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Levando o passaporte, alguns dólares, documentos locais, minha alma e o meu cachorro

Por Mary Kirschbaum

Não necessariamente nesta ordem, diga-se de passagem.

Pronto (como se diz no nordeste), aqui inicio meu texto falando de guerra e resiliência.

Estes itens descritos no nosso título, é o que levo para o bunker (abrigo fortificado, geralmente construído no subsolo com concreto armado e aço, projetado para proteger pessoas, soldados ou equipamentos contra ataques militares, bombardeios, desastres naturais ou radiação. Popularizaram-se nas guerras mundiais. Uso atual: utilizados como abrigos antiaéreos em zonas de conflito, como em Israel).

Bom, na nossa definição do Google acima, se diz que protege as pessoas e, na nossa humilde resiliência, acreditamos que vai nos proteger. E, assim, levamos as coisas essenciais, caso quando voltemos da sirene que avisou do míssil, drone ou foguete atualmente enviados do Irã ou do Hezbollah, nosso prédio ou residência esteja em chamas ou destruído. Assim nos é recomendado pelo “Pikud Ha Oref”, o órgão de comando militar que nos protege (a população civil) durante os conflitos de guerra ou se houver outro tipo de emergência.

Ontem foi Purim e as pessoas se fantasiaram juntamente com as crianças, que esperam o ano todo para viver este evento e colocar suas máscaras e roupas de fadas, cinderelas e superman e todos dançavam dentro dos bunkers ou estacionamentos (atualmente também usados, com a mesma função de bunker).

Também vi uma foto linda na mídia, de um casal que se casava no estacionamento! Rodou por toda Israel: este casal apaixonado que não espera acabar a guerra, para pôr em prática o seu sonho.

Hoje pela manhã, me ligaram oferecendo outro pacote de internet. Aí penso, graças a D’us, mesmo que esteja satisfeita com o meu, ouvindo este rapaz de vendas no telefone, fico feliz de pensar que estarei viva para optar pela troca.

Olho pela janela, tomando minha xícara de café, depois da sirene tocada as 5:48 da manhã, e avisto outro rapaz podando o gramado lá fora. Nunca se sabe, aqui em Israel, se o barulho é da máquina de cortar grama, do guindaste que constrói os novos prédios no país ou a sirene que irá avisar de uma nova bomba a nos ameaçar… Ah! Já ia esquecendo, às vezes, a sirene não é para nos mandar para o abrigo seguro, mas para nos lembrar dos 6 milhões de judeus que morreram numa perversa guerra e nas mãos de outro louco assassino.

Pois é! E se este texto é pra falar de resiliência, vamos lá:

Resiliência. Resiliência na psicologia é a capacidade humana de adaptação, superação e resposta positiva a adversidades, traumas, tragédias ou estresse intenso. Não é ser insensível, mas sim manter o equilíbrio emocional e a racionalidade, fortalecendo-se com as experiências difíceis.

É isto! Somos super-resilientes! O povo de Israel é um sobrevivente, todos sabemos disso…

Também meu amigo árabe, que me vende todo dia meu café pela manhã e se esforça para agradar a todos com seu hebraico perfeito, me disse, quando passei lá na vendinha: “Já estou fazendo seu café, sei como gosta! forte e com leite de soja. E fica tranquila que, se tocar sirene, tem abrigo aqui”.

“Obrigada querido! digo, Sim! Faz o meu café!”

E “vamo que vamo”… Tive umas três horas de sono hoje, mas tá tudo bem… o suficiente para ter energia para mais um dia de corridas para o “miklat” e tentar trabalhar.

Am Israel Chai! O povo de Israel vive!

Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam necessariamente a opinião da Revista Bras.il.

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