Trajetória da brasileira que salvou judeus vira série

A saga de uma brasileira que arriscou a própria vida para salvar a vida de famílias judias na Alemanha, durante a 2ª Guerra Mundial. Uma história de amor pela humanidade que venceu o ódio.

Pouco conhecida em seu país de origem, Aracy de Carvalho foi uma mulher corajosa e destemida: essa heroína brasileira, inconformada com o regime nazista terá, pela primeira vez, sua história retratada em uma série. Criada e escrita por Mario Teixeira, com colaboração da autora inglesa Rachel Anthony, e dirigida por Jayme Monjardim, “O Anjo de Hamburgo” é a primeira série totalmente em língua inglesa da Globo, em parceria com a Sony Pictures Television (SPT).

A série vai narrar a ousadia de Aracy, então funcionária do Consulado Brasileiro na Alemanha, para ajudar centenas de famílias de judeus que precisavam fugir da guerra. Àquela época, o Brasil, assim com outros países, impunha regras rígidas para a imigração de judeus, que Aracy fazia o impossível para contornar e garantir a segurança de pessoas que ela sequer conhecia.

“Quando conheci a história desta mulher incrível, que nos mostra como a esperança e o amor podem vencer o ódio, me senti determinado a contá-la para o mundo. Aracy é pouco conhecida no Brasil e em geral, as pessoas se lembram dela como a esposa do escritor Guimarães Rosa. Esperamos que, com cuidado e respeito, possamos mostrar a mulher por quem ele se apaixonou quando viveu na Alemanha, ocupando o cargo de cônsul-adjunto”, disse o diretor artístico Jayme Monjardim.

E continuou: “Uma mulher inteligente, empática, batalhadora e que não cruzou os braços diante do que via ao seu redor. Uma verdadeira heroína que nunca quis publicidade para seus feitos. Aracy sempre foi uma pessoa extremamente discreta. Hoje, é nosso trabalho mostrar como, com coragem, determinação e um amor sem igual pelas pessoas, ela conseguiu mudar o destino de tanta gente”.

Com cenas gravadas em Buenos Aires e no Rio de Janeiro, “O Anjo de Hamburgo” conta com time de peso de historiadores e especialistas em cultura judaica, além de pesquisadores de relações internacionais, para consultoria e produção.

A atriz Sophie Charlotte dará vida a Aracy e Rodrigo Lombardi será João Guimarães Rosa. No elenco, estão ainda nomes como Tarcísio Filho, no papel do cônsul Souza Ribeiro, e Gabriela Petry, que interpreta Taibele Bashevis, uma judia dividida entre o sonho de ser cantora e a necessidade de estar perto da família.

A maior parte dos talentos que compõem o elenco veio de diferentes países: entre os destaques, estão os atores alemães Peter Ketnath e Tomas Sinclair Spencer, que vivem os militares alemães Thomas Zumkle e Karl Schaffer, além de Stefan Winert, interpretando Milton Hardner. Na lista de talentos estrangeiros, ainda estão o italiano Jacopo Garfagnolli, responsável pelo personagem Rudi Roth; a polonesa Izabela Gwidzak vive Margarethe Levy, que vem a se tornar uma grande amiga de Aracy, e a israelense Sivan Mast, que vive Helena Krik.

“O Anjo de Hamburgo” tem previsão de lançamento mundial em maio deste ano.

18 thoughts on “Trajetória da brasileira que salvou judeus vira série

  • 16 de fevereiro de 2020 em 14:22
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    Por que vocês não dão destaque ao fato dela ser a segunda esposa do Guimarães Rosa?
    Isso é sim bem importante, ele era só o embaixador brasileiro na Alemanha.
    Vi matérias várias sobre ela, ( ainda viva, mas já bem doente, em várias revistas brasileiras)!

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    • 16 de fevereiro de 2020 em 21:43
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      talvez porque estejamos todos cansados de ver matérias começando com “esposa de fulano faz tal coisa” ela tinha um nome, só dela e independente do marido.

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    • 17 de fevereiro de 2020 em 11:37
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      Ser a segunda esposa de um escritor é mais importante do que ser a heroína que salvou vidas ameaçadas?

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  • 16 de fevereiro de 2020 em 18:33
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    Li sua história no livro Justa.
    Emocionante!

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    • 23 de fevereiro de 2020 em 15:34
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      A série é baseada no meu livro Justa.

