A confusa política israelense

Por David S. Moran

Em 1 de novembro, os israelenses irão as eleições, pela quinta vez em três anos e meio. Parece que desta vez, também, nenhum bloco obterá maioria e dependerá de pequenos partidos e/ou de pressões para passar deputados para partidos que, até antes das eleições, descartavam.

O ex-Primeiro-Ministro, Benjamin Netanyahu, depois de 12 anos de governo, não admite que perdeu as eleições. Foi quatro vezes e não conseguiu constituir governo e não quer que outro deputado do Likud, dispute a primazia e talvez consiga formar governo do Likud.

Seu não conformismo, além de acusar que foi roubado nas eleições, é de não atender aos convites formais, quando o Primeiro-Ministro atualiza o líder da oposição, cada mês. Enquanto isto, o julgamento de Netanyahu recomeçou e ele continua na batalha política, para tentar obter um acerto judicial e não ir à prisão. Os que não apoiam Netanyahu, imediatamente são intitulados de “esquerdistas”. Até o Jonathan Pollard, que é considerado herói, e estendeu seu apoio a Ayelet Shaked, do “Espirito Sionista”, imediatamente virou “vilão e traidor”. Ante a pressão que sofreu, em algumas horas, retirou seu apoio.

Likud. Tornou-se partido que idolatra uma pessoa e não a ideologia. Foi ao extremismo e um barulhento deputado, como Dudi Amsalem, na votação interna consegue ser o quarto mais votado e já reivindica o Ministério da Justiça “para despedir os juízes que não são gente nossa, do Likud”. Os deputados do Likud ideológico o deixaram, o último foi recente, o deputado e ex-Ministro, Yuval Steinitz.

Yesh Atid. Do atual premier e Ministro do Exterior, Yair Lapid. Foi jornalista e formou um partido do zero, de tendência do centro-direita. Em apenas 10 anos tornou-o o segundo maior do país. De 2013 a 2015 serviu como Ministro das Finanças, no governo do Netanyahu. Nas eleições em 2019, uniu se a outros dois partidos para tentarem formar governo. Este teria Benny Gantz na primazia e 2,5 anos depois, o Lapid. Obtiveram 35 deputados, mas não conseguiram derrubar o Netanyahu, que ficou num governo de transição. Nas eleições de março, 2021, obteve 17 deputados, o segundo maior partido. Netanyahu novamente não conseguiu formar governo e a batuta passou para Lapid. Ele conseguiu unir partidos que somados tinham 61 deputados e pela coalizão deu o mandato a Naftali Bennett, do Yemina (a Direita) que tinha apenas 7 deputados. Um ano depois, Bennett cumpriu o acordo e passou a primazia ao Lapid.

Kachol Lavan. Formado pelo ex Comandante das Forças Armadas, Major General Benny Gantz, tem atualmente 8 deputados. Gantz candidata-se para ser Primeiro Ministro e, para ganhar força, uniu-se a Gideon Saar, ex-líder do Likud, agora no Tikva Chadasha (Nova Esperança) que formou com dois ex-deputados do Likud, Zvika Hauser e Zeev Elkin. Nas últimas eleições, conseguiram seis deputados e sua popularidade foi caindo. Preferiram unir forças com Gantz, que trouxe reforço com o popular ex-Chefe das Forças Armadas, Major General Gadi Eizenkot. A união destas forças mudou o nome para Há’ machané Há’mamlachti (O Bloco Nacional) que, com o reforço, pisa no mesmo lugar, segundo as pesquisas.

Yemina, partido do ex-premier Bennett, praticamente desapareceu. A pressão do Netanyahu e seus seguidores sobre 3 dos 6 deputados que tinha, conseguiu retirá-los do partido, sob a promessa de os colocarem na lista do Likud, em lugares que serão novamente deputados, agora pelo Likud. Yemina e Derech Eretz se uniram formando o Haruach Hatsionit (o Espírito Sionista), que pelas pesquisas, não conseguirá entrar na Knesset.

Shas, o partido religioso sefardita, liderado pelo Arie Deri, que transformou o partido de pró-Netanyahu, está parado em cerca de 8 a 9 deputados.

O Partido do Trabalho (Há’Avodá) parece que também está em apuros, junto com um partido da esquerda, o Meretz, que nas eleições passadas também obteve 6 deputados. Pelas pesquisas de opinião pública, um deles poderá não passar o obstáculo de pelo menos 3,25% dos votos, que lhe daria 4 deputados. Se isto acontecer, o bloco que quer impedir o Netanyahu de voltar ao poder – pelas três ações na justiça que está enfrentando- provavelmente seria derrotado. Esta é a razão do Premier Yair Lapid, pressionar para que ambos corram sob uma sigla. A líder do Avodá se opõe a esta união. Imagina, que até a década de 70′ do século passado, o Avodá tinha maioria absoluta no Parlamento israelense.

Ao mesmo tempo, Netanyahu lutou para que os dois partidos mais a direita do Likud, o Há’Ichud Há’Leumi (a União Nacional) do Smotrich e o Otzma Yehudit (Força Judaica) do Ben Gvir se unam, como foi na eleição passada. Os dois trocaram acusações um contra o outro. Ben Gvir, que é da extrema direita, que apoiava o Kahana, foi legitimado pelo Netanyahu para concorrer nas eleições. No passado, o partido do Kahana foi deslegitimado e os líderes do Likud saiam do plenário, quando ele subia ao pódio. Ben Gvir está em alta e o Smotrich estava perdendo terreno e talvez nem entrasse na Knesset. Ante esta eventualidade, os dois partidos se uniram e correrão sob a legenda do Hatsionut Hadatit (o Sionismo Religioso).

