Os árabes israelenses são discriminados?

Por David S. Moran

Todos os cidadãos israelenses têm direito de se expressar, seja pelos meios de comunicação ou por manifestações populares, contanto que sejam autorizados. No último sábado (6) à noite, no centro de Tel Aviv, na Praça Rabin, em frente à prefeitura de Tel Aviv, aglomerou-se uma multidão, estimada em 2.000 pessoas. A maioria dela, formada por árabes israelenses e minoria de judeus, pertencentes a organizações e partidos da esquerda. Os organizadores pediram e receberam autorização.

A livre expressão de opinião é um privilégio da sociedade democrática, como é a israelense. Só que as vezes, há pessoas e ou organizações que ultrapassam os limites e se identificam com o outro lado. No caso israelense, com os palestinos – que não reconhecem o direito de existência de Israel – hasteando bandeiras palestinas e com a tirania e opressão comunista, vestindo camisetas vermelhas e erguendo bandeiras vermelhas. Com foice e martelo amarelos no canto. O caso contrário não poderia acontecer.

Para irritar mais a população de Israel, eles expuseram cartazes com os dizeres: “Não podemos respirar desde 1948”, ou “Vidas palestinas valem” (foto). Isso já é demais ao cidadão. É enfiar os dedos nos seus olhos, principalmente, quando no coração de Tel Aviv, os manifestantes entoam o hino palestino: “Biladi, biladi” (Pátria, Pátria). Trinta e três organizações se juntaram neste caso para se expressar contra a anexação e o Plano do Século.

Antigamente, o Partido Comunista Israelense era formado por judeus e árabes que lutavam por seus “ideais” e clamavam por “paz e igualdade”. Atualmente, a grande maioria dos adeptos do PCI (MAKI, em hebraico) que se transformou em HADASH (Frente Democrática pela Paz e Igualdade) são árabes e alguns extremistas judeus, como o deputado Dr. Ofer Cassif, que leciona livremente Ciências Politicas na Universidade de Tel Aviv.

Se os palestinos querem mostrar Israel como um país de apartheid e injustiça, eles estão fora da realidade israelense, como o co-fundador do movimento que prega o boicote, sanções e desinvestimento (BDS) no Estado de Israel, Omar Barghouti. Este nasceu em Qatar, viveu no Egito e depois EUA. Casou-se com uma árabe-israelense e veio viver em Acco (Acre), estudou e formou-se na Universidade de Tel Aviv, mas prefere incitar contra Israel.

Em todas as universidades israelenses há estudantes árabe-israelenses, que somam 17% do total de estudantes, mais da metade mulheres. Estas estão em processo de modernização e transformação na sociedade árabe, para se adequar à sociedade geral israelense. Não têm limitações para estudar e quem hoje precisa de farmacêutico, sabe que provavelmente vai ser servido por farmacêutica árabe, o mesmo ocorre nas áreas da medicina. Em pelo menos dois hospitais no norte do país, em Naharia e Safed – que atendia a feridos sírios – os diretores são árabes. O Comandante da Divisão Médica do Exército de Defesa de Israel é o General Tarif Bader não é judeu, é druzo.

O Dr. Masud Gnaim, árabe de Baka ak Garbia, formou-se em microbiologia e neurologia na Universidade de Ben Gurion, em Beer Sheva. Nos últimos oito anos, é cientista na indústria farmacêutica Teva, onde desenvolve remédios (Yediot Ahronot, 24.3.2018).

No Knesset israelense, o terceiro maior partido é a Lista Árabe Unida, com 15 deputados. No passado o deputado Azmi Bishara, do Balad, foi acusado de passar informações a Hizballah e fugiu para o Qatar, um passo antes de ser preso. Outro colega seu cumpre pena de prisão por abusar de sua imunidade e contrabandear dezenas de celulares para terroristas em prisões israelenses.

No dia a dia, judeus e árabes trabalham ombro a ombro, sem problemas. A falta de confiança vem dos acontecimentos que ocorrem de vez em quando e ameaçam esta harmonia. Não quero generalizar, mas a sociedade árabe ainda vive no seu mundo patriarcal, machista com suas regras, muitas vezes superando as leis dos países onde vivem e não somente em Israel. Segundo artigo no New York Times, publicado esta semana, cerca dos 30% dos assassinatos no Irã (persas e não árabes, mas têm certos valores iguais) são mortes em “honra da família”. Infelizmente, isto ocorre também em Israel.

