Governo balança, balança e quase cai

Por David S. Moran

O Oriente Médio é tumultuado, seja no campo militar, religioso, nuclear ou no político nacional e internacional.

O atual governo sofre de fraqueza e sujeito a muitas chantagens, pois se baseia em sete partidos, da direita, centro, esquerda e até mesmo um partido árabe islamista. Contava com 61 deputados dos 120 na Knesset. Está no poder desde junho de 2021, substituindo o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que não conseguiu formar um novo governo após quatro eleições e estar no poder por mais de 12 anos.

O Likud de hoje é bem diferente do Likud do Begin, Shamir e outros. O Likud de hoje é o Netanyahu. Tanto é, que nas eleições o bilhete para colocar nas urnas levava o título: “Likud, sob a liderança de Benjamin Netanyahu para o posto de primeiro-ministro”. Na época do Begin, ou Shamir isto não podia acontecer. Nem apoiar-se em deputados como Itamar Ben Gvir, seguidor do Rav Kahane, que quando subia ao pódio, o então primeiro-ministro, Itzhak Shamir (Likud), saia do recinto.

Netanyahu, que enfrenta três acusações na justiça, de corrupção, fraude e quebra de confiança, foge da justiça como o diabo da cruz. Mesmo alegando que “não há nada, porque não houve nada”, seria mais valioso e econômico, enfrentar a justiça e provar que a procuradoria está errada. Infelizmente, Netanyahu não fala com a mídia israelense, a não ser aquela que o defende. Prefere falar (e sabe se expressar muito bem) com a imprensa internacional, com seu polido inglês.

Deputados que o admiram são por ele instruídos para cultivar ódio e discórdia aos que não o seguem, fazer manifestações e ameaças. Benjamin Netanyahu não se conforma por não estar no posto máximo da politica israelense. Atrás dos bastidores continua a incentivar ações que culminem com a deserção de deputados de outras agremiações a fim de derrubar o atual governo Bennett-Lapid e tentar voltar a dirigir o país. Os entendidos especulam que Netanyahu sabe que será condenado pela justiça e quando isto acontecer, lhe seria mais vantajoso negociar com a justiça do posto alto de primeiro-ministro.

Na semana passada, sua estratégia logrou um certo êxito. A deputada Idit Silman, coordenadora da coalizão governamental renunciou ao posto, desligando-se do seu partido Yeminá. Ela (com seu esposo) não resistiu às pressões dos seguidores do Netanyahu. Estes faziam manifestações na frente de sua casa e até não deixaram seus filhos frequentar o movimento juvenil Bnei Akiva. Pelo visto, Netanyahu lhe prometeu o 10º lugar na lista do Likud e ser a Ministra da Saúde se ele formar o próximo governo. Parece que o acordo foi escrito no gelo, como o foram acordos anteriores com o então e atual Ministro da Defesa, Major-General, Benny Gantz, que faria rodízio com Netanyahu no posto de primeiro-ministro e com outros políticos e não cumpriu.

Há algum tempo, Netanyahu e seu coro atacaram verbalmente a deputada Silman com palavras de baixo calão. Agora, que ela não aguentou mais e se demitiu, Silman tornou-se querida e recebe elogios sem fim.

O Estado de Israel é um país que enfrenta inúmeros problemas e não necessita de novas eleições, gastar dinheiro que pode ser reinvestido em segurança e melhoria social. Mesmo porque, nada indica que o impasse político seja resolvido. Já antes dizia-se que se Netanyahu se afastar do Likud, o quadro politico será diferente. O Likud seria bem vindo a fazer parte, ou mesmo formar um novo governo.

Mas, Netanyahu não está disposto a largar as rédeas do partido. Muito pelo contrário. Usou pressões em deputados de outros partidos para que os deixem e que ele tenha chance de voltar ao poder. O atual quadro político israelense é que 60 deputados apoiam o governo e 60 não. O governo Bennett que luta pela sua sobrevivência, ainda bota fé na Lista Árabe Conjunta, que votará contra a dissolução da Knesset, pois perderia força.

Não há nenhuma dúvida de que este governo está na corda bamba e é muito frágil, sujeito a chantagens por parte de exigências de deputados da coalizão e ninguém pode prever se durará até o fim de seu termo, muito menos se o primeiro-ministro rotativo, Yair Lapid, tomará posse, como assinado no acordo dos partidos da coalizão, previsto, para 27 de agosto de 2023.

Fotos:  Wikimedia Commons

One thought on “Governo balança, balança e quase cai

  • 17 de abril de 2022 em 16:16
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    Voce continua distorcendo as noticias para o publico brasileiro!! Que destila odio contra o Benjamin Netanyahu e voce Moran!!! Esse governo se apossou do poder com traicao da Yamina que prometeu nas campanhas nunca se unir a esquerda e muito menos aos partidos árabes e logo depois fez exatamente o oposto!!Likud foi e continua sendo o mais votado no pais mas por artimanhas do Bennet e os que odeiam Benjamin Netanyahu promoveram o maior roubo eleitoral na historia de israel! Esse governo pretendia promover mudanzas que transformariam o UNICO PAIS JUDEU em mais um outro pais qualquer e por isso a deputada Idit Silman teve a coragem de deixar esse governo falido! a gota de agua foi a tentativa de permitir Chametz nos Hospitais em Pessach, o que nunca foi feito desde a criacao do estado judeu. O resto sao mentiras, como sempre mentem, do governo fajuto. Um governo que apoia o terrorismo arabe sem poder fazer nada por medo de perder o poder!! Agora mesmo os membros arabes do governo ameacam que vao sair do mesmo caso a policia nao se retire do Monte do Templo, de onde, os arabes estao jogando rochas e pedras na esplanada do Kotel!! Existem filmes e provas que esse governo e falido e mentiroso. Como voce Moran que apoia essa esquerda fedida e falida!! O “extremista ” Deputado Itamar Ben Gvir e um lider nacionalista que luta para evitar as barbaridades que esses governates estao tentando fazer, apoiando a violencia arabe e condenando com falsas acusacoes ativistas sionistas que lutam pela Terra de israel!! Lave a sua boca com formol antes de falar e escrever estupideses!! Realmente , etamos cansados pde vermes como voce!! Volte para seu buraco fedido e nao saia mais de la!

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