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Conferência em Jerusalém traça planos contra o antissemitismo

A Segunda Conferência Internacional de Combate ao Antissemitismo, Generation of Truth, realizada em 26 e 27 de janeiro em Jerusalém, reuniu líderes mundiais, parlamentares, acadêmicos e especialistas para discutir estratégias contra o antissemitismo e a preservação da memória do Holocausto, em meio a preocupações crescentes com a hostilidade global contra judeus.

O evento foi organizado pelo Ministério de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo, liderado por Amichai Chikli.

O primeiro dia contou com discursos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que classificou o antissemitismo como ameaça global e chamou governos a enfrentá-lo como ataque à “civilização comum”, ressaltando que “se lutarmos, venceremos”.

Em seu discurso, o presidente de Israel, Isaac Herzog, definiu negar o direito à autodeterminação judaica como uma forma contemporânea de antissemitismo e enfatizou o fracasso em cumprir o compromisso do “Nunca Mais”.

Mike Huckabee, embaixador dos EUA em Israel, definiu o antissemitismo como “doença espiritual de mal puro” e destacou que ficar em silêncio é conivência.

O primeiro dia do evento também incluiu um reconhecimento ao legado do ativista conservador Charlie Kirk, com a entrega de um prêmio em sua homenagem ao seu pastor, Rob McCoy.

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Em sessões no dia 27, em alinhamento com o Dia Internacional da Memória do Holocausto, líderes destacaram a necessidade de defender a memória histórica e adotar abordagens práticas de cooperação global. Debates abrangeram educação, legislação e respostas coordenadas ao aumento de ataques e discursos de ódio antissemitas.

O encontro destacou a urgência de ação internacional diante da intensificação de preconceito e violência, reforçando compromissos políticos e diplomáticos com a luta contra o ódio a judeus e a preservação da memória do Holocausto.

O presidente Isaac Herzog voltou a discursar no segundo dia do evento (assista aqui) e destacou que “há 81 anos, os portões de Auschwitz se abriram e o mundo contemplou a escuridão do mal absoluto. Aqui em Jerusalém, o símbolo eterno do povo judeu e a capital do Estado independente de Israel, nos reunimos para recordar, testemunhar e agir. A mesma velha praga ressurgiu em nossas sociedades. Embora as formas possam ser diferentes, o veneno permanece: o antissemitismo. Negar ao povo judeu, e somente ao povo judeu, o direito à autodeterminação em sua pátria nacional é antissemitismo, mesmo que você ocupe um cargo público na cidade com a maior população judaica fora de Israel. A forma como respondemos a isso importa”.

Amichai Chikli, ministro de Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo, anfitrião do evento, destacou que o aumento do ódio ameaça não só judeus, mas toda a memória do Holocausto, e ressaltou a importância de uma ação conjunta além das fronteiras.

Leo Terrell, chefe da força-tarefa do Departamento de Justiça dos EUA para combater o antissemitismo, recebeu a Medalha de Honra de Israel por seus esforços contra o antissemitismo no país. Terrell disse que o reconhecimento reforça seu compromisso inabalável. “Meu objetivo e compromisso são simples: combater o antissemitismo 24 horas por dia, 7 dias por semana”, afirmou Terrell em um discurso após a apresentação.

Edi Rama, primeiro-ministro da Albânia, defendeu cooperação legislativa e educacional para enfrentar a negação histórica e o discurso de ódio. “Cada nova vida judaica, cada judeu recém-nascido é uma bênção. Não só para Israel, mas para o mundo. O mundo tem uma dívida moral para com o povo judeu,” disse ele. Rama destacou que ao término da Segunda Guerra Mundial, seu país abrigava mais judeus do que no início da guerra, passando de cerca de 200-300 em 1939 para mais de 3.000 em 1945. Famílias albanesas, protegidas pelo código de honra Bessa, acolheram e esconderam refugiados judeus, recusando-se a cooperar com as exigências nazistas de deportação (assista ao vídeo sobre Tirana e o Memorial do Holocausto).

Sebastian Kurz, ex-ministro do Exterior da Áustria, reforçou a necessidade de políticas públicas que confrontem radicalismos e preservem a história do Holocausto.

Em seu discurso, o rabino Yehoram Ulman, chefe do tribunal rabínico de Sydney, na Austrália, e fundador do Chabad de Bondi, reforçou a importância de preservar a memória do Holocausto e unir esforços contra o antissemitismo e a intolerância. Seus comentários ganharam ainda mais peso diante do recente ataque terrorista antissemita ocorrido em dezembro de 2025 na praia de Bondi, em Sydney, que deixou 15 mortos e dezenas de feridos, durante uma celebração de Chanucá.

O pesquisador e escritor Gad Saad abordou o papel das narrativas midiáticas e acadêmicas na formação de atitudes sociais em relação aos judeus, enfatizando que “a negação do Holocausto e a disseminação de teorias conspiratórias são desafios centrais que exigem respostas educacionais e culturais robustas”. Sua fala destacou a necessidade de critérios claros contra a desinformação, especialmente em espaços acadêmicos e redes sociais.

O senador brasileiro Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da república, elogiou a relação bilateral entre os dois países e reafirmou seu “compromisso inegociável de estar ao lado do povo judeu”, além de prometer mover a embaixada brasileira para Jerusalém nos primeiros meses de um eventual mandato. Flavio afirmou que, se eleito presidente do Brasil, promoverá um “realinhamento da política externa brasileira ao lado de Israel e das democracias que enfrentam o terrorismo”, destacando a importância de combater o antissemitismo como parte de uma “coalizão global pela liberdade” (assista aqui)

Flávio Bolsonaro estava acompanhado de seu irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (assista aqui) e do vereador pelo Rio de Janeiro, Rafael Satiê (assista aqui).

Outros painéis realizados nos dois dias da conferência abordaram o papel da mídia e das redes sociais na disseminação de narrativas antissemitas e teorias conspiratórias, a questão da negação e distorção do Holocausto e a importância de currículos escolares que abordem o tema, além de debates dedicados à segurança das comunidades judaicas, que discutiram proteção de sinagogas, escolas e instituições comunitárias, além da cooperação internacional no monitoramento de grupos extremistas.

Fonte: Revista Bras.il
Foto: Haim Zach (GPO)

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