Coronavírus abre oportunidades e perigos

Em meio a esta maldita pandemia do coronavírus, abrem-se oportunidades nas relações entre os árabes em volta e com países árabes mais longínquos. Já relatei, algumas vezes, sobre as relações entre Israel e os palestinos em certas áreas, que naturalmente beneficiam os dois lados.

Agora, com a eclosão desta pandemia, Israel que tem sistema médico reconhecido no mundo, adotou medidas internas e também as estendeu aos palestinos, nas áreas da Autoridade Palestina (AP) e da Faixa de Gaza. Isto ocorreu com a imediata troca de informações entre as autoridades israelenses e da AP e passou à instrução de equipes médicas, entrega de equipamento médico, como os tubos de testes, desinfetantes, máscaras, aventais e até aparelhos respiratórios.

Até a Organização das Nações Unidas (ONU), para variar, elogiou o Estado de Israel pela excelente cooperação com a Autoridade Palestina na luta contra o coronavírus. Porta voz da AP, Ibrahim Milhem também elogiou o trabalho de cooperação entre os israelenses e os palestinos.

Esta cooperação demonstra a complexidade na região, duas partes rivais, mas que são muito ligadas. Os palestinos que mais dependem da ajuda de Israel, não gostam de publicar as cooperações que têm. Não só agora, combatendo o coronavírus, mas também na área da segurança e outras.

Infelizmente, mesmo que os dois lados são muito integrados, a AP não muda o seu currículo educacional e continua o ensino do ódio aos israelenses e aos judeus. Até o presidente da AP, Mahmoud Abbas acusa Israel de disseminar o coronavírus na Cisjordânia através dos trabalhadores palestinos que retornam de seus empregos em Israel. O governo de Israel lhes transferiu material médico, lhes passou 25 milhões de dólares, que espera que irão a compra de material essencial a saúde dos palestinos e não para pagar “salários” a terroristas condenados por assassinatos. Mas, a ingratidão é tal que a AP continua acusando Israel de todos os seus males.

Na região da Autoridade Palestina, há um número relativamente pequeno de pessoas que contraíram o coronavírus, pelas medidas tomadas a tempo, para tentar conter a expansão do mesmo e talvez também ao relativamente pequeno número de testes feitos.

Na Faixa de Gaza, também há poucos afetados, mas a Organização Mundial da Saúde informou que há 64 aparelhos respiratórios, dos quais apenas 15 funcionam e necessitam de mais 50 a 100 aparelhos. Só que Hamas prefere investir em armamento e túneis de ataque do que em melhorar a qualidade de vida dos seus cidadãos. Israel se dispôs a construir hospital de campanha, na passagem Erez entre Gaza e Israel, autorizou Qatar a entregar 20 milhões de dólares a famílias necessitadas em Gaza, lhes dá empregos, mas isto não os impediu de lançar míssil, na sexta feira (27),quando as famílias estão reunidas para a ceia de Shabat, que por sorte caiu em campo aberto. As “marchas do retorno” que foram suspensas pelo inverno, iam ser retomadas nesta sexta-feira, mas foram suspensas pela situação. Isto é, para não aglomerar pessoas que possam contrair o vírus.

O perigo, como sempre, será se as condições de saúde piorarem e com situação econômica ruim, evidentemente, Hamas saberá desviar a culpa e acusar Israel.

A maioria das pessoas que se abastece dos meios de comunicação sobre o que acontece na Faixa de Gaza e na região da Autoridade Palestina, geralmente recebe noticias tendenciosas e não reais. A AP, que tem relações formais com Israel, e a Hamas, que tem relações indiretas e não formais, têm muitos benefícios do Estado Judeu. Mesmo assim, sua mídia, imitando altas autoridades palestinas, continua a divulgar que Israel dissemina o coronavírus propositadamente entre os palestinos. Este tipo de acusação é duplamente irreal. O governo de Israel, dos primeiros a entender o desastre que trás o coronavírus, tomou medidas cada vez mais severas, inclusive de quarentena, para não expandir o mal, não teria interesse que a praga pegasse os palestinos. Israel tem fronteira no sudoeste com a Faixa de Gaza, cercada por comunidades israelenses, no lado oriental a região da AP está encravada com aldeias e cidades israelenses. O que viesse a ocorrer com os palestinos, rapidamente poderia se propagar a Israel.

Se houvesse cooperação entre os dois lados, todos ganhariam. Mas, a rivalidade mesmo entre os palestinos da Hamas e da Autoridade Palestina é tão grande, que Abbas não moveu um dedo para auxiliar os irmãos de Gaza. Paradoxalmente, e esta região é cheia de paradoxos, o único país da região que entende ajuda à Faixa de Gaza, é Israel. Hamas quer um estado próprio, mas quando a situação econômica entra em crise, recorre ao terror e violência para fazer exigências a Israel.

Israel emprega – atualmente, pela situação, mais indiretamente – milhares de gazenses, seja na área da agricultura (importa produtos agrícolas) e até na área da confecção. Agora, com o desespero do coronavírus e falta de máscaras cirúrgicas, foi revelada, numa reportagem do Yediot Ahronot, certa cooperação. A fábrica Unifal, do homem de negócios Nabil Bamab, em tempos normais, recebe tecidos e modelos de empresários israelenses e as confecciona, envia de volta e as roupas são vendidas em Israel. Pela situação, rapidamente mudou a linha de trabalho. Os israelenses lhe fornecem outra matéria prima. Diz o hábil Nabil: “tenho 850 funcionários, tenho que mantê-los, mudei a linha de produção e agora produzimos diariamente 20.000 máscaras e 2.000 roupas de proteção para os médicos”. Toda a produção vai para Israel, as autoridades locais não o procuraram. Ele continua fabricando, dá emprego a centenas de funcionários e assim beneficiando parte da população e ao mesmo tempo, supre parte da demanda israelense de máscaras e equipamento de proteção contra o vírus.

Este é um aspecto da Cingapura que poderia existir na região. Mas, é mais fácil culpar Israel de todos os males da área. Israel retirou-se, unilateralmente, da Faixa de Gaza, em 2005, pouco depois Hamas tomou o poder e a governa até agora. Até 1967, a Faixa de Gaza pertencia ao Egito, que tem longa fronteira com Gaza, mas os anti-israelenses culpam Israel de “sufocar a população” e não os irmãos árabes do Egito, que lhes barram o caminho.

Todos esperam que Israel lhes faça concessões e as faz. Ninguém faz pressão real para que a Hamas cumpra as resoluções da ONU e faça o mínimo e gesto humanitário e devolva os restos mortais de dois soldados que morreram em combate, depois que o cessar fogo entrou em vigor na Operação Penhasco Firme. Em meio às anomalias da região, há um país, Israel, que de um lado cede humanitariamente e é criticado e de outro lado, organização terrorista que recebe benefícios e não faz o mínimo de gesto humanitário, costumeiro, entre todos os povos. A anomalia que o irmão palestino, Abbas, não ajuda os gazenses liderados pela Hamas e espera que esta entre em crise econômica para que o povo local se rebele contra a Hamas e ao mesmo tempo vejam em Israel o bode expiatório. Abbas veria, neste cenário, dupla conquista, apesar da miséria que criaria.

 

 

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