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Trump exige US$ 1 bilhão para assento no Conselho de Paz

O governo Trump informou aos países que desejam um assento permanente no novo Conselho de Paz de Gaza (BoP – Board of Peace), que será responsável pela reconstrução da Faixa de Gaza e pelo desarmamento do Hamas, que eles devem contribuir com “pelo menos um bilhão de dólares”, informou a Bloomberg News, na noite de sábado.

“Cada Estado-Membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da entrada em vigor desta Carta, sujeito a renovação pelo presidente”, dizia uma minuta da carta para o Conselho, que teria sido vista pela Bloomberg.

“O período de adesão de três anos não se aplicará aos Estados-Membros que contribuírem com mais de US$ 1.000.000.000 em fundos em dinheiro para o Conselho de Paz durante o primeiro ano de entrada em vigor da Carta”.

Segundo a Bloomberg, a carta descreve o Conselho de Paz como “uma organização internacional que busca promover a estabilidade, restaurar a governança confiável e legal e garantir uma paz duradoura em áreas afetadas ou ameaçadas por conflitos”, e só se tornaria oficial após a aprovação da proposta por três “Estados-Membros”.

A minuta do estatuto do conselho estabelece que Trump será o primeiro presidente e decidirá quem será convidado a se tornar membro. Todas as decisões serão tomadas por maioria de votos, e cada Estado-membro presente terá direito a um voto, mas todas estarão sujeitas à aprovação do presidente.

Segundo fontes familiarizadas com o assunto, a proposta parece sugerir que o próprio Trump controlaria o dinheiro, o que seria considerado “inaceitável” pela maioria dos países que poderiam integrar o comitê. Vários países se opõem veementemente à proposta de Trump e estão trabalhando em conjunto para apresentar propostas alternativas.

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Trump também terá autoridade para destituir um membro, sujeito a veto por maioria de dois terços dos estados membros. “O presidente deverá, em todos os momentos, nomear um sucessor para o cargo”, afirma o tratado.

Representantes da Casa Branca não responderam imediatamente ao pedido de comentário da Bloomberg.

A Casa Branca anunciou, na sexta-feira, que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, Jared Kushner e Tony Blair estarão entre os membros fundadores do novo Conselho.

Líderes de mais de 60 países foram convidados a participar do Conselho da Paz.

“Parece que Trump está construindo aqui uma organização que lidará não apenas com Gaza, talvez ‘uma espécie de mini-ONU'”, disseram diplomatas ocidentais ao The Jerusalem Post.

Reportagens da mídia canadense afirmaram que o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, foi convidado a integrar o conselho e aceitou o convite.

As autoridades turcas anunciaram que o presidente Recep Tayyip Erdogan também estava entre os possíveis novos membros do Conselho da Paz.

Sobre o convite de Trump, o Ministério do Exterior do Egito, afirmou em uma coletiva de imprensa que o governo está analisando o convite feito ao presidente Abdel Fattah El-Sisi para integrar o conselho.

O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou que foi convidado por Trump para integrar o Conselho e divulgou um comunicado aceitando o convite e agradecendo ao presidente americano.

O presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, também foi convidado por Trump para fazer parte do Conselho.

O convite ao Brasil chama atenção porque Lula tem histórico de posicionamentos críticos às ações militares de Israel. Em setembro de 2025, Lula declarou que o cenário em Gaza não se tratava de guerra, mas de genocídio, afirmando que civis estavam sendo mortos por um exército altamente armado.

Em diversos discursos, no Brasil e em fóruns internacionais, Lula disse que as ações das FDI em Gaza não são somente uma tentativa de “extermínio do povo palestino”, mas, sim, uma tentativa de “aniquilamento de seu sonho de nação”.

Diferentemente dos Estados Unidos e de Israel, o Brasil reconhece o Estado da Palestina.

Fonte: Revista Bras.il a partir de The Jerusalem Post, Em Tempo e G1
Fotos: Wikimedia Commons

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