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  • 17 de fevereiro de 2020 em 06:27
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    A paranaense ARACY MOEBIUS DE CARVALHO GUIMARÃES ROSA (1908-2011) nasceu em Rio Negro, PR! A cidade de Rio Negro, onde está enterrado o meu bisavô, também abrigou a primeira colônia de imigrantes de etnia alemã no Brasil, nos idos da década de 1820. Por isso é filha de pai brasileiro e mãe alemã. Em 1930, casou-se com o alemão Johann Eduard Ludwig Tess, de quem se separou em 1935. Corajosa, embarcou num navio com o filho de cinco anos para a Alemanha. Em 1938 conheceu o escritor e diplomata Guimarães Rosa. Mas só se casaram formalmente em 1947, na embaixada do México, quando já estavam no Brasil. Diz-se que Guimarães dedicou a ela a sua obra prima “Grande Sertão: Veredas” (1956). Infelizmente é pouco conhecida até mesmo no Paraná. Que “O Anjo de Hamburgo”, dirigido por Jayme Monjardim, sirva para torná-la mais conhecida também na sua terra.

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    • 23 de fevereiro de 2020 em 15:38
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      A série é baseada no meu livro “Justa. Aracy de Carvalho e o resgate de judeus: trocando a Alemanha nazista pelo Brasil” (Civilização Brasileira, 2011). Também espero que a série ajude à divulgar essa história.

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  • 17 de fevereiro de 2020 em 16:02
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    fantástico que essa série tenha sido feita por brasileiros que reconhecem dessa forma a importância de uma brasileira casada como um dos maiores escritores brasileiros (o importante não foi ele ser embaixador do brasil na Alemanha e sim ele ser um dos maiores escritores da nossa lingua)!!

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  • 17 de fevereiro de 2020 em 17:37
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    Interessante e importante o destaque que Aracy recebe como “Anjo de Hamburgo”. Espero que este destaque não ofusque o papel que JGR teve. Por ser Chefe de Aracy, cabia a ele como Consul Adjunto, assinar e endossar todas as autorizações de visto. Por mais que ela tenha seus méritos, e ninguém os contesta, precisamos “dar a Cesar o que é de César”. Quem pôs em risco sua carreira de diplomata não foi Aracy. Espero que a serie relate tudo e não seja parcial…

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    • 23 de fevereiro de 2020 em 15:41
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      Não é verdade. A iniciativa coube a Aracy. Guimarães Roisa era consul-adjunto, só assumiu a responsabilidade em assinar os vistos durante férias anuais do consul. Aracy é uma” Justa entre as Nações”, titulo individual, dado graças a testemunhos diretos de pessoas que ela ajudou. A história está em meu livro “Justa” no qual a série foi baseada.

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  • 17 de fevereiro de 2020 em 19:53
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    Não constatei a menção ao seu importante livro “ JUSTA”, bem como ao seu nome , Mônica Raissa Schupun, nos créditos informados !!Deveria constar esse valioso crédito!! Pq não consta?

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    • 23 de fevereiro de 2020 em 15:46
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      Pois é. Mas os créditos deverm aparecer na série (referindo-se a meu livro “Justa”). Foi previsto.

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  • 17 de fevereiro de 2020 em 20:53
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    Toda a história dela está no livro “Mulheres na Resistência”, de Frida Milgrom

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    • 23 de fevereiro de 2020 em 15:43
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      Não conheço esse livro, que gostaria de ler. No caso da série, baseia-se em meu livro “Justa. Aracy de Carvalho e o resgate de judeus: trocando a Alemanha nazista pelo Brasil” (Civilização Brasileira, 2011).

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  • 18 de fevereiro de 2020 em 12:22
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    Escrevi um livro o Rufar dos Tambores Malignos sobre a imigração forçada dos meus pais e avós para o Brasil.Como judeus viram-se o brigados a fugir da Alemanha Em 1939 meus avós praticamente embaram num dos últimos navios que os trouxe são e salvos para o Brasil.Quem facilitou todo o processo foi a Aracy que no meu livro é destacada pelo seu incrível esfôrço em ajudar os judeus alemães que, na ocasião ,corriam perigo de vida.Obrigado ARACY

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    • 23 de fevereiro de 2020 em 15:44
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      Gostaria de conhecer seu livro e a histórioa dos seus pais e avós. No meu livro Jjusta segui o percurso de um grupo de judeus alemães que imigraram para o Brasil graças à ajuda prestada por Aracy. Mas não conhecia a história da sua familia.

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  • 23 de fevereiro de 2020 em 15:35
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    A série é baseada no meu livro Justa (a Globo comprou os direitos).

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  • 1 de março de 2020 em 20:48
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    Prezada Mônica, fiquei conhecendo a Aracy quando estudei a obra de Guimarães Rosa, sobre a qual publiquei um livro na Itália, um estudo de “Sagarana”, que então era o menos analisado e estudado dos livros dele. E tenho uma curiosidade: Guimarães Rosa foi preso por isso? Por ter colaborado com Aracy assinando os vistos? E ela, também ficou presa e confinada na Embaixada? Sempre quis sabê-lo. E gostaria de ler o seu livro. Sou professora de literatura brasileira em uma universidade italiana e não é fácil conseguir os livros aqui, porque as distribuidoras na Europa geralmente não trabalham com as editoras brasileiras e sim com as portuguesas.

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