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Trump ameaça o Irã, mas…

Por David S. Moran

A atual onda de violência no Irã começou no final de dezembro de 2025 e continua no início do ano 2026. Entre os motivos, podemos mencionar a catástrofe econômica, inflação altíssima, falta de água, elevação até do preço do combustível. É um momento decisivo em que o próprio povo iraniano quer mudar o regime e é uma boa oportunidade para as pessoas de bem no mundo, ajudá-lo.

O presidente americano advertiu os líderes religiosos do Irã, para não ordenar matar os rebeldes que saem as ruas, “pois agirei com força total”. Os dias foram passando, os aiatolás ordenaram e os Guardas Revolucionários com a milicia Basij foram às ruas e, aos poucos, foram aumentando o número diário de mortos. Trump continuou a falar alto, sem agir e, assim, perdendo a credibilidade dos iranianos e do mundo. Ele devia ter aprendido a frase do filme “O bom, o mal e o feio”: if you want to shoot, shoot, don’t talk (Se você quer atirar, atire, não fale). Na terça-feira (13/01), Trump ameaçou de novo. Ele parece não entender a mentalidade do Oriente Médio, pois na quarta-feira (14/01) o Chefe do Sistema Judicial iraniano lhe deu o troco, anunciando: “devemos fazer julgamentos mais rápidos e execuções. Se demorarmos duas ou três semanas, não teremos o mesmo efeito”.

As informações do Irã não são precisas, mas sabe-se que centenas de milhares saem às ruas em todo o país, apesar do frio e do mau tempo reinante e desafiam as autoridades. Milhares já pagaram com suas vidas e o governo vai a hospitais e retira feridos e os executa sumariamente.

No mundo, ouvem-se vozes condenando as ações do Irã, mas mesmo depois de três semanas, a ONU não teve tempo de se reunir e debater o assunto.

A população tenta se levantar contra o regime clerical, radical e nada humano dos aiatolás. O regime, nada piedoso, assassina centenas e milhares de mulheres, crianças e homens, cujos familiares têm que achá-los abrindo sacos plásticos contendo os corpos. A ONU não tem tempo de debater o assunto, mas onde estão todas as organizações de Direitos Humanos, ou até mesmo dos Direitos dos Animais que nada emitem nem condenam as mortes. Será que porque Israel não está envolvido, todos emudecem? Onde está a vagabunda, amante de publicidade, a sueca Greta Thunberg, que luta pelos animais, pelos palestinos, mas não ouviu nada do massacre de civis iranianos. Será que para a esquerda dos cineastas de Hollywood e do mundo, o sangue dos iranianos não é tão vermelho como dos palestinos? E o Erdogan não vai enviar uma flotilha para alimentar pobres iranianos que realmente estão passando fome e frio.

Trump exorta os iranianos a continuar a luta e se apoderar de instituições, enquanto ele passeia no calor da Florida e os iranianos estão no frio de pleno inverno. De acordo com o Wall Street Journal, Omã, Catar e Arábia Saudita pressionam os EUA para não atacar o Irã pela ameaça ao mercado de petróleo. Vidas humanas valem menos que o preço do barril de petróleo. Mas, o governo americano sabe que esta é uma oportunidade que lhe cai de acabar com a cabeça da víbora que alimenta todos os males da região: Hamas, Jihad Islâmica, Hizballah, jihadistas na Síria, no Iraque e símbolos para outras nações radicais.

Na quarta-feira (14/01) o mundo estava em expectativa esperando a fala dramática do Trump. Mais uma vez, o presidente americano se esquivou. Falou de tudo, menos do esperado, o iminente ataque contra o regime iraniano. Apenas disse: “fui informado de que as matanças cessaram. Se isto não é verdade, vou ficar muito zangado”. Acabou o flope da coletiva.

Os aiatolás governam o Irã há 47 anos a mão de ferro e chegou a hora de dar ao povo iraniano um pouco de liberdade para poder avançar e prosperar como foi no passado, para um grande futuro. Se isto acontecer, será um exemplo aos demais países da região, que viverão com mais paz e prosperidade. Será que milhares morreram em vão neste ciclo de violências?

Foto: Domínio público (via The Guardian)

Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam necessariamente a opinião da Revista Bras.il.

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