Israel e EAU juntos para desmantelar a UNRWA

O Le Monde noticiou que os Emirados Árabes Unidos (EAU) e Israel têm trabalhado juntos para eliminar a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA).

De acordo com o Le Monde, esse processo está em andamento desde que Israel e os Emirados Árabes Unidos anunciaram a normalização das relações entre os dois países em agosto.

De acordo com a notícia, as autoridades dos Emirados estão avaliando um plano para eliminar gradualmente a UNRWA, sem condicioná-lo a uma resolução da questão dos refugiados.

Isso apesar de os Emirados Árabes Unidos terem sido um dos principais financiadores da UNRWA, em 2018 e 2019, juntamente com o Catar e a Arábia Saudita, para compensar a suspensão dos fundos do presidente dos EUA, Donald Trump, para a agência, que a levou à beira da falência.

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Os EUA, historicamente o maior doador individual da UNRWA, cortaram suas contribuições de US$ 360 milhões para US$ 60 milhões em 2018 e depois para zero em 2019.

No ano passado, em novembro, a Assembleia Geral da ONU aprovou a extensão do mandato da UNRWA por mais três anos, apenas uma semana depois que seu comissário-geral Pierre Krahenbuhl renunciou devido a um processo de ética da ONU alegando má gestão e abusos de autoridade entre altos funcionários da agência.

O processo de ética afirma que, desde 2015, os membros da UNRWA têm consolidado seu poder de forma constante, mas que a situação piorou acentuadamente a partir do início de 2018, coincidindo com a decisão dos Estados Unidos de retirar seu financiamento.

Grande parte do processo se concentra em alegações em torno da conduta de Krahenbuhl, que assumiu o cargo em março de 2014, citando uma série de atividades corruptas e não profissionais.

Pouco depois de os detalhes do processo serem conhecidos, a Holanda e a Suíça suspenderam o financiamento da UNRWA. Eles foram seguidos, em agosto de 2019, pela Nova Zelândia.

Enquanto a principal agência da ONU que lida com refugiados – ACNUR – se concentra em reassentá-los, facilitando sua repatriação voluntária ou sua integração, a UNRWA mantém milhões de pessoas como refugiados década após década, expandindo o número ano após ano.