Nesta quarta (10), dois irmãos de 21 e 30 anos, moradores de Taibe, foram presos suspeitos de assassinar sua própria irmã de 36 anos e mãe de cinco filhos. Não gostaram do seu comportamento “liberal”.

O diretor da “Área de Planejamento, Igualdade e Vida Compartilhada”, em Givat Haviva, Muhammad Darawsha, diz : “antigamente trabalhar num serviço governamental, era tido como traição. Hoje, muitos árabes desejam postos governamentais para seus filhos. Ser policial era considerado traição e hoje é normativo. Há um processo de “israelização” na sociedade árabe”.

O Comissário policial (patente igual a general, no Exército) Jamal Hakroush, primeiro árabe muçulmano a chegar para esta patente, atualmente, é Comandante do Departamento de Melhoria do Serviço Policial na Comunidade Árabe. Já conseguiu abrir 12 estações policiais em cidades e aldeias árabes e recrutar 300 policiais árabes, dos quais 32 são mulheres. É uma verdadeira revolução ali.

Numa pesquisa sobre sua identificação, os árabes-israelenses identificam-se na sua identidade religiosa (36%), identidade árabe (28%), israelense (20.6%) e palestina (14.8%). A maioria (36%) quer integração à sociedade israelense, destes 27.9% se identificam com Israel e 11.5% como palestinos (Pesquisa do Instituto Shaharit, 17.4.2019).

Os árabes-israelenses que se opõem ao Plano do Trump, temem que no arranjo a fronteira será remarcada e a sua área – entre Kfar Saba e Natânia – será entregue a Autoridade Palestina. Sua recusa parte de: “somos cidadãos israelenses, e queremos igualdade, antes de tratar da transferência da população do “Triângulo”.

O juiz árabe-cristão, Salim Joubran, foi o primeiro juiz nomeado para a Suprema Corte de Israel.

Se a vida dos árabes é tão ruim como declaram os anti-israelenses, como é possível explicar a vinda de dezenas de milhares de muçulmanos do Sudão e da Eritreia, que tinham atravessado deserto, mar, a longa Península de Sinai, para chegar à fronteira de Israel com o Egito e invadir para o Estado Judeu? Ultimamente estão testando invadir pela fronteira libanesa.

Israel é forte em várias áreas, mas negligencia a área da informação, apesar de ter ótimo produto.

Ultimamente alguns cidadãos árabes dão conferencias em universidades, programas de TV e onde são convidados, para mostrar o outro lado. Um deles é Yuosuf Hadad de 35 anos, árabe-muçulmano, que serviu o exercito, foi oficial “dei ordens a soldados judeus, como qualquer outro oficial”, foi gravemente ferido por míssil lançado pela Hizballah. Numa recente entrevista na África do Sul, país hostil a Israel, ao lado de um ativista do BDS, lhe contestava o tempo todo, até este emudecer. Depois lhe perguntou: “Se Israel descobrir remédio contra o coronavírus, você o tomaria?”. O ativista se esquivava. Aí Yousuf explicou à mediadora e aos espectadores: “se ele disser sim, é hipócrita, pois luta a favor do boicote a produtos de Israel e se disser não, ele colabora para que muitos morram com a falta do remédio” (Hidabrut, 10.5.2020).

A Roula (mudou para Sara) Zouabi, muçulmana de 47 anos, se autoproclama “israelense, árabe, muçulmana e sionista orgulhosa” (Ma’ariv, 20.11.2018) e há muitos outros que podem atestar melhor aonde querem viver. Sob regime autoritário, ditatorial, perseguindo minorias, sem livre expressão como na corrupta Autoridade Palestina ou na Faixa de Gaza, sob o regime teocrata corrupto da Hamas. A grande maioria responderia que gostaria de viver numa democracia, livre e igualitária como é o Estado de Israel.

Um comentário em “Os árabes israelenses são discriminados?

  • 12 de junho de 2020 em 23:48
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    Duda, artigo maravilhoso e o compartilhar eu com muita satisfação. Parabéns pela exposição clara, correta e completa.

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