A guerra suja do Hamas contra Israel
Por David S. Moran
Mesmo as guerras têm regras e leis. Isto vale para quando dois países guerreiam, mas quando uma organização terrorista, como o Hamas luta contra Israel, as regras internacionais desaparecem. As tropas de Israel descobriram que debaixo de hospitais, que devem estar fora da zona de luta, os terroristas do Hamas escavaram túneis e até quartéis subterrâneos, achando que assim estariam salvos e levariam vantagem sobre o Exército de Defesa de Israel (Tsahal). Esta ação contraria as leis de Genebra sobre guerras.
As forças israelenses, notaram que terroristas do Hamas colocaram câmera no último andar do hospital Nasser em Khan Younes. Esta câmera filmava todas as atividades do Tsahal. A ordem foi dada para destruir a câmera. Um drone foi lançado para não atingir civis e não teve sucesso. Então optaram por lançar uma bomba de tanque, que não acertou o alvo e, numa segunda tentativa, a bomba destruiu a câmera e causou fatalidades, cerca de 15 pessoas morreram. Entre eles 6 terroristas, 4 jornalistas locais a serviço de agências internacionais.
O diretor do hospital, Atef Al Hout disse a TV Al Arabia: “o exército israelense atingiu o 4º andar, sem dar aviso prévio”. Neste andar, os terroristas colocaram a câmera para acompanhar as atividades das FDI.
Evidentemente é um ato trágico, mas a imprensa mundial deu manchetes ao acontecimento devido a morte de jornalista e a atual onda de anti-Israel. Mesmo na invasão dos terroristas do Hamas ao território israelense em 7 de outubro 2023, entre eles figuravam “jornalistas”. Quando Israel revidou e entrou na Faixa de Gaza, descobriu que debaixo de hospitais locais, havia uma rede de túneis que serviam o Hamas e até mesmo quarteis generais de baixo do solo. Fato inaceitável já que, como dito, os hospitais, mesquitas, sinagogas e igrejas devem estar fora dos combates.
Posso dar testemunho pessoal. Na Guerra do Líbano, o porta voz militar me pediu para acompanhar a mídia portuguesa ao Líbano por falar português. Vieram repórteres da TV, rádio e jornais e minha missão era de apenas protege-los e nada mais. Entramos no Líbano e a primeira parada foi o grande campo de refugiados de Ein al Hilue. Mesmo vendo um oficial israelense armado com Uzi, logo que descemos do carro, se aproximaram de nós dois palestinos, porta-vozes da OLP, um falava inglês e um francês. Afinal de contas eles não podiam adivinhar o idioma dos portugueses. Eles nos levaram pelas ruas do campo, até o hospital local. Reparamos que o seu último andar foi destruído. Os portugueses lhes perguntaram o que ocorreu ali. Os porta vozes da OLP contaram que o hospital estava fora dos combates e quando as forças da OLP viram que estavam perdendo terreno, levaram um canhão antiaéreo ao teto e de lá tentaram alvejar os caças israelenses. Só aí é que a aviação israelense alvejou o canhão e o destruiu. Eles revelaram para nós que só depois deles usarem o hospital como um posto militar que Israel o atacou. Além do mais, no porão do hospital encontramos milhares de uniformes militares da OLP, que era sinal da presença de terroristas no hospital. Continuando até Beirute, eles viram que a população jogava em nós arroz, sinal de boas vindas e felicidades por livrá-los dos terroristas da OLP.
É bem difícil aos ocidentais entender o comportamento de árabes e muçulmanos. Nós pensamos no comportamento ocidental, que para eles é sinal de fraqueza. Assim, é difícil entender gazenses que vinham até a fronteira com familiares doentes e israelenses, que eram recebidos por moradores dos kibutzim que os levavam aos hospitais israelenses para serem tratados. Muitos destes, depois, invadiram com as forças do Hamas os kibutzim e mataram seus benfeitores. Dá para entender uma atitude dessa?
Basta ver o comportamento de judeus e israelenses em manifestações no mundo, quando não há destruição, enquanto os protestos realizados por árabes, muçulmanos e gente ingênua invadem museus, sinagogas, lojas ou restaurantes e destroem tudo pela frente Pura selvageria.
A atual situação do Oriente Médio
Líbano. Depois que Nasrallah foi morto, o Hezbollah sofreu uma grande derrota e, atualmente, os EUA estão mediando um acordo entre o Líbano e Israel. Israel exige que os remanescentes das forças armadas da Hezbollah sejam desarmados e que os dois países convivam em paz. Aliás, quando os cristãos do Líbano eram a força principal, acreditava-se que o primeiro país a assinar acordo de paz seria o Líbano. Infelizmente não o foi.
A Síria. Inacreditavelmente o arquiterrorista Al Julani conseguiu tomar o poder no feudo dos Assad, trocou o uniforme de terrorista e veste terno com gravata. Recebe apoio dos EUA e parece estar disposto a ter acordo de segurança com Israel. O Estado judeu interveio na tentativa de extermínio dos drusos sírios no sul do país, por forças do ISIS. Na terça-feira (19/08), em Paris, encontraram-se o ministro de Assuntos Estratégicos de Israel, Ron Dermer, com o ministro do Exterior sírio, Asaad al Shibani e até a mídia síria o publicou. No dia 24 de setembro A Sharaa dará seu primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU e talvez traga notícias positivas.
Ao longo da fronteira jordaniana ao leste de Israel, o rei Abdullah depende dos palestinos e também de Israel que lhe fornece água potável e energia. Ao mesmo tempo, há as preocupações de invasão, pois esta é a mais longa fronteira com Israel.
No Sul, o Egito mantem o acordo de paz com Israel, mas impede a saída de palestinos de Gaza (que antigamente pertencia ao Egito) ao seu vasto território e até concentra mais tanques e blindados no deserto de Sinai do que o acordo de paz com Israel lhe permite. Fala-se na possibilidade do Egito tomar as rédeas em Gaza se e quando Hamas sair de lá.
O Irã, que levou uma surra de Israel e dos EUA, continua a ameaçar Israel e também faz uso dos seus aliados, os Houtis do Iêmen. Estes continuam lançar misseis e drones tentando causar danos em Israel a 2.000 km de distância. Esta semana, os houtis lançaram pelo menos três misseis em direção a Israel, que foram eliminados, mesmo antes de entrar no espaço aéreo de Israel. A aviação israelense revida e na quinta (28/08) atacou uma reunião que contava com líderes políticos e militares em Sanaa.
Na Faixa de Gaza as tropas israelenses se preparam para lançar o último ataque e retomar a cidade de Gaza, último reduto do Hamas, que ainda tem 20 reféns israelenses vivos (segundo Trump, “talvez menos”) e 30 corpos de israelenses mortos pelo Hamas. Netanyahu sempre esteve a favor de um acordo parcelado enquanto o Hamas queria um acordo final e se manter em Gaza. Agora, Netanyahu parece que quer um acordo final e não responde a proposta do Hamas.
Enquanto isto, há 693 dias, os sequestrados encontram-se nos túneis do Hamas em condições sub-humanas e sem nenhuma assistência da ONU, Cruz Vermelha ou qualquer entidade de direitos humanos. Não há nenhuma dúvida de que Israel destruiu o Hamas militarmente, seu líder, Sinwar foi morto e agora é só questão política, de Netanyahu decidir quando termina a guerra.
Foto: Wikimedia Commons
Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não expressam necessariamente a opinião da Revista Bras.il.