Rafah usa carimbo “Estado da Palestina” em passaportes
O chefe do Shin Bet, David Zini, confirmou durante reunião de gabinete do primeiro-ministro que os habitantes de Gaza que atravessam a fronteira de Rafah estão recebendo carimbos em seus passaportes com a inscrição “Estado da Palestina”, uma designação associada a documentos oficiais da Autoridade Palestina (AP).
A declaração foi dada em resposta a uma pergunta da ministra dos Assentamentos e Missões Nacionais, Orit Strock, que já havia levantado preocupações sobre o uso de carimbos ligados à Autoridade Palestina na travessia de Rafah, bem como o que ela descreve como envolvimento de fato da Autoridade Palestina na operação, desde o início de 2025, como parte de um acordo anterior de reféns por cessar-fogo.
O ministro Zeev Elkin, responsável pelo desenvolvimento do Negev e da Galileia, questionou se os guardas e funcionários administrativos da travessia estavam recebendo salários da Autoridade Palestina. Em resposta, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pediu que se explorasse a possibilidade de substituir o carimbo atual por um selo do “Conselho da Paz”, órgão proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em seu plano de paz para Gaza, como forma de afastar qualquer associação com a Autoridade Palestina.
As tensões em torno do uso de símbolos da AP aumentaram na semana passada, depois que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (CNAG) divulgou um novo logotipo contendo o emblema da Autoridade Palestina. O gabinete do primeiro-ministro esclareceu que o logotipo apresentado a Israel era diferente do publicado online e reiterou que “Israel não aceitará o uso de um símbolo da Autoridade Palestina. A Autoridade Palestina não terá participação na administração de Gaza”.
Historicamente, a Autoridade Palestina orientou seus funcionários a utilizarem “Estado da Palestina” em documentos oficiais, embora a maioria dos papéis continue a usar “Autoridade Palestina”. O Shin Bet se recusou a comentar o conteúdo das discussões do gabinete, limitando-se a dizer que não comenta reuniões a portas fechadas.
O líder da oposição, Yair Lapid, reagiu à aprovação dada pelo chefe do Shin Bet, David Zini. Lapid escreveu no X: “Pela milésima vez: em vez da Turquia, do Catar e da Autoridade Palestina, o Egito deveria ter administrado Gaza pelos próximos 15 anos. O fato de Israel ter desistido da opção egípcia é uma cegueira estratégica e um clamor para as próximas gerações”.
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O deputado Oded Forer, do partido Israel Beiteinu, escreveu: “Só falta entregar os passaportes e pedir desculpas pela perturbação”.
Fonte: Revista Bras.il a partir de Ynet e Matzav
Foto (ilustrativa): Canva