Outra dor de cabeça para Netanyahu é o que corre entre as duas correntes hassídicas que compõe o Partido Yahadut Hatorá. A corrente do Deguel Hatorá (a Bandeira da Torá) liderada pelo Gafni, quer verbas para suas escolas e está disposta lecionar algumas matérias seculares, como Matemática, Ciências, Inglês. A outra corrente Hassídica de Belz, Agudat Israel, não admite estudos que não sejam de escritos religiosos. Estamos no Século XXI e estas agremiações não querem evoluir. Também se esquivam do serviço militar e não se integram a toda a população israelense. Quando Netanyahu quis intervir, líderes do Yahadut Há’Torá lhe ordenaram a não se meter em seus assuntos. No fim, parece que o seu interesse maior por verbas às suas instituições prevalecerá mais do que a ideológico e se unirão.

O partido Israel Beiteinu (Israel nosso Lar) liderado por Avigdor Liberman, antigo íntimo de Benjamin Netanyahu, que rompeu com ele e atualmente é o Ministro das Finanças, tenta obter mais força emitindo sua opinião sobre Netanyahu, até usando palavras de baixo calão. Sua força eleitoral é de 6 a 7 deputados.

Nada está definido com os eleitores judeus e entre a população árabe-israelense a confusão é ainda maior. Até parece que os árabe-israelenses aprenderam dos judeus, que se há 3 pessoas, tem que formar 4 partidos. A participação de deputados árabes em partidos Sionistas sempre existiu desde a fundação do Estado de Israel. Com o passar do tempo, foram formados partidos árabe-israelenses. Entre eles um foi do deputado Ahmed Tibi, que foi conselheiro politico do Yasser Arafat e serve no Knesset há 23 anos. Devia se perguntar quais os benefícios que trouxe a população árabe.

Há 2 agremiações árabes no Parlamento israelense. A Lista Árabe Conjunta (LAC), formada por três partidos, desde o religioso, passando por secular pró palestina e até o Partido Comunista Israelense. A outra agremiação que nas últimas eleições separou-se da LAC, é o partido religioso muçulmano, Lista Árabe Unida (Ra’am). Sob a liderança do Deputado Mansour Abbas, incentivado por Netanyahu, decidiu juntar-se em apoio ao governo. Alegando que Netanyahu não cumpriu o seu compromisso, apoia o governo Lapid. Consegue aos árabes mais do que Tibi, conseguiu para eles em 23 anos.

O problema é a relativa baixa votação no setor árabe, que o bloco anti-Bibi Netanyahu quer tirar de casa para votar. Baixa votação da população árabe favorece o Netanyahu. A LAC tem atualmente 5 deputados e Ra’am (LAU) 4 parlamentares. Em 2020, a presença dos árabes foi de 64,8%, baixou para 44,6% em 2021 e deve cair para 39% em 2022. O que poderá tira-los de casa é o temor do fortalecimento do Ben Gvir.

Nas eleições da única e real democracia no Oriente Médio, cada um pode tentar eleger uma legenda. Assim que além dos partidos conhecidos, acima mencionados, outras 24 agremiações concorreram à Knesset, como a Honra Humana que obteve 196 votos.

Nada está definido ainda e nem se sabe quem são os partidos que concorrerão. Pelas pesquisas de opinião pública, o impasse persistirá. Se não houver definição, em menos de quatro anos o israelense deverá ir às urnas pela sexta vez. O que impede a formação de um governo mais estável com o Likud, é a oposição dos anti-Bibi, de que ele lidere este partido, pelas acusações de fraude e corrupção. Pessoas da cúpula do Likud cogitam que se não conseguirem formar governo após estas eleições, haverá rebelião no partido com a eleição de um novo líder.

Foto: Piqsels

One thought on “A confusa política israelense

  • 9 de setembro de 2022 em 13:06
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    Voce Moran continua a sujar o nome do partido mayoritario em todas as 4 eleicoes que houveram!! Em lugar de criticar o sistema politico absurdo,e antidemocrático, ja que voce se autodenomina democrático, mas na verdade voce e um esquerdista como lapid e outros que formaram uma “elite” esquerdista, antirreligiosa e antijudia, que domina desde o comeco da Medina o poder, e que sentem ha que o poder esta fugindo das maos e por isso tentam denegrir o único líder verdadeiro desta Pais! O sistema politico e um absurdo ja que milhoes votam por um partido e nao pelas pessoas, depois o partido que faz maioria deve indicar os membros do Knesset. ou seja nos nao votamos em pessoas e nao temos nenhum acesso a eles. Alem do que pequenos partidos insignificantes se unem o formam um governo ridículo como foi na eleicao passada sem apoio da maioria dos eleitores e nem dos cidadaos!! Isso voces esquerdistas chamam “democracia” porque interessa a voces para poder atingir o poder. Mas esta mudado e em breve voces serao apenas historia!! Se D’us quizer!!!

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