Joe Biden eleito o 46º presidente dos EUA

Por David S. Moran

Ventos de mudança nos Estados Unidos, que podem afetar o mundo todo e, o que nos interessa mais, como agirá o novo presidente, Joe Biden, com sua vice, Kamala Harris, em relação ao Oriente Médio em geral e Israel, em particular.

O excêntrico presidente Donald Trump, sem dúvida o mais “non politically correct” da história dos EUA, como já escrevi no passado, fez muitas coisas boas pelo Estado de Israel. Ao mesmo tempo, Trump, ironizou os adversários do Partido Democrata, conseguiu dividir o povo americano, apoiou grupos racistas, principalmente os “supremacistas brancos e os da organização pró-armas”. Nenhum outro presidente ousaria chamar o adversário ao posto de candidato à Presidência de “sleepy (dorminhoco) Joe”.

Mas, como diz o velho ditado: “ri melhor, quem ri por último”. Joe Biden, o candidato mais velho a disputar a presidência dos EUA, poucos dias antes de comemorar o seu 78º aniversário, comemorou também o título que mais almejava. Durante oito anos, serviu como Vice Presidente, durante o governo do Obama (2009-2017) e está no Congresso americano há 40 anos. Foi o Senador mais jovem eleito, aos 29 anos.

Nos últimos dias, antes das eleições, Trump sentiu que muitos amigos ideológicos o estavam abandonando. Ficou furioso quando a FOX, conservadora, apontou o Biden, já como Presidente, mesmo que ainda não havia dados oficiais. Os meios de comunicação cortavam seus discursos quando achavam que falava mentiras. Por cima de tudo isto, a atitude ridícula de declarar que ele venceu as eleições, que não deixaria a Casa Branca e não entregaria as chaves ao Presidente eleito, Biden, que tomará posse em 20 de janeiro de 2021. A Constituição americana rege que em três meses dá tempo para facilitar transição tranquila de um presidente ao outro.

No Oriente Médio

Enquanto líderes mundiais cumprimentavam o novo presidente eleito, o Primeiro Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que se identificou com o Partido Republicano, não se manifestava. Outros ministros enviavam seus parabéns ao Biden e só depois de muitas horas, Netanyhau também o fez, ressaltando 40 anos de amizade que tem com Biden.

Muitos políticos israelenses, principalmente os da direita, manifestaram preocupação com o futuro governo Biden-Harris, pois o último governo Democrata, o do Obama, foi considerado hostil a Israel. Obama foi incentivador do Acordo Nuclear das 6 potências com o Irã, que foi e é violado o tempo todo. Trump retirou-se do Acordo, impôs sanções econômicas ao Irã e, infelizmente, não conseguiu convencer as potências ocidentais segui-lo. O receio dos israelenses (bem como os países árabes do Golfo) é que Biden queira voltar a um novo acordo com o Irã.

Os grandes aliados regionais dos EUA, a Arábia Saudita e seus “satélites”, os países do Golfo Pérsico, onde os EUA mantêm grandes bases militares, estratégicos e que compram dos EUA, bilhões de dólares em material bélico, esperam que o novo governo do Biden, continue apoiando-os. Não importando de que partido era o presidente, esses países sabiam sempre como se aliar a ele. Como Israel, eles também expressam suas preocupações com o regime radical dos aiatolás, no Irã. O Mossad israelense foi até Teerã trazer arquivos completos para convencer os EUA, os Ocidentais e o Mundo de que o Irã continua no seu objetivo de ter poderio nuclear e que, se isto for alcançado, pela atitude irracional, fanática e ilógica (para nós), o mundo todo estará sob ameaça, e não apenas os muçulmanos sunitas ou Israel. Os países do Golfo, puxados pelo Trump, normalizaram relações com o Estado Judeu para que este lhe sirva de escudo – por interesses comuns – mesmo se outro regime americano resolver sair da região.

O Irã, por seu lado, espera que o novo governo retirare as sanções econômicas do país e retorne ao Acordo Nuclear. Segundo “experts” orientalistas, a vitória do Biden é um grande alívio para o Irã, cuja economia está caótica e, se Biden retirar as sanções, o regime dos aiatolás que já estava na lona e prestes a sinalizar com o lenço branco não terá que fazê-lo.

Aos palestinos também voltou a cor à face. Após considerar o governo do Trump um inferno, como o disse o Primeiro Ministro palestino, Mohammed Shtayyeh, em outubro: “Deus nos proteja se tivermos mais quatro anos de Trump”. Mahmhud Abbas xingou-o de “que sua casa seja destruída”. A Autoridade Palestina acredita que os EUA voltarão a dialogar com eles, esquecerão do Plano do Século, reabrirão a representação da OLP em Washington e subvencionarão entidades palestinas e internacionais, como a UNRWA. Por outro lado, um dos principais conselheiros do Abbas disse: “Biden é conhecido simpatizante de Israel e nas posições pró-Sionistas”.

Os israelenses sabem que o Presidente Trump é dos melhores aliados de Israel e mostraram sua preocupação se vier um governo como foi o de Obama. Ouviu-se muitas autoridades israelenses, inclusive ministros do Likud, como Tzahi Hanegbi, dizerem que Biden é amigo de Israel. Numa entrevista a rádio de Israel, disse: “Biden não é bobo. O Oriente Médio não terá importância nos próximos anos do seu governo, pois tem que sanar a sua sociedade americana dividida, sanar a economia e a pandemia na qual morreram mais de 250.000 americanos e muitos outros estão afetados. Outro ministro de primeiro escalão disse que Biden se vê como guardião de Israel e comprometido a sua segurança.

