Israel: progresso ou atraso?

Por David S. Moran

O novo governo, que ora está iniciando sua gestão, levanta muitas perguntas e grande parte da população sai às ruas para protestar, ante às propostas de mudanças. Assim foi no último sábado (14), quando entre 80 e 100 mil pessoas concentraram-se no espaço entre o Teatro Nacional Habima e o Palácio da Cultura, em Tel Aviv. Nada os deteve, nem a chuva que molhava todos, nem o frio. Durante três horas, as pessoas estavam lá para protestar contra as medidas que o novo governo de Netanyahu quer adotar contra o poder Judiciário.

Lá estavam, entre outras uma ex-juíza da Suprema Corte, Ayala Procaccia, a ex-Ministra do Exterior e também Ministra da Justiça, Tzipi Livni (foi do Likud), o presidente nacional da ordem dos advogados, Avi Himi, o advogado Elad Shraga, fundador e presidente do Movimento pela Qualidade do Governo e artistas. Quem não esteve no palanque, mas entre o público foram os ex-ministros como Ehud Barak, Beny Gantz, Bugui Yaalon e deputados.

Arie Deri, para o qual foi criado recentemente “a lei Deri” para que pudesse correr nas últimas eleições, é chamado de “infrator em série”. Foi condenado três vezes pela justiça e também cumpriu pena de alguns anos na prisão. Em fevereiro de 2022, para reduzir sua pena por evasão de impostos, disse que se retiraria da política. Teve pena de multa, mas afrontando a justiça, no dia seguinte já voltou a atividades políticas, embora renunciasse à Knesset.

Depois que o Likud, o maior partido de Israel, conseguiu reunir os partidos religiosos e ultra religiosos para sua coligação, Arie Deri com grande apetite, conseguiu para si os ministérios do Interior e da Saúde e também o título de primeiro-ministro interino.

Foi acusado de ludibriar a Justiça e a Suprema Corte de Israel estava julgando o seu caso. O protesto de sábado aconteceu, antes mesmo da “explosão judiciária” que caiu na quarta-feira (18) sobre o líder do partido Shas, Arie Deri e do governo.

A Suprema Corte de Israel com 11 juízes deu sua sentença, por maioria de 10 juízes de que Arie Deri não pode ser ministro, por ser um réu condenado três vezes e ainda enganar o Tribunal. Esta sentença já era esperada. Nos dias que antecederam o anúncio, deputados do Shas, advertiram que se ele fosse condenado, “não haverá governo” (Margui, 17/1). Outro deputado, Avraham Bezalel advertiu: “impedir Deri de ser ministro, será como dar um tiro na cabeça da Suprema Corte de Israel… nós só seguimos as instruções dos nossos rabinos”.

Logo após o anuncio do veredito da Suprema Corte, o todo poderoso chefão do Shas, fechou-se em casa com muitos rabinos, sentados a sua volta. O primeiro ministro, Benjamin Netanyahu, foi lá também declarando: “quando um irmão está em apuros, vou ajudá-lo”. O pensamento de Netanyahu também estava no futuro do seu governo, pois deve demitir seu ministro de dois ministérios (a não ser que Deri se demita) e reformular o governo, tentando achar uma solução com o “irmão” Deri. Além do empecilho, Netanyahu deve estar com pensamentos nos seus três processos que estão na justiça. O seu novo ministro da Justiça, Yariv Levin, confessou na terça-feira (17) que a reforma no judiciário tem por intenção ajudar Bibi na justiça.

Os deputados do Shas, logo após a declaração da Suprema Corte, investiram em ataques contra a instituição, acusando a de jogar no lixo os cerca de 400 mil votos obtidos pelo partido.

Agora, espera-se ver o que o primeiro-ministro Netanyahu fará com esta bomba que está nas suas mãos.

Uma coisa é certa, há um radicalismo em Israel, quando de um lado posicionam-se a direita com ultra religiosos. A maioria dos haredim não cumpre com os deveres de todos os cidadãos, mas querem impor seu modo de agir na maioria da população que é laica. Eles produzem muito menos que os outros segmentos da sociedade israelense, por estudarem os livros sagrados dia e noite. Suas mulheres sentam na parte de trás dos ônibus e eles vivem como em tempos antigos. É isto que quer submeter nos ensinos o único deputado da agremiação Noam, Avi Maoz, que se tornou vice-ministro no Ministério do Primeiro Ministro.

Muitos temem a falta de liberdade que poderá ser imposta no país. O deputado Zvika Fogel (lunático) do partido Otzma Yehudit, atacou (10/1) os líderes da oposição – Lapid, Ganz, o ex-ministro da Defesa, Moshe (Bugui) Yaalon e o ex-deputado Yair Golan -, alegando que tem que prender os quatro por traição à pátria ao chamarem para fazer demonstrações. Até o premier Netanyahu fez bem em tentar apagar o fogo, quando horas depois desta declaração disse: “num Estado democrático, não se prende líderes da oposição”.

