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Trump novamente amarela (TACO)

Por David S. Moran

As notícias sobre um iminente ataque americano contra o Irã e as possíveis negociações entre os dois países para tentar evitar o ataque correm, e muito, pelo mundo todo. A “magnifica armada” como a chamou o presidente Trump, praticamente já está formada nas águas do Golfo Árabe, perto do Irã.

Trump que fala alto, ameaçando os aiatolás do Irã (bem como fez no caso de conquistar a Groelândia, quem se lembra disso?), está começando a entender que os iranianos são exímios negociadores e ele é um TACO (Trump Again Chichen Out – Trump Novamente Amarela).

No último fim de semana, um destroier americano aportou no porto de Eilat, no sul de Israel. Ao mesmo tempo soube-se que o Comandante do Serviço de Inteligência israelense com outros oficiais conferenciou com altas patentes em Washington. Separadamente, vazou que o chefe do Estado-Maior das FDI, tenente-general Eyal Zamir, também esteve nos EUA com comitiva de altas patentes. Ele se encontrou com seu par americano e equipe, discutiram todas as possibilidades e suas consequências. Esses encontros mostram a estreita coordenação entre os Estados Unidos e Israel. Ao mesmo tempo, os militares israelenses apresentaram aos americanos as várias possibilidades como Israel as vê e os seus interesses. No final do encontro, os israelenses não sabem se os EUA atacará o Irã, mas avaliam que o presidente Trump ordenará o ataque.

Enquanto isto não acontece, há noticias de que agências americanas veem a retirada de bilhões de dólares do Irã para contas no exterior. Trata-se de dinheiro das mais altas patentes do governo e das Guardas Revolucionárias. Ressalte-se que 27 ministros do Exterior europeus, finalmente, decidiram qualificar as Guardas Revolucionárias como organização terrorista.

Ao mesmo tempo os iranianos também mexem os pauzinhos. Na sexta passada (30/01), Ali Larijani, presidente do Parlamento, se encontrou com Putin e o ministro do Exterior iraniano esteve com seu par russo e com o presidente da Turquia, Erdogan. O primeiro ministro do Catar também esteve em Teerã e falaram dos acontecimentos na região. A Arábia Saudita joga comm duas vozes. Numa diz que não permitirá aos caças israelenses passarem pelo seu espaço aéreo e, em Washington, o ministro da Defesa saudita disse que se Trump não agir contra o Irã, isto fortalecerá o atual regime iraniano. Neste final de semana, aconteceram quatro explosões em vários lugares, causando mortes e feridos. As autoridades iranianas disseram que as explosões foram por vazamento de gás.

Parece que os iranianos não temem o poderio americano e dos seus aliados, como a Inglaterra, que estão por perto de suas fronteiras e, há alguns dias, seis barcos das Guarda Revolucionária tentaram abordar um petroleiro americano e levá-lo a um dos seus portos. Só não o conseguiram pela intervenção de um destroier americano que estava perto. Ao mesmo tempo, os iranianos queriam ver até que ponto está o alerta deles e um drone estava a caminho do porta-aviões USS Abraham Lincoln. Os americanos perceberam o trajeto e logo o destruíram.

Então, as negociações foram marcadas para hoje, sexta feira, na Turquia. Dias depois, os iranianos queriam mudar o local para Musqat, no Omã. Os americanos aceitaram. Aí, o Irã avisou que só vai tratar do assunto nuclear, enquanto os americanos querem tratar disso e dos misseis balísticos, da paralização de ajuda aos “proxies” do Irã e do fim da opressão ao povo iraniano. Os EUA então cancelaram as negociações. Só que duas horas depois, confirmaram que as negociações serão em Musqat, na sexta. Quem fez os americanos mudarem de ideia, foram os países árabes que pressionaram o governo que, novamente, cedeu.

É impressionante que a situação no Irã é caótica, internamente e com as derrotas dos seus aliados, Hamas, Hezbollah e Houtis. Não há nenhuma dúvida de que eles são ótimos negociadores, mas, esta é a oportunidade dos EUA, como guardião da democracia, intervir a favor do povo iraniano e a favor dos países árabes aliados, que temem o Irã e também a favor de Israel. O regime islâmico declara que sua meta é destruir o Estado de Israel.

Se o governo Trump não agir e derrubar este governo iraniano, tirano e radical, o povo iraniano, que está subjugado a este governo há 46 anos, continuará a sofrer. Os países vizinhos também sofrerão e, principalmente, se o projeto nuclear do Irã não for interrompido, esta será uma ameaça constante e outros países buscarão obter poderio nuclear para poder se proteger (e ou destruir) numa guerra nuclear. O raciocínio dos radicais, fanáticos xiitas do Irã não é o raciocínio dos ocidentais e eles, eventualmente, poderiam usar arma nuclear para tentar obter seus objetivos.

Foto: Departamento de Guerra dos Estados Unidos

Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam necessariamente a opinião da Revista Bras.il.

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