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Israelenses acusados de espionar para o Irã

Um homem árabe-israelense foi indiciado por espionagem após supostamente compilar relatórios para um agente estrangeiro, detalhando os danos e as vítimas causados ​​por ataques de mísseis iranianos, informou a Polícia de Israel, nesta sexta-feira.

Segundo a acusação, Miqdad Modar Husseni Natur, de 47 anos, da cidade de Qalanswa, na região central do país, entrou em contato com o agente, que usava o pseudônimo de “Abu Ali”, quando procurava emprego no verão passado. Natur havia trabalhado por vários anos como intérprete de língua de sinais para a Polícia de Israel, o serviço de segurança Shin Bet e o judiciário.

Ele entrou em contato com a Al Jazeera pelo Telegram na esperança de ser contratado pela emissora sediada no Catar como intérprete, mas foi rejeitado. A Al Jazeera é proibida em Israel porque as autoridades israelenses acusam a emissora de servir como veículo de propaganda para terroristas palestinos.

Alguém do canal de notícias indicou Abu Ali para Natur, e os dois começaram a trocar correspondências.

Sob as instruções do agente, Natur criou um canal no Telegram em árabe chamado “Breaking News”, onde publicava notícias selecionadas a dedo pelo agente em troca de um pagamento mensal de US$ 250. Isso ocorreu de setembro de 2025 a janeiro de 2026.

Por razões desconhecidas pelos promotores, Abu Ali interrompeu o contato com o réu, em fevereiro, mas voltou a procurá-lo após o início da guerra, desta vez pedindo-lhe que compilasse relatórios sobre os danos e as vítimas causados ​​pelos impactos de mísseis iranianos.

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O agente também solicitou informações sobre interrupções no fornecimento de água, eletricidade e internet em Israel, a localização e os danos causados ​​por impactos de mísseis, os números da emigração e o estado de espírito da população israelense.

Embora o agente tenha pedido repetidamente a Natur que fosse fisicamente aos locais de impacto dos mísseis para documentar sua localização e os danos resultantes, o réu não conseguiu fazê-lo e, em vez disso, enviou-lhe notícias que já haviam sido publicadas.

Quando o agente estrangeiro reclamou que a informação já estava disponível em reportagens, Natur se ofereceu para encontrar outras pessoas com quem conversar a fim de obter informações não publicadas.

O tipo de informação que Natur foi solicitado a encontrar e fornecer “poderia causar danos reais à segurança do estado e de seus cidadãos”, disse a polícia.

Segundo a acusação, Natur trabalhou sistematicamente para ocultar suas atividades, incluindo apagar correspondências e usar uma conta anônima no Telegram, além de outros meios para manter a comunicação em segredo.

Em outro caso de espionagem, foram apresentadas acusações contra Israel Berkovitz, de 20 anos, e Orel Makitan, de 25 anos, ambos do assentamento ultraortodoxo de Modi’in Illit, sob suspeita de contato com um agente estrangeiro.

Segundo os promotores, durante cerca de um mês, no início do ano, eles estiveram em contato com agentes iranianos via Telegram e realizaram atividades sob suas instruções, incluindo o repasse de informações. Eles se apresentavam como uma única pessoa chamada “Orik”.

Entre as informações enviadas, havia detalhes sobre postos de controle de segurança e fotografias de várias vias interurbanas e urbanas, incluindo a estrada que leva ao Tribunal Distrital de Lod. Eles também enviaram uma foto do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, fornecendo informações falsas sobre a própria imagem. Além disso, foram instruídos a visitar e fotografar a casa de um tenente-coronel da reserva do exército e enviar as imagens ao agente, segundo a promotoria.

Segundo a acusação, a dupla, por iniciativa própria, sugeriu atividades adicionais. Mesmo após o início da guerra com o Irã, Makitan teria continuado em contato com um agente iraniano.

Os promotores pediram que eles fossem mantidos sob custódia até o final do processo, observando que os suspeitos tinham consciência de que estavam fornecendo informações a um inimigo do Estado.

Nos últimos dois anos, dezenas de israelenses foram acusados ​​de espionagem a serviço do Irã. Em muitos dos casos, agentes iranianos recrutaram israelenses por meio de redes sociais, especificamente pelo Telegram.

No mês passado, a polícia e o Shin Bet anunciaram que um reservista das FDI que atuava no sistema de defesa aérea Domo de Ferro havia sido preso e indiciado sob a acusação de espionagem para o Irã.

Os promotores acusam Raz Cohen, de 26 anos e natural de Jerusalém, de ter mantido contato com agentes da inteligência iraniana por cerca de um mês e de ter fornecido informações sobre o Domo de Ferro e outras instalações militares ao seu contato durante esse período.

Em 2025, um cidadão com dupla nacionalidade americana e israelense foi acusado de espionar o ex-chefe das Forças de Defesa de Israel, Herzi Halevi, e Ben Gvir.

O crescente número de agentes iranianos levou Israel a abrir uma nova ala na prisão de Damon, em Haifa, para aqueles indiciados por acusações de espionagem. Até o momento, apenas um dos supostos espiões foi condenado, já que a maioria dos casos ainda tramita no sistema judiciário.

Fonte: Revista Bras.il a partir de The Times of Israel
Foto: Canva

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