Na reta final das eleições americanas

Por Deborah Srour Politis

Há uma estória que circulava durante o governo de Levi Eshkol, o segundo primeiro-ministro de Israel após Ben Gurion, na qual seus conselheiros o teriam informado de uma seca. “Onde?” Perguntou Eshkol. No Negev, responderam os conselheiros. “Graças a Deus! Ainda bem que não é na América”.

Eshkol tinha outra frase que ele usava para descrever a relação entre Israel e os EUA: “Quando a América espirra, é Israel quem pega pneumonia”.

Desde a criação do Estado de Israel, houve uma sinergia com os Estados Unidos. O fato dos dois países compartilharem os mesmos valores democráticos, liberdades de expressão, de culto, de imprensa e proteção de minorias; eleições livres e respeito pela lei.

E isso significa respeito pelo resultado de eleições, com o partido perdedor imediatamente concedendo a derrota e se voltando para o trabalho de servir e defender o povo.

Mas tudo isso mudou com Donald Trump. Antes mesmo de sua inauguração os democratas juravam seu impeachment. Artistas famosos juraram se mudar da América, ativistas da esquerda gritavam e choravam aos céus. E Hillary no seu canto, lambendo suas feridas, jurava vingança.

Nunca os Estados Unidos tiveram uma presidência com tanta oposição, com tantos milhões de dólares jogados no lixo para investigar supostas conspirações russas que teriam colocado Trump na Presidência.

Estamos a nove dias das eleições e um número recorde de pessoas já votaram. As pesquisas de opinião estão cuidadosamente colocando Biden como vencedor mas com pouca vantagem. As mesmas pesquisas que há quatro anos davam Hillary como vencedora certa.

O único instituto de pesquisa que há quatro anos deu com quase precisão a vitória de Trump – o Trafalgar – está prevendo sua reeleição.

Segundo eles, as outras pesquisas não levam em conta o voto escondido, de pessoas que vão votar em Trump, mas têm vergonha de admiti-lo por medo de serem vistas como ignorantes ou racistas; e irão votar nele pela razão que todo o americano vota em eleições: a economia.

Em todas as pesquisas, pelo menos 56% dos entrevistados dizem estar economicamente melhor hoje do que há quatro anos, durante o governo de Obama-Biden. Se isto for verdade, e as eleições sempre seguem a economia, então as pesquisas que dão a vitória a Biden não fazem muito sentido.

O fato é que até o inicio deste ano, antes da pandemia, mesmo com todo o circo e as palavras de ódio e desprezo dos democratas, a América estava gozando de um renascimento sem paralelo. A economia estava numa ascensão vertiginosa, o desemprego mais baixo da história do país, especialmente, entre os afro-americanos e latinos. E todos nós sabemos que ter um emprego não é só bom financeiramente. É bom para a autoestima, um incentivo para ir pra frente na vida. Você se sente digno quando trabalhou por seu salário em vez de receber esmolas do governo.

A bolsa de valores quebrou recordes diários, afetando positivamente os programas de aposentadoria. A redução de impostos que incentivou novos negócios a abrirem, a renegociação de acordos comerciais com a China, México e Canadá que trouxeram bilhões de dólares para a América, e melhor, trouxeram as fábricas de volta para o país. A eliminação de várias regulamentações inúteis e desburocratização. E a nomeação de centenas de novos juízes tornando o judiciário mais eficiente. Estas foram as conquistas de Trump.

Mas a esquerda não pensa assim. Quando lemos ou assistimos as noticias, parece que tudo aqui é anarquia, caos, e divisão da sociedade, que eles avisam é tanta que se Trump ganhar teremos uma guerra civil.

Alguém disse que se quiser enfurecer um conservador, conte a ele uma mentira. Se quiser enfurecer um esquerdista, diga a ele a verdade. É irônico que o jornal oficial da União Soviética se chamava Pravda. Pravda em russo é “verdade”. Incrível, não?

Tendo nascido e crescido no Brasil, e viajado muito por este mundo afora, nunca achei que os Estados Unidos eram um país normal. Os Estados desta União formam um país excepcional. Nenhum outro país do mundo é mais generoso, dá mais oportunidades para seus cidadãos e para os imigrantes que a América. Em nenhum outro país você sente que o sistema é intrinsecamente bom.

Mas há anos que a esquerda ensina as crianças nas escolas que a América é fundamentalmente ruim, sistematicamente racista e todos os males que vemos acontecer fora da América são por culpa dela.

Nunca houve na história uma sociedade que tivesse ativamente decidido trabalhar contra si própria e destruir suas fundações, supostamente para alcançar uma suposta igualdade social. Hoje a esquerda e Joe Biden acusam Donald Trump por cada morte ocorrida pelo corona. Mesmo que a maioria das mortes tenham ocorrido em estados democráticos, governados (ou mal governados) por democratas. Pessoal, posso categoricamente fazer a seguinte afirmação: o vírus não olha para quem você vota. Ele é um grande equalizador. Donald Trump pegou o vírus. E ele não foi a causa da pandemia. A China é culpada.

O que estamos vendo na América com uma politização maluca de tudo (de tênis da Nike, a de sabores de sorvete do Ben&Jerry, ao vírus), é a erupção mais autodestrutiva de uma sociedade na história da humanidade. E esta onda só traz beneficio aos inimigos da América. Seus amigos estão prendendo a respiração.

O resultado destas eleições irá afetar Israel fundamentalmente. O que Israel tinha conseguido até agora, manter boas relações com ambos os partidos, começou a ser destruído com a eleição de Barack Obama. Quando Trump foi eleito e tomou medidas pró Israel, transferindo a embaixada para Jerusalém, reconhecendo a cidade como capital de Israel, reconhecendo a anexação das colinas do Golan, e os acordos de normalização com países do Golfo Árabe e possivelmente o Sudão, Israel não podia ficar silenciosa. Foi normal um agradecimento efusivo chamando o homem mau Trump de melhor amigo que Israel já teve.

A história mostra que Biden nunca foi amigo de Israel e agora está aliado à ala mais radical da esquerda americana que conta com ativistas muçulmanos virulentamente anti-Israel. Se D-us me livre ele for eleito, Israel irá novamente sofrer as consequências.

Vamos torcer para que isso não aconteça, porque se Biden como presidente espirrar, Israel irá diretamente para a UTI.

Foto: Tom Arthur (Wikimedia Commons)

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