson (Wikipedia Commons)

