O Irã continua no Oriente Médio

Por David S. Moran

Na noite da terça-feira (23), a mídia internacional divulgou que aviões atacaram, na Síria, destacamentos iranianos, em cinco lugares distintos, dos quais um nunca havia sido atacado. O interessante é que os ataques aéreos foram efetuados em duas levas e em lugares distantes um do outro. O ataque imediatamente atribuído à aviação israelense alvejou arsenais de armamento e munição iranianos, bases de treinamento e fábrica para a produção de mísseis de grande precisão.

A grande ameaça que recai sobre Israel é o desejo do sanguinário regime radical islâmico dos aiatolás, que o fazem abertamente, de destruir e varrer do mapa o Estado de Israel, sem nenhuma ação concreta da ONU ou da União Europeia, quando um país membro da ONU, quer eliminar outro. Os aiatolás têm dois objetivos: de conseguir fabricar armas atômicas e destruir Israel.

O governo israelense, evidentemente faz de tudo para que nenhum destes objetivos seja concretizado. No inicio da guerra civil síria, logo depois de forças iranianas e russas intervirem e evitar a queda do ditador Bashar al Assad, Israel pediu e a Rússia atendeu o pedido, de afastar as forças iranianas para além das fronteiras. Só que o Putin não cumpriu. Quando a Força Aérea de Israel bombardeava armazéns e bases iranianas na Síria, a Rússia até criticava, principalmente, depois que baterias antiaéreas sírias abateram avião do Serviço de Inteligência russo, matando seus 15 tripulantes. Os russos alegaram que caças israelenses usaram o avião russo como escudo, para se protegerem e que os desastrados aliados sírios abateram o “escudo”. Desta vez, a Rússia não criticou os ataques, já está farta do Irã.

Há meses e anos que Israel atua na Síria para conter a vinda de tropas iranianas ou de aliadas, determinado que no país vizinho não atuem iranianos. O Serviço de Inteligência de Israel detectava aviões que vinham de Teerã a Damasco com carregamento de material bélico. Logo depois de descarregado e estocado em certos armazéns, a aviação israelense encarregava-se de destruir a ameaça. Aí o Irã foi tentar outra tática. Caminhões saem do Irã carregados de material bélico, atravessam o deserto do Iraque e chegam a várias localidades na Síria para descarregar as armas e munição. Graças a sua sofisticação, o EDI detectou e localizou a mudança, fazendo tudo para afastar o Irã da região (veja a distância no mapa abaixo).

Depois de vários ataques, pensou-se que os iranianos estariam em retirada. Não aconteceu. Mesmo com vários problemas que dificultam suas atividades, os aiatolás não param. Sua economia está na lona, o preço do petróleo caiu muito, sua moeda também, o COVID-19 também faz os seus estragos. Segundo a BBC na língua iraniana, o número de mortos no Irã é cinco vezes maior do que o governo informa. A moeda iraniana está na lona, mas isto não para os clérigos. Eles não se importam com a miséria do povo, continuam gastando dinheiro que não têm para expandir a Revolução Islâmica e o xiismo pelo mundo.

Um membro do Majles (Parlamento iraniano), Heshmatollah Falahatpiseh, ousou pedir no dia 20 de maio, “transparência financeira por parte do governo”. “Avalio que o equivalente, entre 20 e 30 bilhões de dólares que gastamos na Síria, são do nosso povo e nós queremos que isto volte ao Irã”. Vozes deste tipo são raras no Irã. Daí transparece que o povo sofre, há miséria, mas o governo ditatorial não se importa com isso e gasta fortunas em batalhas na Síria, Líbano, com a Hizballah, Iêmen com os Houtis e seus braços longos vão até mesmo, à Venezuela e outros países da América Latina.

Esta mesma situação financeira caótica acontece no Líbano. A lira libanesa no mercado negro está a 6.000 para o dólar, enquanto no oficial, é publicado a 1.507. Grande desemprego, sua dívida externa é avaliada em 90 bilhões de dólares, mais do que 170% do PIB. Mais da metade dos libaneses vivem abaixo do nível da pobreza. Todos os indicadores econômicos apontam por catástrofe. Só que agora todos sabem que quem governa é a Hizballah. Esta organização terrorista que disse ser nacionalista libanesa para defender o país de Israel, agora é o maior poder do país.

Agora, com a aprovação do “Caesar Act”, o governo americano aumenta as sanções econômicas contra o regime sírio e todo àquele que tem relações comerciais com o regime sírio, inclusive bancos e aviação. A lira síria despencou e do valor oficial de 500 liras por dólar, no mercado negro, só 3.500 liras compram um dólar. O efeito deve ser sentido também no Irã e na Rússia e pela Hizballah.

Caesar foi um oficial de Inteligência síria que desertou para o Ocidente, denunciando as atrocidades do regime do Assad nas cadeias, durante a guerra civil síria. Por duas vezes, o Presidente Obama rejeitou adotar as sanções. Aliás, este é um gravíssimo problema dos ocidentais, que não conhecem a mentalidade e acham que se forem “bonzinhos”, o outro lado também fará concessões, mas este interpreta isto como fraqueza.

Se os governos autocratas fossem humanos, eles pensariam em como melhorar a vida de seu povo e não como armar-se até os dentes, em aventuras desnecessárias, a custa de sua população. Infelizmente, ainda não se vê o recolhimento de forças iranianas e ou de seus proxys e sua retirada da Síria. Quem pode agora, ser mais atuante contra o Estado de Israel é a organização terrorista Hizballah. Ela sabe que a retaliação que a conteve até agora pode ser violenta, mas quando está nesta situação caótica do Líbano, talvez não se importe que o país seja destruído.

Foto: Captura de vídeo (Twitter). Explosões vistas na cidade de Hama, Syria após suposto ataque aéreo israelense (24/06/2020)

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