Irã e Hizballah agem na América Latina

Por David S. Moran

Durante a visita do presidente colombiano, Iván Duque Aponte a Israel, na segunda semana de novembro, deu para notar, entre outras, o que preocupa o governo de Colômbia. O Ministro da Defesa, Diego Molano, abriu uma fresta ao declarar que a organização terrorista Hizballah é uma ameaça à Colômbia.

Ele já sabia o que a maioria dos cidadãos não sabia e agora foi divulgado pelo diário colombiano El Tiempo. Trata-se de um complô terrorista da Hizballah descoberto há cerca de três meses, em que estavam seguindo diplomatas e homens de negócios dos EUA e de Israel.

Um ex-agente do Mossad israelense, que segundo o jornal El Tiempo, serviu na Colômbia e depois de desligar-se da organização voltou como homem de negócios à Bogotá, percebeu que estava sendo seguido e, quando descobriu o monitoramento, retornou a Israel. As autoridades colombianas foram avisadas e dois terroristas da Hizballah foram presos. Eles informaram que a organização queria vingar a morte do comandante iraniano das Forças Al Quds, no Iraque. Para evitar crise diplomática, os dois criminosos foram (apenas) expulsos do país.

Já há décadas é conhecida a atuação da Hizballah na América Latina, onde encontra terra fértil para tal. Nesta parte do mundo há governos corruptos, fronteiras transponíveis, organizações locais antiamericanas e mesmo forças armadas que podem ser flexíveis.

Desde sua subida ao poder, Hugo Chaves e o Chavismo, em 1999, declarou “guerra” aos EUA e seu governo e, ainda mais, com seu sucessor Nicolas Maduro, se associaram a “forças do mal” como o Irã, Hizballah e deram refúgio a terroristas da FARC.

A Hizballah e também algumas organizações terroristas palestinas agem na Venezuela, sem receios do governo e atuam na contravenção e tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, difusão de sua ideologia e de terror, sendo ajudados pela organização do Serviço de Inteligência cubano G2.

O nome que mais é ligado ao asilo que ganham na Venezuela as organizações terroristas internacionais em geral e árabes em particular é o do ex-vice-presidente da Venezuela e atual Ministro do Petróleo, Tareck El Aissani, de 47 anos. Ele, que é de origem árabe e ligado a Walid Makled, rei de narcotráfico, pela sua atuação no governo venezuelano, ajudava o traficante, até que o governo americano o colocou em sua lista negra e dos procurados.

O governo venezuelano pseudossocialista, tem íntima ligação com o governo clerical xiita do Irã. Um país na América Latina e outro a milhares de quilômetros na Ásia, fato que não impede os dois países de assinarem uma Aliança Estratégica de 20 anos.

A Tríplice Fronteira entre o Brasil, Argentina e Paraguai, também serve de terra fértil para atuação de terroristas da Hizballah na América Latina. A grande colônia árabe permite o acobertamento de outros árabes, que veem para outros fins que não sejam o de comércio ou indústria. A passagem de um lado da fronteira para outro também favorece elementos que têm algo a esconder.

A Argentina classificou oficialmente a Hizballah como organização terrorista em 18/07/2019, acusando-a de promover terrorismo e lavagem de dinheiro, com conexões a cartéis de drogas. O governo paraguaio fez o mesmo um mês depois (19/08/2019) e congelou as propriedades da Hizballah, a fim de coordenar e facilitar o combate a esta organização, classificada de terrorista internacional, e ao Daesh e Al Qaeda, declaradas organizações terroristas globais. Os governos argentino, paraguaio e brasileiro sabem das atividades das organizações terroristas. O próprio presidente Trump disse ao presidente Bolsonaro, que espera do Brasil seguir os países da Tríplice Aliança. Bolsonaro prometeu estudar o caso.

A lavagem de dinheiro obtido pelo narcotráfico serve às organizações terroristas como Hizballah para comprar armamento, poder e até mesmo enriquecimento pessoal da cúpula. Ultimamente foi publicado que o líder da Hizballah, Hassan Nasrallah é um ricaço bilionário, enquanto que o Líbano sofre grave crise econômica.

Em 1992, um carro bomba explodiu perto da Embaixada de Israel em Buenos Aires. A explosão causou a morte de 29 pessoas e os ferimentos em cerca de 250. Dois anos depois, um terrorista dirigiu seu carro com explosivos contra o edifício da AMIA, em Buenos Aires. Na explosão e desmoronamento do edifício morreram 85 civis e mais de 300 foram feridas. Os dois atentados foram feitos pelos terroristas da Hizballah auxiliados por colaboradores, também no governo argentino.

