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Negociações com o Irã sem progressos

As negociações realizadas em Omã, na sexta-feira, entre o ministro do Exterior do Irã, Abbas Araqchi, e os enviados dos EUA Steve Witkoff, Jared Kushner e general Bradley Cooper, não resultaram em acordos ou progresso na questão nuclear.

Fontes diplomáticas afirmam que a posição americana, conforme noticiado pelo jornal Israel Hayom, era discutir os quatro temas: a questão nuclear, os mísseis, o apoio e a assistência a organizações terroristas e a violência contra os protestos.

O Irã, por sua vez, exigiu um plano de alívio das sanções que inclua medidas iniciais, mesmo antes de qualquer acordo ser firmado. As fontes afirmam que Araqchi deverá apresentar, na próxima rodada de negociações, um acordo de princípio para discutir as questões em pauta, bem como a posição de seu país em relação às exigências americanas sobre esses temas.

As declarações dos líderes iranianos sobre o assunto, de que não renunciarão ao enriquecimento de urânio em seu território, tinham como objetivo fins internos, no âmbito do debate com o movimento conservador sobre a própria existência das negociações.

A essas informações somam-se relatos vindos do Irã de que os protestos, embora tenham diminuído, não cessaram completamente, e que ainda ocorrem manifestações e outras formas de protesto, como a derrubada de símbolos do regime e pichações em diversas cidades iranianas. A expectativa é de que os protestos se intensifiquem novamente com o fim do período de luto pelas vítimas dos protestos de 8 e 9 de janeiro, na próxima semana. Um grupo de comerciantes do mercado central do Irã convocou a paralisação total das atividades comerciais, devido à morte de milhares de manifestantes e à difícil situação econômica.

O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, não compareceu nesta domingo à reunião anual dos comandantes da Força Aérea Iraniana, quebrando um precedente de 37 anos desde que assumiu o cargo. A reunião anual marca o aniversário de 8 de fevereiro de 1979, quando um grupo de oficiais da força aérea jurou lealdade a Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica e antecessor de Khamenei como líder supremo. A oposição iraniana atribui essa ausência ao temor de um ataque dos EUA contra a liderança iraniana, o que mantém Khamenei confinado em seu bunker.

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As informações sobre o andamento das negociações levantam questões sobre a natureza da visita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a Washington e os motivos para antecipá-la em uma semana. A possibilidade de se tratar de uma viagem de emergência devido a avanços nas negociações é improvável, considerando as informações de fontes diplomáticas.

A opção mais lógica é a continuação do encontro anterior em Mar-a-Lago, no final de dezembro, onde Netanyahu apresentou as informações mais recentes sobre o Irã e suas tentativas de renovar seu programa nuclear e arsenal de mísseis. Na ocasião, o objetivo era convencer Trump de que o problema iraniano precisava ser abordado de forma fundamental, enfraquecendo ou mesmo derrubando o regime. O Irã, segundo a visão israelense, é uma importante fonte de terrorismo que causa instabilidade regional e impede o progresso na implementação da visão de Trump para o Oriente Médio.

Segundo fontes políticas, a missão de convencer Trump foi bem-sucedida, e a maioria dos altos funcionários do governo concordou antecipadamente com a posição israelense. Isso se encaixou bem com os enormes protestos que se espalharam no início de janeiro. Segundo as mesmas fontes, a questão não é se os EUA agirão nessa direção de enfraquecer drasticamente ou derrubar o regime, mas quando e como.

O debate interno na administração, entre a equipe de negociação Witkoff/Kushner e os ministros Rubio e Gasseth, ainda persiste, mas as respostas públicas iranianas e as exigências definidas pelos EUA como “escandalosas” estão fortalecendo o lado linha-dura. Segundo uma fonte americana, em uma discussão interna, um dos ministros afirmou que a direção das negociações não levaria a resultados melhores do que o acordo de Obama (o acordo nuclear de 2015) e que, para resolver a maioria dos problemas na região, é necessário remover o regime do aiatolá “como o Hamas em Gaza”.

As fontes afirmam que o adiamento do ataque exaure a força de ataque e, não menos importante, a capacidade de defesa americana no Oriente Médio. A proteção de bases e ativos estratégicos, bem como de Israel, que provavelmente será alvo de uma resposta iraniana, também é uma prioridade.

No entanto, uma fonte de segurança afirma que pode não haver tal resposta a Israel após um ataque dos EUA, pois está claro para o Irã que isso mobilizará o poder da Força Aérea Israelense para a guerra, levando a um aumento real dos ataques contra o país, especialmente contra seus ativos estratégicos e os líderes do regime. A fonte acrescenta que existe uma grande discrepância entre as capacidades reais do Irã e as declarações arrogantes de seus líderes e chefes militares.

O brigadeiro-general Eyal Tishler, que deverá assumir o comando da Força Aérea de Israel, participa da reunião nos EUA, o que demonstra a natureza da visita, cujo objetivo é também coordenar e transmitir novas informações sobre o Irã. Um dos maiores desafios é elaborar um plano sistemático que inclua medidas pós-ataque para atingir o objetivo desejado com o mínimo de esforço e perdas.

Além disso, as conversas de Netanyahu em Washington também abordarão a questão da implementação da Fase II do plano de Trump para Gaza, tendo em vista a recusa do Hamas em se desarmar. Um diplomata da região envolvido nas negociações disse que o Hamas concordou em princípio em entregar seu armamento pesado, mas sua posição em relação ao armamento leve permanece inalterada: a recusa em se dissolver e o desejo de permanecer como uma entidade organizada na Faixa de Gaza. Netanyahu buscará definir com Trump o prazo que será dado ao Hamas, após o qual Israel poderá retomar seus ataques contra o grupo.

Fonte: Revista Bras.il a partir de Israel Hayom
Fotos: Revista Bras.il a partir de Wikimedia Commons e Canva

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