Netanyahu aceita convite para o Conselho de Paz
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aceitou o convite do presidente dos EUA, Donald Trump, para integrar o novo Conselho de Paz, informou o gabinete do premiê nesta quarta-feira. A decisão ocorre em meio a uma onda de recusas na Europa: Suécia, Noruega e Alemanha já anunciaram que não participarão da iniciativa.
O Conselho, proposto por Trump e presidido vitaliciamente por ele, começaria abordando o conflito em Gaza e depois ampliaria seu escopo para outras guerras. Para obter adesão permanente, os países membros seriam obrigados a pagar uma taxa de US$ 1 bilhão cada. Diplomatas ocidentais alertam que o novo órgão pode minar o trabalho das Nações Unidas.
Netanyahu já havia criticado a inclusão de Turquia e Catar no braço operacional do conselho para Gaza, o Conselho Executivo, e a dúvida era se ele legitimaria o grupo ao aceitar o convite.
Além de Israel, o Egito e o Paquistão também confirmaram participação. O presidente do Egito, Abdel-Fattah el-Sissi, afirmou que o país “aceita o convite e apoiará a missão do conselho na segunda fase do plano para encerrar o conflito em Gaza”.
Até agora, o conselho conta com a adesão de Argentina, Azerbaijão, Bahrein, Bielorrússia, Hungria, Cazaquistão, Kosovo, Marrocos, Emirados Árabes Unidos e Vietnã, entre outros. Convites foram enviados a cerca de 60 países, mas poucos aceitaram sem reservas.
O Kremlin informou que Vladimir Putin também foi convidado. Questionado sobre a participação de Putin, o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, respondeu: “Acho que sim”.
LEIA TAMBÉM
- 21/01/1963 – Irã ameaça prender e julgar Trump e Netanyahu
- 20/01/2026 – Maioria dos parlamentares europeus apoia Israel
- 20/01/2026 – Autópsias de bebês provocam protestos violentos
Na Europa, cresce a preocupação. O Reino Unido já demonstrou receio sobre os convites a Putin e Alexander Lukashenko, o presidente da Bielorrússia. A França afirmou que “não pode aceitar” a proposta “nesta fase”, temendo que o conselho prejudique a ONU. A Itália também sinalizou que não participará, alegando que a adesão a um órgão liderado por um único país poderia violar sua Constituição.
Trump deve formalizar o grupo em uma cerimônia em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial. A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, embora alinhada a Trump, provavelmente não irá ao evento, segundo fontes.
Noruega e Suécia confirmaram oficialmente que não participarão. O governo norueguês disse que a proposta exige “diálogo mais aprofundado” e que o país manterá cooperação com os EUA, mas não assinará o acordo. O primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson afirmou que a iniciativa não será aceita “com o texto atual”.
Originalmente, o Conselho foi apresentado como órgão voltado exclusivamente à gestão da Faixa de Gaza após o conflito com Israel, e o Conselho de Segurança da ONU chegou a votar a favor de um mandato de dois anos. No entanto, a carta constitutiva do grupo não menciona Gaza e critica a ONU, afirmando que o novo conselho deve ter “a coragem de se afastar de abordagens e instituições que falharam com demasiada frequência”. Questionado se o Conselho deveria substituir a ONU, Trump respondeu: “Pode ser que sim”.
Fonte: Revista Bras.il a partir de The Times of Israel
Foto: Matty Stern (Embaixada dos EUA em Israel, via Wikimedia Commons)

