A Jordânia preocupa

A Jordânia tem relações diplomáticas com Israel desde 1994. Na época, o rei Hussein e o Primeiro Ministro de Israel, Yitzhak Rabin, assinaram o acordo de paz, sob os auspícios do presidente Clinton. Este prometeu ao rei que os EUA apagariam dos livros as dívidas da Jordânia ao seu país. Assim vieram à tona dezenas de anos de conversas e encontros sigilosos entre Israel e o rei Hussein.

Na véspera da criação do Estado de Israel, o rei Abdullah, da Jordânia, que recebeu sua independência da Inglaterra em 1946, manteve contatos com autoridades judaicas, como Golda Meir, para tratar de paz entre seu país e o Estado Judeu que estava para nascer. Todos os contatos, evidentemente foram sigilosos e terminaram com a morte do rei Abdullah, quando visitou a Mesquita de Omar, no Monte do Templo, na época sob domínio da Jordânia, em 20 de julho de 1951.

Um terrorista árabe palestino, a mando da família do Mufti Haj Amin al Husseini, esperou o rei, escondido atrás da porta da mesquita e quando ele estava para entrar, o alvejou. Em seguida foi morto pelos guarda-costas beduínos. Seu neto, Hussein, que se tronou rei, após seu pai, Tlal ser impossibilitado de reinar (era retardado) continuou contatos com Israel, evidentemente sob sigilo.

Em Israel, durante dezenas de anos pensava-se que quem faria primeiro a paz com o Estado Judeu, seria o Líbano, na época com maioria cristã e o segundo país árabe seria a Jordânia. O Líbano de hoje é impossível de ser pensado, mas de fato a Jordânia tonou-se o segundo país árabe, após o Egito, em 1979, a assinar tratado de paz com Israel. As discordâncias entre os dois países foram resolvidas. Em troca de paz, Israel se comprometeu a fornecer 50 milhões de m³ de água à Jordânia. De fato, desde 2016 fornece o dobro, para ajudar o rei. Israel arrendou da Jordânia o enclave de Tsofar, para agricultores de kibutz da área, por 25 anos, com a possibilidade de extensão. O rei Abdullah II avisou que não estenderia e de fato não renovou o arrendamento. Segundo o acordo, Israel num gesto de boa vontade, deu a Jordânia um status especial no Monte do Templo, área muito cobiçada por outros países.

Voltando na história. O rei Hussein teve calorosos contatos com israelenses. Sabia que Israel poderia ajuda-lo, mais do que os próprios irmãos árabes, se necessitasse. Fez um erro ao entrar na Guerra dos Seis Dias, persuadido pelo Egito e a Síria. Mas, em 25/9/1973 advertiu a Golda Meir de que os vizinhos poderiam atacar Israel, o que de fato aconteceu em 6 de outubro, na sangrenta Guerra do Yom Kipur. Hussein visitou diversas vezes Israel, gostava de Tel Aviv, sempre incógnito.

Em 1970, quando os palestinos na Jordânia se voltaram contra o rei hashemita, no que se tornou o Setembro Negro, a Síria ameaçou o rei dizendo que iria intervir e invadir a Jordânia. O governo israelense ordenou Tsahal (EDI) a entrar em prontidão e ameaçou a Síria de que sua invasão à Jordânia seria respondida por Israel. A Síria voltou atrás e o reino do Hussein foi mantido.

Seu filho e herdeiro, o rei Abdullah II é diferente do pai. Segue uma linha mais fria. Enquanto israelenses viajavam à Jordânia, na época de Hussein, atualmente há menos idas pela preocupação da reação dos locais. A população palestina já é maioria, entre os oito milhões de habitantes. Adicionando os mais de um milhão de refugiados sírios que entraram no país, a situação econômica tornou-se precária e isto traz revoltas populares. Na relação entre os dois países, por enquanto o único setor que ainda funciona bem é o da segurança. A maior fronteira de Israel, de 480 km, no oriente, é com a Jordânia e é a mais calma dos países que circundam o país. A área da Jordânia serve para manter o Irã longe de Israel. Não gostaria de pensar se o Irã tivesse um pé na Jordânia. Ao mesmo tempo, o rei hashemita sabe que recebe o apoio e informações necessárias de Israel para se manter no país.

A declaração eleitoral do primeiro ministro, Benjamin Netanyahu de querer anexar o Vale do Jordão a Israel, não adicionou saúde as frias relações entre os dois países. Há anos que Abdullah II recusa-se a se encontrar com Netanyahu. No Parlamento jordaniano levantam-se cada vez mais vozes de romper as relações com Israel. O rei Abdullah II também acusa Israel de não cumprir a promessa de concretizar o “Canal dos Mares”. Este seria escavado desde o Mar Vermelho até o Mar Morto e lhe dar mais vida com abastecimento de água, que é perdida pela evaporação, devido ao calor de um lado e a escassez de água do Rio Jordão. Também não foi construída uma zona industrial junto à fronteira e nem um aeroporto internacional em Aqaba que serviria a ambos os países. A Jordânia teme a crescente força dos palestinos no país, a má situação econômica do país e a influência da Irmandade Muçulmana. Também teme a intenção americana de outorgar à Arábia Saudita o status de Guardiã da Esplanada das Mesquitas, pelo “acordo do Século” (que ninguém sabe se sairá).

Por outro lado, trabalhadores jordanianos atravessam a fronteira todo dia para trabalhar em Eilat e Israel tem acordo de fornecimento de gás, em preço atrativo à monarquia do leste.

Isto não impediu o rei Abdullah de declarar em Nova York, por ocasião de Conferência comemorativa dos 25 anos do Acordo de Paz, de que “as relações com Israel são as piores desde que o acordo foi assinado”. Ele responsabilizou a situação politica interna israelense por isso. Há quatro semanas, depois de exigir a retirada dos agricultores que trabalhavam a terra no enclave jordaniano, o rei foi com seu filho comemorar a ocasião. Há duas semanas, o exército jordaniano fez exercício com a participação de comandos, artilharia, tanques, aviões e helicópteros, que visava impedir “invasão” do ocidente. Ora, no ocidente da Jordânia está Israel. Em outras palavras, o exercício era contra possível invasão israelense ao país, que ele sabe que não aconteceria.

Fora a cooperação na área da segurança, do suprimento de água e de gás ao reino Hashemita e de empregar milhares de jordanianos no país para aliviar sua situação econômica, Israel tem uma importante alavanca a usar. É o status especial no Monte do Templo, ou a Esplanada das Mesquitas. O rei sabe que os judeus trabalharam por seu Deus, no Beit Hamikdash (o Templo, em hebraico) há 3.000 anos e o islão é de apenas 1.409 anos. Como relembra o Dr. Mordechai Keidar, especialista no Islão e em Estudos do Oriente Médio, em árabe clássico Jerusalém é chamada de Elmakdis (parece mikdash). Mais do que isto. Nos mapas jordanianos d’antes de 1967, o Monte do Templo é escrito em inglês “Mount Moriah”, que segundo a Bíblia, foi onde Deus testou Abrão e onde foi erguido o Templo. Dr. Keidar conclui, “se vocês alegam que Jerusalém Oriental deve ser a Capital da Palestina, porque vocês não a tonaram capital, quando a região estava sob sua soberania, de 1948 a 1967?”.

Israel e a Jordânia têm que aquecer as relações entre si para o benefício de ambos. Se Israel tivesse que se resguardar da fronteira leste, com a Jordânia, teria que colocar mais soldados e muito mais verbas para tal e o rei precisa de Israel para que lhe proteja e salve seu reinado.

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