L’etat c’est moi

Que semana política agitada Israel passou. O Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu continuou suando para formar novo governo. Este seria formado pelo Likud, com 35 deputados e suas coligados, os ultraortodoxos (haredim), Kulanu do dissidente Kachlon, com quatro deputados , o Israel Nosso Lar, do Avigdor Lieberman com cinco deputados e o A União Direitista de cinco deputados. Juntos teriam maioria de 65 deputados no Knesset de 120.

Na noite em que foi declarado o resultado das eleições em abril, Netanyahu vibrou declarando “que grande vitória obtivemos”. O Likud de fato subiu de 30 deputados, mas ao mesmo tempo Netanyahu trabalhou para esmagar o Habait Hayehudi, de oito mandatos, do seu desafeto Naftali Bennett, que foi o chefe do seu gabinete e que seu partido não conseguiu entrar no Knesset. O premier preferiu esquecer que a nova coligação partidária Azul e Branco, correndo pela primeira vez ao Parlamento também obteve 35 cadeiras.

Só que no último sábado os partidos da oposição fizeram uma manifestação de mais de 50.000 pessoas contra o Primeiro Ministro e suas tentativas de fugir da justiça, estando sob possíveis acusações de corrupção.

Na charge do Amos Biderman, Há’aretz, 3/5/2019, Netanyahu dando goodies aos partidos, fora o Likud

A culpa pela queda de um novo governo formado por Netanyahu caiu sobre o líder do partido Israel Nosso Lar, Avigdor Lieberman. Este correu sob o ticket de Direita e Leiga, opondo-se a submissão aos haredim e sua evasão das obrigações do resto da população, como o alistamento ao Exercito.

 

Na foto, milhares de haredim em manifestação contra o alistamento. Na placa: Morreremos e não alistaremos

Durante as semanas que lhe foram dadas pelo Presidente de Israel para tentar formar novo governo, Netanyahu foi arrogante no trato com os aliados e só teve um objetivo, o de se livrar de possível julgamento e talvez condenação por corrupção, através da passagem de duas leis que lhe interessam: O da imunidade dos parlamentares, isentando-os de serem julgados pelas leis de pessoas comuns e a lei Superação, isto é, que a Suprema Corte não poderá anular leis passadas pelos legisladores. Segundo o comentarista internacional do Canal 13, Nadav Eyal: “isto levaria Israel a um passo de não ser caracterizado como democrático”. O Netanyahu tentou segurar os “chifres do altar” (como no Templo) para ser imune. Mas, ele que já disse inúmeras vezes: “nada aconteceu e não há nada”, não devia temer um possível processo. É só provar na justiça que você é inocente.

Encontrando dificuldades pela intransigência dos haredim de um lado e do Lieberman de outro, Netanyahu poderia facilmente transpor este obstáculo. Kachol Lavan (Azul e Branco) já tinha declarado antes das eleições que está disposto a formar um governo de coalizão nacional, formado com o Likud, com uma única condição. Este partido não poderá ter o Netanyahu, sob suspeitas, na liderança do partido. Mas o Netanyahu que não nomeia vice, evidentemente recusou. Como disse um dos ex-líderes do Likud, o ex Ministro da Justiça e da Economia, Dan Meridor, “isto que temos aí é o Partido do Netanyahu e não o Likud que eu conheço”. Nenhum deputado ousa levantar a cabeça. Netanyahu não conseguiu até a noite do prazo para formar governo, as 23:30h, trazer nenhum partido dos possíveis partners de governo, assinar sua aliança com o Likud. Cada qual esperava ser o último, para que como na Lei do Gerson, obter mais vantagens. Agora não tem nada na mão. Lieberman, que foi Secretário Geral do Likud e Chefe de Gabinete do Primeiro Ministro Netanyahu, na primeira cadência, conhece as fraquezas e virtudes do Netanyahu melhor que ninguém. Ele que se dissociou do ex “patrão” já fez o Netanyahu suar diversas vezes. Desta vez, o fez até o último segundo e não abriu a mão.

Na charge de Shlomo Cohen, Israel Hayom, 27.5.2019, Netanyahu diz: “novamente o chiclete do Lieberman.”

Netanyahu, nesta semana, se superou quando fez aliança com o Ministro das Finanças, Moshe Kachlon do Partido Kulanu, que era do Likud e se distanciou do Likud do Netanyahu. Obteve o posto devido a 10 deputados, só que nas eleições de abril, despencou para quatro deputados e entendeu que poderia desaparecer nas próximas eleições. Netanyahu tentou puxar par o governo o líder do Partido Trabalhista, Avi Gabay, prometendo-lhe o Ministério da Defesa. Ante o protesto dos seus deputados, Gabay recusou. O Líder de Partido Árabe gozou do Netanyahu contando no Knesset que diante do seu desespero, Netanyahu lhe prometeu devolver os territórios ocupados e abolir a Lei da Nacionalidade.

Quem viu os haredim pulando e dançando no Monte Meiron, em Lag Ba’omer (23), viu que eles têm boas condições físicas para servir o Tsahal. Os mais estudiosos seriam isentos, como fez o Ben Gurion, permitindo a 400 se formarem em estudos profundos da Torá. Hoje trata-se de dezenas de milhares. Como fazem os estudantes leigos, depois de servir o exército, quem quer vai as Universidades, assim os haredim iriam para as Yeshivot. Ademais, os ultraortodoxos não são partidários da direita. Eles se juntam a coalizão para tirar proveito próprio.

Infelizmente serão jogados fora, muitos milhões de shekalim nestas eleições, dinheiro que bem poderia favorecer hospitais, escolas e pessoas carentes. Se a corrida eleitoral anterior foi feia e suja, esta será pior. Na quarta feira (29), Netanyahu poderia não pedir a dissolução do Knesset e aí o presidente incumbiria o Beni Gantz, líder do Kachol Lavan, com 35 deputados tentar formar governo. Preferiu não lhe dar chance. Na primeira fala declarou que “o Lieberman é da esquerda”. Em resposta, este declarou “que o homem de Cessarea (área nobre, nas costas do Mediterraneo) não diga ao homem de Nokdim (pequeno povoado na Cisjordânia, onde vive) quem é da esquerda. Este que pediu perdão ao Erdogan, que permite entregar milhões de dólares ao Hamas, etc ele é da esquerda”.

Netanyahu luta pela sua sobrevivência política, num país em que ser primeiro ministro é de suprema responsabilidade e deve ser focalizada 24 horas diárias. Não pode estar atormentado com possível acusação, à qual deve dar atenção também. Ele recorreu a todos os truques possíveis para que o procurador geral adiasse sua audiência e, dependendo das respostas, seria levado a justiça.

(*) O título é a frase do rei francês Luis XIV “O Estado sou eu”.

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