Quem viaja a Ciudad del Este pode notar a grande presença árabe no local. Mesmo em Foz de Iguaçu, a presença de árabes é notória. Logo na saída do aeroporto, avista-se um muro com a inscrição do Clube árabe. Evidentemente, a grande maioria são pessoas que querem fazer negócios e viver em paz. Os árabes concentram-se em certas áreas e, no começo da imigração desta colônia, a maioria era cristã- libanesa. Eles deixavam seu paraíso por causa das com os vizinhos muçulmanos.

Nas últimas décadas vieram muitos árabes muçulmanos, entre eles cidadãos mais radicais. Basta ver as mesquitas que são erguidas em locais para onde emigram, que vão pipocando. O cuidado deve ser, não apenas com atentados terroristas, mas também com certos porta-vozes da causa palestina, ou pelo fato de serem antissemitas, que conseguem ganhar adeptos desprevenidos.

Casal israelense é libertado na Turquia

O casal de turistas, Natali e Mordy Oknin, visitou a Turquia, um país que os israelenses gostam muito de visitar. Os dois são motoristas de ônibus e queriam curtir a Turquia. Como todo turista, fotografaram paisagens por onde passavam. Subiram a torre em Istambul, de onde se avista toda a cidade em 360°. Alguém os viu fotografar o palácio, uma das residências do Presidente do país Erdogan e avisou a polícia. Os dois, sem saberem de onde isso lhes veio, foram levados para inquérito que terminou em prisões separadas. Por três dias estavam sumidos até conseguirem comunicar-se com Israel. Logo as autoridades entraram em ação.

O presidente de Israel, Herzog, pediu para libertá-los, pois não são agentes do Mossad como os turcos queriam difundir. O primeiro ministro, Naftali Bennett e o ministro do exterior, Yair Lapid, pediram a mídia para diminuir a divulgação, pois em certos casos quanto mais se fala, mais aumenta o preço da libertação.

Na sexta feira (12), acreditava-se que, logo, as autoridades turcas perceberiam que se trata de engano e os libertariam, ou mesmo expulsariam do país. Quando o juiz estipulou 20 dias de encarceramento até a próxima apresentação, a preocupação aumentou.

Israel e a Turquia têm embaixadas, mas não embaixadores. Desde a provocação turca com a “flotilha” que enviou para Gaza e a marinha israelense abortou, as relações só foram piorando. O consulado israelense em Istambul entrou em ação e cada autoridade que podia atuou. O Diretor do Mossad, que tem conhecidos no Serviço de Inteligência turco MIR, viajou para explicar que se trata de pessoas simples e não agentes do seu Serviço. No começo, a mídia turca nem divulgava, mas esta semana quando começou a publicar, o temor aumentou. Pensava-se que ia ser mais difícil, os turcos, com seu “machismo” libertarem-nos e reconhecer que toda esta crise foi um erro.

O presidente turco Erdogan entendeu que a Turquia subiu numa árvore alta e só teria a perder no cenário mundial. O país está numa grave situação econômica, isolada do mundo islâmico, dos EUA, tem rivalidade com o Irã. Ele então, como num bazar turco, onde nada é dado gratuitamente, pediu para que a primeiro ministro Bennett e o presidente Herzog lhe ligassem.

Na tarde de quinta-feira (18) já estava tudo arranjado, até um avião privado que os levaria para casa, sob a condição de sigilo. Na madrugada de quinta para sexta, eles voltaram, se encontraram com a família. Agradeceram a solidariedade do povo todo de Israel, especialmente salientaram o premier Bennett, o chanceler Lapid e todos que trabalharam para sua volta para Israel.

Bennett ligou a Erdogan, numa conversa de 10 minutos, a primeira entre os líderes dos dois países desde 2013. Não sei se melhorou o ambiente, apesar de que certamente ele pediu maior intervenção no conflito com os palestinos.

A Turkish faz 22 voos diários entre Israel e Turquia e a El Al não voa nesta rota, pois os turcos não permitem a segurança dos voos. Os árabe-israelenses gostam de viajar para lá, onde tudo é barato e há belas paisagens.

Foto: Massimiliano W, CC BY-SA 3.0 (Wikimedia Commons). Mesquita de Omar ibn al-Chattab de Foz do Iguaçu.