Jovens sem status legal tentam servir nas FDI
As FDI enfrentam uma grave escassez de efetivo, com um déficit de mais de 10.000 soldados, em especial para funções de combate, desde que a guerra se intensificou após 7 de outubro de 2023. Enquanto o debate público se concentra em quem não quer servir, um grupo de jovens nascidos e criados em Israel, mas impedidos por motivos migratórios de se alistar tenta mudar essa realidade.
Uma petição foi apresentada ao Supremo Tribunal de Justiça em nome de cerca de 50 adolescentes que vivem permanentemente em Israel, mas estão fora dos critérios de alistamento por não terem status de residência legal ou cidadania. Eles são em sua maioria filhos de trabalhadores estrangeiros que entraram no país com vistos de trabalho que expiraram.
Entre os jovens que buscam o direito de servir está Reign Arpon, 19 anos, nascido e criado no moshav Mishmar Hashiva. “Quero retribuir ao país, especialmente na situação atual de guerra”, disse Arpon ao Times of Israel. Apesar de considerar Israel seu lar, ele foi rejeitado no alistamento por não ter residência legal reconhecida pelas FDI.
Outro caso é o de Prince Justice (foto), 18 anos, nascido e criado em Tel Aviv. “Quero contribuir. Sinto que mereço contribuir, tenho que fazer isso”, afirmou, destacando a frustração de ver amigos servirem enquanto ele permanece fora do sistema militar.
Para Justice, as barreiras ao alistamento ficaram dolorosamente claras enquanto ele ainda estava na escola. Ele se lembra do dia em que um oficial das FDI iria falar com sua turma sobre o recrutamento para o exército.
“Uma hora antes, meu professor se aproximou de mim e disse: ‘Se você quiser, não precisa vir à aula’”, contou ele. Confuso, Justice perguntou por quê. Ele havia tido a mesma formação que seus colegas, 12 anos de escolaridade israelense, obtendo as melhores notas.
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“Essa foi a primeira vez que entendi que sou diferente”, ele recordou.
Justice, por sua vez, enfrenta limitações não apenas nas FDI, mas também como atleta. Jogador de basquete que galgou posições na liga juvenil de Israel, ele está impedido de jogar profissionalmente por um time da Premier League devido à sua situação legal.
“Não sou considerado um jogador israelense”, disse Justice. “É estranho porque nasci aqui, fui criado aqui, joguei basquete aqui na liga juvenil. Sou a pessoa mais israelense que existe”.
Neel Vicente, natural de Tel Aviv, filho de mãe filipina e pai mauriciano, cresceu esperando servir nas FDI, tendo sido membro do movimento juvenil Tzofim (Escoteiros), um pilar da vida cívica israelense. “Ali aprendi sobre Israel, como amar ainda mais o país”, disse ele.
Vicente, que sonha em servir na Brigada Golani ou de Paraquedistas, viu seus amigos começarem a receber notificações de convocação para o serviço militar no final do ensino médio.
“Fiquei chateado porque não pude me alistar, porque eles têm um documento de identidade israelense e eu não”, disse o jovem de 18 anos.
Arpon descreveu uma experiência quase idêntica. Enquanto seus colegas iniciavam o processo de alistamento, ela se viu esperando por uma convocação que nunca chegou.
Advogados que entraram com a petição argumentam que a lei de serviço de defesa de 1986 já prevê que jovens que vivem em Israel por mais de seis meses após a expiração de um visto temporário devem ser considerados “residentes permanentes” e, portanto, elegíveis ao recrutamento. A petição sustenta que as FDI deveriam aplicar essa interpretação e permitir que esses jovens se alistem.
Meytal Lupoliansky, do escritório de advocacia responsável pelo caso, afirmou que muitos desses adolescentes se sentem “invisíveis” ao concluir os estudos, enquanto seus amigos entram para o serviço militar obrigatório. Estima‑se que haja cerca de 3.500 jovens e crianças nessa situação em todo o país.
A decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre o caso está prevista para as próximas semanas.
Fonte: Revista Bras.il a partir de The Times of Israel
Foto: Cortesia

