Portugal homenageia vítimas da Inquisição

O Parlamento de Portugal consagrou oficialmente a data de 31 de março como Dia da Memória das Vítimas da Inquisição

A iniciativa proposta por um grupo de parlamentares do Partido Socialista visa honrar a memória das vítimas e apelar à tolerância positiva e ao convívio pacífico entre todos.

Em 2018, tinha sido aprovada, na Assembleia da República, uma iniciativa de um grupo de cidadãos que pedia a consagração do dia 31 de março como “um resgate da memória das várias vítimas da Inquisição, desde os judeus a seguidores de outros credos, ou até maçônicos e homossexuais, entre outros cidadãos”.

A escolha do dia 31 de março é, segundo os parlamentares, “a data mais indicada” para a instituição de um Dia da Memória das Vítimas da Inquisição, pois corresponde ao dia em que foi extinta “a Inquisição pelas Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes, a 31 de março de 1821”.

Os judeus começaram a ser expulsos do país em 1497, com massacres subsequentes, culminando em 1536, quando dezenas de milhares de pessoas foram forçadas a fugir ou se converter ao cristianismo. Medidas semelhantes haviam sido promulgadas na Espanha alguns anos antes.

A Inquisição vigorou em Portugal de 1546, no reinado de D. João III, até 31 de março de 1821. Ao longo de 275 anos, a Inquisição abriu cerca de 45 mil processos contra judeus, homossexuais e pessoas acusadas de heresia e bruxaria, segundo os historiadores. A maioria dos autos de fé era realizada em frente ao Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Ashley Perez, presidente da Reconectar, que busca reconectar os descendentes das comunidades judaicas espanhola e portuguesa com o mundo judaico disse: “Finalmente, haverá uma lembrança oficial das dezenas de milhares de vítimas do regime inquisitorial.

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