25 anos da paz entre Israel e a Jordânia

Por David S. Moran

No último dia 26 de outubro comemorou-se o 25⁰ aniversário da assinatura do Acordo de Paz entre Israel e a Jordânia. Que bons tempos aqueles. A região estava numa boa onda em que se pensava que a paz estaria na esquina, até mesmo com os palestinos, e aí toda a região prosperaria. O então rei da Jordânia, Hussein era velho conhecido de Israel, de boa vontade, íntegro e pró-Ocidental. Incógnito, ele visitou e passeou em Tel Aviv. Na véspera da Guerra do Yom Kipur, advertiu a Golda Meir da intenção do Egito e da Síria em atacar Israel, mas a cúpula do Estado tinha convicção de que isto não deveria acontecer.

Logo depois da abertura das Embaixadas, foram assinados contratos comerciais, industriais israelenses abriram fábricas na Jordânia e passaram para o país vizinho a linha de produção. Como sempre acontece, turistas israelenses foram para a Jordânia, mas não houve reciprocidade. Pregavam-lhes tanto que o israelense é o diabo, que tinham medo de vir. O rei Hussein recebeu o título de Guardião do Monte do Templo, onde estão as mesquitas de Al Aksa e de Omar.

Em 1988, o rei entendeu que Israel era um país cuja existência tinha que ser aceitar e declarou que se desconectava da Cisjordânia, que muitos, erroneamente, até hoje, chamam de “a margem ocidental”. Em 1999, o rei Hussein faleceu e seu filho e sucessor, Abdullah II tornou-se o dirigente, mas não foi igual.

A crescente pressão da maioria da população jordaniana, que é palestina, amedronta o rei. Nas escolas ensinam os alunos a odiar os israelenses. Ódio que existe em toda parte e até no Parlamento em Amã, onde deputados oposicionistas pedem para romper as relações.

Na realidade as relações entre os dois países, bem como com o Egito, só existem no nível governamental e na área da Segurança. Em 1970, no Setembro Negro, quando os palestinos tentaram depor o rei Hussein, ele revidou com violência. A Síria ameaçou intervir. O General Sharon advertiu-os de que se entrassem na Jordânia, Israel interviria e isto bastou para que eles recolhessem os tanques.

Infelizmente, entre os povos, principalmente no lado árabe, a ficha da paz ainda não caiu, apesar de que seriam muito beneficiados. Israel fornece à Jordânia gás natural, abaixo do preço no mercado mundial. Fornece-lhe quantidade bem maior do que deveria segundo o acordo de paz. Os portos de Haifa e Ashdod foram colocados a seu dispor para encurtar o caminho das importações e exportações da Jordânia à Europa e ao mundo. Trabalhadores jordanianos entram com licença para trabalhar em Israel, principalmente nos hotéis da bem próxima cidade de Eilat.

A Jordânia reclama e acusa Israel de não se engajar no projeto do Canal dos Mares, que deveria ser cavado do Mar Vermelho, para levar água e reviver o Mar Morto. O rei Abdullah recusa-se a encontrar Netanyahu. Ficou ofendido pela calorosa recepção que o dirigente israelense deu ao segurança da Embaixada em Amã, que por engano matou dois jordanianos. Há meses que o rei anunciou que não ai renovar a alocação de 25 anos que ia expirar, em dois enclaves, onde agricultores israelenses trabalhavam a terra. Foi um golpe sério, mas nada foi feito para reverter a decisão.

A paz fria agora parece que está gelada e não pelo inverno que se aproxima. O Embaixador jordaniano foi chamado esta semana a “consultas” pela prisão de dois cidadãos jordanianos que entraram em Israel. Eles foram acusados de se envolver contra a segurança do país.

Se o(a) leitor(a) se pergunta por que Israel insiste nestas relações, abre a mão a favor dos árabes e não lhes responde, como talvez devesse, a explicação é simples. As fronteiras mais longas que Israel tem são com a Jordânia e o Egito. Felizmente, desde a assinatura dos acordos de paz com estas nações, as fronteiras estão praticamente calmas. Não há tiroteios e forças do EDI podem ser deslocadas para outras fronteiras.