O General (Res.) Mike Herzog, atualmente pesquisador num Instituto em Washington, e que durante décadas esteve envolvido nas negociações entre Israel e os palestinos, intermediados pelos EUA, disse: “Biden e Harris agem com sentimento e tem compromisso com Israel, diferentemente do Obama que agia friamente”.

Pelo visto, ninguém saberá como agirá em relação a Israel o governo de Biden. Mas, talvez devamos abrir olhos no “Squad” (o Pelotão, ou Gangue) de ditas “progressistas”, da ala mais radical da esquerda, movidas contra o Estado de Israel. O “Squad”, integrado por Ilhan Omar, Rashida Tlaib, Alexandria Ocasio Cortez, agora é engrossado com a Ayanna Pressley e dois pré-candidatos a disputa presidencial, o Senador Barnie Sanders e Elizabeth Warren, anti-israelenses, a quem Biden poderá compensar com Ministérios.

O Congresso americano está quase definido e qualquer presidente tem que levá-lo em conta. Há 100 senadores: Democratas subiram em 1, para 48, os Republicanos perderam 1 e estão com 50 e há 2 ainda para serem definidos em janeiro. Se persistir o empate, o Partido da Vice Presidente tem dois votos.

Na Casa dos Deputados servem 435 deputados. Apesar de perder cinco cadeiras, o Partido Democrata, com 218 deputados, tem maioria necessária. Os Republicanos ganharam seis, totalizando 203 deputados e mesmo se obtiverem todos os que ainda estão em disputa, não terão maioria.

O 46⁰ presidente americano será Joe Biden, com 5,1 milhões de votos a mais do que Trump. Biden, apesar das acusações trumpistas de falsificações, obteve mais do que os 270 eleitores necessários, enquanto o Trump chegou a 218. Ainda há recontagem.

Peculariedades

Biden é o candidato mais idoso a vencer a presidência, 78 anos.

A Vice Presidente Kamala Harris, de 56 anos, é a primeira mulher a chegar a este cargo e se o Presidente Biden tiver que se ausentar tem chance de ser a primeira Presidente dos EUA. De certa maneira ela representa o mosaico étnico dos EUA: mulher emancipada, filha de mãe imigrante da Índia e de pai jamaicano e é casada com Douglass Emhoff, advogado judeu. Aliás, apesar de toda a crítica, ela é contrária ao BDS e a qualquer boicote contra Israel. Ela é a favor de dois Estados, mas acredita que só os palestinos e os israelenses podem acertar como serão.

Em Israel, a maioria dos cidadãos americanos que tem direito de voto fizeram-no a favor do Trump, enquanto segundo a pesquisa GBAO, 77% dos judeus americanos apoiaram Biden.

A votação de novembro de 2020 foi a maior da história americana, com cerca de 150 milhões de votos, dos quais mais de 100 milhões foram antecipados pelo correio e em urnas.

Foto: FOX TV, dia 8.11.2020

3 thoughts on “Joe Biden eleito o 46º presidente dos EUA

  • 13 de novembro de 2020 em 10:11
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    Ainda nao foi publicado oficialmente o resultado das eleicoes americanas e quase todos estao anunciando a vitoria de Biden?? Pois aqui vao uma noticia, existem milhares de provas que houve fraude na votacao e o Partido republicano ja esta entrando com pedidos judiciais para anular muitas urnas fraudadas. O resultado final sera soemte em meados de Dezembro e assim mesmo apos uma decisao uma Justica americana! Entao muita agua vai ainda correr por debaixo da ponte!!
    So an passant, e crime punivel de morte fraudes eleitorais nos EUA.

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  • 13 de novembro de 2020 em 12:45
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    David Moran esquerdalizou de vez! Mas disse uma verdade: quem ri por último ri melhor! Parece que não acompanhou o que está acontecendo, e pior esqueceu a corrupção de Biden, esqueceu que esse corrupto queria impedir Israel de se defender na guerra do Líbano, esqueceu todo o mau que Obama e os democratas fizeram contra Israel.

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    • 13 de novembro de 2020 em 14:06
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      Caros leitores e cara Emilia. Não vou entrar na polemica, mas quero esclarecer. Não sou da “esquerdizou de vez”. Infelizmente, hoje o mundo todo, inclusive no nosso querido país e por ser nosso, é mais irritante, não se pode opor ao governo , se se considera nacionalista, pois imediatamente a pessoa é tachada de esquerdista. Esta divisão é provocada por govêrnos temerosos. Nos temos que lutar unidos e nem sempre pensando o mesmo. Ninguem impede e nem poderá impedir Israel defender-se das ameaças árabes. O govêrno do Obama, escrevi que foi hostil e esperamos (nosso hino é Hatikva) que Biden, não agirá da mesma forma. Leia com atenção o que ele pensa de Israel e poderia trazer mais dados. No inicio certamente ele terá que sanar os EUA. Ele tem que lutar pelos interesses americanos e nos lutaremos pelos interesses do nosso país.
      Ao Sr. Jaime, só direi, estou ciente das reclamações do Trump e dos que o apoiam, essas eleições ele sabe que perdeu e não sou eu que o declaro. Todas as pessoas sensatas, mesmo nos EUA. Shabat Shalom

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