As mudanças que o recém-empossado ministro da Justiça quer impor são contestadas por muitos que agem e agiram na justiça. O ministro da justiça anterior, Gideon Saar, que foi dos líderes do Likud e o deixou, expressou sua aversão à intenção de Levin, dizendo: “eles querem se apoderar da promotoria enquanto continuam três processos contra Netanyahu. O ex-Presidente de Israel, Reuven Rivlin (foi do Likud), também falou contra a atitude do seu ex-partido. Outro que se posicionou contra a atitude governamental é o homem de confiança do Netanyahu, que o nomeou como seu conselheiro judiciário, advogado Yehuda Weinstein. Este disse: “Os interesses do Estado têm que ser prioritários e não o primeiro-ministro que está sob acusações criminosos. A reforma projetada é um pogrom”.

Um ex-presidente da Suprema Corte, que deixou marcas na justiça israelense e se afasta da mídia, fez questão de dar entrevistas a todos. Aharon Barak, cujos pensamentos e vereditos tinham muito peso nos tribunais, atacou no sábado (7/1) a reforma sugerida. Disse: “a reforma é um colar de cordas envenenadas. Se colocamos este colar no pescoço, é o início da queda do Terceiro Templo… esta será democracia turca… o direito de liberdade, de vida, de honra, será duramente ferido e não haverá tribunal para defende-lo”.

Uma semana depois do ministro da Justiça, Yariv Levin apresentar sua “reforma da justiça”, a atual presidenta da Suprema Corte, Ester Chaiut criticou-a duramente. “É um programa de esmagamento do Poder Judiciário, transformando-o no poder silenciado”.

Mais de trinta anos depois de Arie Deri ir para a cadeia, este veredito da Suprema Corte, levanta novamente vozes de segregação e diferenciação entre ashkenazitas e sefarditas, por parte dos seguidores deste político. Ele e eles deviam saber dos escritos sagrados a frase “teus destruidores de ti sairão”.

Israel e os israelenses têm que estar unidos, seguindo os mesmos direitos e as mesmas obrigações e assim avançar para a frente. A “nação Startup” que avançou com tantas descobertas e invenções em todas as áreas da nossa vida, tem que pensar se quer continuar nesta trajetória, ou com o radicalismo e cegueira religiosa, voltar a épocas antigas na história.

Foto: GPO

2 thoughts on “Israel: progresso ou atraso?

  • 20 de janeiro de 2023 em 13:28
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    Basta de hipocrisia David Moran! Vocês esquerdistas adoram falar em democracia e nos impuseram décadas de governos traidores que lotaram Israel de terroristas que circulam livremente aqui enquanto a AP e os beduínos ocuparam ilegalmente propriedades particulares judaicas da Judeia Samaria e Negev! Dois milhões e meio decidiram nas urnas delegar o poder à direita, e não é um judiciário corrupto com viés político e não eleito democraticamente que vai impedir a direita absoluta de reparar os estragos que vocês fizeram em Israel! Respeita o resultado das urnas!!!Os 80000 esquerdalhas que até colocaram num cartaz que sionismo=nazismo são pagos pelos países estrangeiros para difamar a direita! Shabat Shalom Umevorach para os sionistas que vão resgatar Israel desses malignos predadores como Lapid, Ganz que usaram ilegalmente verbas públicas israelenses para forrar os bolsos do assassino Mahmud Abbas difamar mais ainda Israel na ONU!

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  • 20 de janeiro de 2023 em 13:31
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    Basta de hipocrisia David Moran! Vocês esquerdistas adoram falar em democracia e nos impuseram décadas de governos traidores que lotaram Israel de terroristas que circulam livremente aqui enquanto a AP e os beduínos ocuparam ilegalmente propriedades particulares judaicas da Judeia Samaria e Negev! Dois milhões e meio decidiram nas urnas delegar o poder à direita, e não é um judiciário corrupto com viés político e não eleito democraticamente que vai impedir a direita absoluta de reparar os estragos que vocês fizeram em Israel! Respeita o resultado das urnas!!!Os 80000 esquerdalhas que até colocaram num cartaz que sionismo=nazismo são pagos pelos países estrangeiros para difamar a direita! Shabat Shalom Umevorach para os sionistas que vão resgatar Israel desses malignos predadores como Lapid, Ganz que usaram ilegalmente verbas públicas israelenses para forrar os bolsos do assassino Mahmud Abbas difamar mais ainda Israel na ONU! Basta de me impedir de publicar meus comentários sempre inéditos! Seja democrática!

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