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Presença armada faz MSF suspender ações em Gaza

A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) comunicou que suspendeu as atividades médicas não essenciais no Hospital Nasser, em Khan Younis, na Faixa de Gaza, devido à presença de homens armados nas instalações médicas e a “uma recente situação de suspeita de movimentação de armas”.

O ONG de ajuda humanitária afirmou que homens armados também têm prendido pacientes.

A declaração da MSF é a primeira de uma ONG de assistência humanitária internacional em Gaza a relatar publicamente a presença de homens armados em um hospital ou o possível uso de tal instalação para movimentação de armas.

“Nos últimos meses, no hospital Nasser, em Khan Younis, pacientes e funcionários dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) avistaram homens armados, alguns mascarados, em diferentes áreas do extenso complexo hospitalar. Isso não ocorreu nas áreas onde os MSF atuam, mas em outras partes do complexo”, afirmou a MSF em comunicado, explicando sua decisão de suspender as atividades no Hospital Nasser desde 20 de janeiro.

A MSF tem sido uma importante provedora de ajuda médica e humanitária em Gaza desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, no sul de Israel, que desencadearam uma guerra de dois anos no enclave. Israel e o Hamas concordaram com um cessar-fogo mediado pelos EUA em outubro, embora ambos os lados tenham se acusado repetidamente de violações.

“Com o aumento dos casos desde o cessar-fogo, as equipes da MSF relataram um padrão de atos inaceitável, incluindo a presença de homens armados, intimidação, prisões arbitrárias de pacientes e uma situação recente de suspeita de movimentação de armas”, afirmou a organização humanitária. “Esses incidentes representam sérias ameaças à segurança de nossas equipes e pacientes”.

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Um representante da MSF disse à Reuters que a organização continuava a apoiar alguns serviços essenciais no Hospital Nasser, incluindo cuidados hospitalares e cirúrgicos para certos pacientes que necessitam de tratamento para salvar suas vidas.

O Ministério do Interior, controlado pelo Hamas, afirmou em comunicado que está empenhado em impedir qualquer presença armada dentro de hospitais e que medidas legais serão tomadas contra os infratores. Sugeriu que membros armados de algumas famílias de Gaza entraram recentemente em hospitais, mas não identificou os envolvidos.

Israel tem apresentado repetidamente provas do uso regular de instalações médicas por grupos terroristas palestinos como bases de operações, devido ao seu status de proteção. Reféns também afirmaram ter sido mantidos em cativeiro no Hospital Nasser.

No ano passado, um médico, que também atua como porta-voz do Hospital Nasser, insinuou ter sido ameaçado pela Jihad Islâmica Palestina devido à sua recusa em permitir que agentes do grupo terrorista entrassem e utilizassem o hospital.

Israel anunciou, no início deste mês, que estava encerrando todas as atividades da MSF em Gaza e na Samaria e Judeia depois de a organização não ter fornecido a lista de seus funcionários palestinos.

A MSF criticou duramente a medida, que entra em vigor em 1º de março, considerando-a um “pretexto” para obstruir a ajuda humanitária. Israel já havia acusado a MSF de ter pelo menos dois funcionários que eram membros das organizações terroristas Jihad Islâmica Palestina e Hamas.

A averiguação da MSF surge em meio a críticas à conduta de organizações internacionais de ajuda humanitária em relação ao conflito em Gaza.

Esta semana, Halima Begun, ex-CEO da Oxfam GB, principal organização beneficente do Reino Unido no combate à pobreza global, anunciou que está processando a organização beneficente, alegando uma “cultura antissemita tóxica” e afirmando ter sofrido pressão para usar prematuramente o termo genocídio para descrever a campanha militar de Israel.

“Porque usar a palavra genocídio exige que cheguemos a essa conclusão por meio de consultas, evidências e assessoria jurídica sólida”, disse Begum ao Canal 4 btitâmico. “E tentar usar esse termo antes de estarmos preparados como organização me parece bastante arriscado”. “Essencialmente, foi muito difícil manter a neutralidade e a imparcialidade”, acrescentou. “E digo isso como mulher muçulmana.”

Em comunicado ao Canal 4, a Oxfam GB afirmou que refuta as alegações de Begum. A Oxfam atua em mais de 70 países, ajudando pessoas em países em desenvolvimento a saírem da pobreza e fornecendo ajuda emergencial durante crises humanitárias.

Mark Goldring renunciou ao cargo de CEO da Oxfam GB em 2018, após revelações de que funcionários da organização humanitária utilizaram serviços de profissionais do sexo quando estavam no Haiti após o terremoto de 2010. O governo britânico suspendeu o financiamento da Oxfam em 2021, depois que a organização relatou ter suspendido funcionários na República Democrática do Congo por alegações de má conduta sexual e assédio moral.

Fonte: Revista Bras.il a partir de The Times of Israel
Foto: Flickr

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